Produtores goianos terão R$ 18 bi para financiamento no Plano Safra 2020/21

Governador Ronaldo Caiado anuncia plano safra goiano – Foto: Divulgação/Seapa

“A agropecuária goiana tem garantido a comida na mesa e as condições de negociação no exterior para gerar renda para que possamos cuidar das vidas das pessoas, sobretudo no aspecto social.” A afirmação foi feita pelo governador Ronaldo Caiado nesta quarta-feira 24 de junho, ao anunciar que Goiás terá $ 18 bilhões para financiar os produtores a partir de 1º de julho.

O anúncio dos recursos ocorreu durante a solenidade de lançamento do Plano Safra 2020/2021 em Goiás, no Palácio das Esmeraldas, em Goiânia. Representantes de entidades do setor e de instituições financeiras participaram do evento, seguindo as recomendações sanitárias de distanciamento para evitar contrair a covid-19.

O governador também anunciou que enviará projeto de lei à Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) para criar a Secretaria da Retomada que, segundo ele, vai organizar estruturas já existentes no estado – sem novos custos para o cidadão –, a fim de diagnosticar e prever como lidar com a questão social e o desemprego causado pela pandemia do novo coronavírus.

“Estamos revendo nosso plano de governo, debatendo com todos os poderes e com os setores econômicos para unir forças e lutarmos por nossa economia”, disse Caiado.

A expectativa, assinalou o governador, é de que o Plano Safra 2020/2021 injete cerca de R$ 18 bilhões na economia, contribuindo para o aumento da produção no estado, que foi de 26,7 milhões de toneladas de grãos na safra 2019/2020, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), gerando mais empregos e renda.

“Temos condições de fazer o estado sair do terceiro lugar, alcançado na produção de grãos este ano, superando o Rio Grande do Sul, e migrar para o segundo lugar em breve. Isso é possível porque no passado enxergamos que era preciso lutar pelo setor rural. É o setor que antes era alvo de preconceito e hoje é orgulho para nosso estado. É o setor que mais absorve tecnologia no país, altamente qualificado, tecnificado, com pesquisa e que gera empregos, mesmo na pandemia”, enfatizou Caiado.

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Carlos de Souza Lima Neto, apresentou número do agro do estado. Segundo ele, além dos recordes na produção de grãos e de outras produções, no primeiro trimestre o setor agropecuário empregou 307 mil pessoas em Goiás, aumento de 4,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O setor, pontuou, também foi o grande responsável por manter o crescimento do Produto Interno Bruto em Goiás (PIB), de 3,4% (aumento de 18% só no agro) e por 79% das exportações do goianas.

“Isso tudo mostra a pujança e a força do setor agropecuário, que desenvolve a nossa economia. E o Plano Safra é uma importante política pública do país e do estado de Goiás. Ele promove ações que são fundamentais para o crescimento e desenvolvimento econômico”, ressaltou Antônio Carlos.

De acordo com o secretário, na safra 2019/2020, os produtores goianos financiaram cerca de R$ 16 bilhões no Plano Safra. “O aumento para R$ 18 bilhões, no ciclo 2020/2021, deve fortalecer ainda mais os números apresentados pelo setor. Os recursos, aliados às políticas públicas do governo de Goiás, orientadas pelo nosso governador Ronaldo Caiado, vão promover o desenvolvimento regional, o crescimento de nossa economia e oportunizar mais empregos e mais opções para o estado.”

Um dos exemplos destacados pelo secretário Antônio Carlos foi o da agricultura familiar, que representa cerca de 62,9% dos estabelecimentos rurais goianos. Segundo ele, Goiás já possui o maior ticket médio de captação por produtor no Plano Safra e conseguiu a aprovação de cerca de 15 mil projetos na última safra, graças ao trabalho de orientação da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater).

“Vamos trabalhar para aumentar essa captação e favorecer o desenvolvimento dessas pequenas propriedades, valorizando não só o grande produtor, mas principalmente ajudando o pequeno”.

Antônio Carlos também citou o aumento do crédito para o Programa de Seguro Rural, que terá recursos de R$ 1,3 bilhão para todo o país, com maior orçamento para apólices, área e valor. “É uma garantia para o produtor para permitir seu planejamento no longo prazo, dando segurança diante dos riscos. Queremos que o produtor tenha segurança para produzir e fazer crescer a nossa economia.”

Dados do setor

Segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado no dia 9 de junho, Goiás é hoje o terceiro maior produtor de grãos do Brasil, com expectativa de produção de 26,7 milhões de toneladas para a safra 2019/2020, em uma área superior a 6 milhões de hectares.

A taxa de crescimento na produção é superior à média nacional. Enquanto no Brasil a produção está estimada em 250,5 milhões de toneladas e aumento de 3,5% em relação à safra 2018/2019, em Goiás a produção de 26,7 milhões de toneladas representa aumento de 8,7% em relação à safra anterior. O estado tem ainda percentual de crescimento superior à da região Centro-Oeste, que está estimada em 8,6%, e 120,8 milhões de toneladas colhidas.

Considerando as principais culturas e as estatísticas divulgadas pela Conab e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Goiás é hoje o primeiro lugar na produção de tomate (1,13 milhões de toneladas) e de sorgo (1,34 milhões de toneladas); segundo lugar na produção de cana-de-açúcar (75,78 milhões de toneladas) e girassol (31,4 mil toneladas) e na criação de bovinos (22,65 milhões de cabeças).

Além de ser o terceiro lugar na produção de grãos, também ocupa a mesma colocação na produção de soja (12,46 milhões de toneladas), milho (12,27 milhões de toneladas) e caroço de algodão (100,2 mil toneladas). Aparece ainda como destaque a produção de feijão (320,7 mil toneladas) e de leite (3,08 bilhões de litros), o que faz do estado o quarto lugar nessas produções no ranking nacional.

Retorno em emprego e renda

Se observado o retorno financeiro dessa produção para a economia, temos o Valor Bruto de Produção Agropecuária (VBP), em Goiás, como o quinto maior entre os estados, chegando a R$ 56,9 bilhões – que corresponde a 8,1% do VBP nacional que está estimado em R$ 703,8 bilhões – segundo a última atualização da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O valor representa crescimento de 9,8% em relação ao ano anterior e a variação de crescimento também é superior à média nacional, que foi de 8,5%. Separado por categoria, em Goiás, o VBP da Agricultura está estimado em R$ 38,2 bilhões (crescimento de 13,3% em relação a 2019), enquanto o da Pecuária está estimado em R$ 18,7 bilhões (aumento de 3,4% em relação ao ano anterior).

Os números se refletem também nas exportações do agronegócio. Segundo os últimos números divulgados pelo Ministério da Economia, o agronegócio goiano exportou 2,45 bilhões de dólares e representa 79% das exportações do Estado. O valor representa, ainda 5,8% da participação do agro goiano em relação ao que é exportado pelo Brasil.

Toda essa movimentação se transforma em geração de emprego e renda nos municípios goianos. O Produto Interno Bruto goiano (PIB) tem estimativa de crescimento de 3,4% no primeiro trimestre do ano, em comparação ao mesmo período de 2019 e o grande destaque se dá em relação ao setor da agropecuária, cuja estimativa aponta para crescimento de 18,0% no estado no mesmo período, enquanto no País o setor teve crescimento de 1,9%.

*Com informações da Seapa

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