Pequeno produtor gaúcho de leite está praticamente excluído da atividade, diz Heitor Schuch

Foto: Câmara dos Deputados

Os pequenos produtores gaúchos de leite estão praticamente excluídos da atividade com a crise vivida pelo setor, agravada pela seca no Rio Grande do Sul e pela pandemia da covid-19, avalia o deputado federal Heitor Schuch (PSB-RS). Ele lamenta também que o governo tenha vetado o auxílio emergencial de R$ 1.800, em três parcelas de R$ 600, para os agricultores. “É muito difícil reverter o veto na Câmara depois que o Centrão entrou para o governo.”  

O parlamentar diz que 2020 tem sido um ano de um “sobrenatural” para o setor leiteiro. “Aqui no Sul, estamos com o problema da seca, com reflexos diretos na produção e na produtividade. Tem agricultor que está tratando os animais agora com a silagem que estava guardada para setembro, outubro. Ou seja, ele tem problema agora e vai ter um ainda maior lá na frente.”

Além disso, acrescenta Schuch, os custos de produção estão muito acima da capacidade financeira dos produtores. “Os insumos, como medicamentos, outros produtos veterinários e de limpeza, são dolarizados. Então, fugiram do alcance do agricultor.”

Segundo Schuch, o Rio Grande do Sul teve uma situação peculiar por causa da seca. “O agricultor elevou os custos de produção para manter o plantel. Fez um sacrifício enorme, mas a produção recuou. Enfim, ele aumentou os custos e, mesmo assim, diminuiu a produção.”

Apesar disso, pontua o deputado gaúcho, houve redução do preço do litro de leite ao produtor. “Teve redução de preço ao agricultor e até risco de não receber o leite todo, como foi ventilado pelas indústrias. Dessa maneira, é realmente condenar o setor leiteiro gaúcho ao extermínio.”

Dificuldades para renegociar dívidas rurais

Schuch lembra que o estado perdeu mais de 80 mil produtores nos últimos 10 anos. “Os pequenos estão literalmente excluídos do processo e agora se verifica o avanço [da crise] para um grupo maior de produtores, que também tem as mesmas dificuldades.”

A situação se torna ainda mais crítica pela falta de acesso do produtor à repactuação dos débitos rurais. “Quem tem financiamento enfrenta uma enorme dificuldade para renegociar as dívidas. Os bancos fazem tudo para o agricultor vender meia dúzia de vacas e pagar a conta, em vez de prorrogar [os débitos].”

Esse contexto, enfatiza Schuch, deve estimular os produtores que têm um pouco mais de terra a abandonar o leite e plantar soja, por exemplo. “Eles não vão querer ficar na produção leiteira, uma atividade de muitos sacrifícios durante os 365 dias do ano. Ter redução de preço ao produtor em época de entressafra por certo vai levá-los a repensar a atividade. Por isso, me solidarizo com o produtor de leite e também com o consumidor, porque o preço para ele não caiu.”

 

 

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