Mais pesquisas e menos ideologia no enfrentamento ao novo coronavírus

Gil Reis*

Por pertencer ao grupo de risco para o novo coronavírus, por ter mais de 60 anos, estou confinado há mais de um mês para cuidar da minha saúde e, ao mesmo tempo, não vir a sobrecarregar o sistema de saúde pública por um eventual contágio. Mesmo assim, tenha dúvidas se o isolamento social é a forma mais correta de evitar a disseminação da doença.

Na verdade, fico perplexo com a crença da OMS (Organização Mundial da Saúde) em relação aos resultados do isolamento no enfrentamento da propagação da virose que se espalho pelo mundo.

Será mesmo que a única maneira de evitar a contaminação é trancafiar as pessoas para que não saiam de casa, esquecendo-se que elas precisam trabalhar para garantir o seu sustento e de suas famílias?

Há um dado que não está sendo devidamente considerado na estratégia de enfrentamento à pandemia: as paredes de uma moradia não são barreiras suficientes para impedir a movimentação do vírus. As pessoas tanto podem contraí-lo ao receber em casa alimentos ou medicamentos por meio de serviços “deliverys” ou quando sair à rua para fazer alguma compra de itens essenciais. Mais: segundo a OMS, 80% dos infectados são assintomáticos, ou seja, é praticamente impossível evitar a transmissão do vírus no contato com esse grupo;

Quais os resultados obtidos até agora? Os dados divulgados até agora mostram que os países e os estados que adotaram o confinamento total, impedindo o livre trânsito das pessoas, fechando os estabelecimentos comerciais e de serviços, indústrias e proibindo a realização de grandes eventos, têm apresentando crescimento vertiginoso de infectados e mortos pela covid-19, o que se esperava que não ocorresse.

Recentemente, assisti ao pronunciamento de 45 minutos de Andrew Cuomo, governador do estado de Nova York, epicentro do coronavírus nos EUA. Em sua longa explanação, ele revelou que pesquisa realizada em Nova York chegou à conclusão de que 66% das pessoas hospitalizadas com a virose estavam isoladas em suas próprias casas e 18%, estavam em lares de idosos. Ou seja, 84% estavam confinados.

Diante de tais resultados não seria mais razoável dar prioridades às demais recomendações da OMS – distanciamento de pelo menos 1 metro entre as pessoas, uso de máscara quando estiver na rua ou no trabalho, higienização frequente das mãos e proibição de aglomerações – em detrimento do isolamento?

Talvez seja o momento de fazermos no Brasil pesquisa semelhante à realizada em Nova York para que o Ministério da Saúde possa ter dados confiáveis para tomar futuras decisões sobre o enfrentamento do coronavírus.

Estamos todos aguardamos que os ministérios da Saúde e da Economia nos apresentem um planejamento detalhado e consistente, baseado em pesquisa, para que possamos não só enfrentar a pandemia, mas também retomar da atividade econômica.

É inaceitável que continuemos confinados mais por divergências ideológicas do que pela verdade dos dados apurados em pesquisa em que a própria doença mostra sua extrema agressividade mesmo quando se obedece ao isolamento social. Ou será que a realidade da pandemia muda de uma país para outro?

Ah, para que não digam que não falei de flores, um esclarecimento: não abordei e não pugnei pela extinção do “passivo retroativo de conveniência” do Funrural por ter a absoluta certeza que a restruturação econômica do Brasil pós-pandemia passa, inevitavelmente, pelo agro, sem passivos retroativos e com o endividamento solucionado para a plena da garantia alimentar do país e sua consolidação como o grande fornecedor de alimentos para o mundo.

*Consultor em agronegócio

 

AGROemDIA

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