Movimento Colmeia Viva ajuda a proteger as abelhas, diz apicultor paulista

Foto: Maria Eugênia Ribeiro/Embrapa

O apicultor Altair Baiocchi, 47 anos, produz cerca de 26 toneladas anuais de mel, na região de São José do Rio Preto (SP). Seu apiário abriga aproximadamente 830 colmeias e está instalado perto de três grandes usinas de açúcar, etanol e energia. Ligado à apicultura “desde os avós”, como costuma dizer, ele está no centro de uma história de sucesso atrelada à proteção de abelhas ante aplicações de defensivos agrícolas. Baiocchi foi um dos primeiros apicultores daquela área a obter suporte do Movimento Colmeia Viva.

Iniciativa da indústria de defensivos agrícolas, o Colmeia Viva tem por missão promover uma relação mais construtiva entre agricultura e apicultura. Com objetivo de proteger cultivos e o meio ambiente, o movimento age para entrelaçar agricultores e apicultores. Fornece assistência técnica, treinamento, site, App e materiais de suporte gratuitos para combater o mau uso de defensivos agrícolas e preservar abelhas em áreas de lavouras.

“O diálogo entre agricultores e apicultores é a chave para uma relação produtiva entre agricultura e apicultura”, afirma Daniel Espanholeto, médico veterinário, especialista em uso correto e seguro do Colmeia Viva. “O agricultor avisa o apicultor quando for aplicar esses produtos. O apicultor, com suas colmeias georreferenciadas e identificadas pelo agricultor por meio do Colmeia Viva APP, toma as medidas de segurança necessárias”, complementa Rhaissa Michievicy, engenheira agrônoma do movimento.

Baiocchi se aproximou do Movimento Colmeia Viva por intermédio de usinas da região de Rio Preto. Participou de treinamentos sobre boas práticas agrícolas e apícolas e passou a interagir com a coordenação do movimento. “O Colmeia Viva trouxe mais proteção e segurança para as minhas abelhas. Passei a ter acesso à informação. O pessoal das usinas hoje avisa quando tem aplicação e nós agimos no tempo necessário para proteger as colmeias.”

Jorge Toledo, vice-presidente do Sindag – Foto: Divulgação

Aeronaves e novas tecnologias

Conforme Espanholeto e Rhaissa, desde 2017 o Colmeia Viva interage com empresas de aviação agrícola da região de São José do Rio Preto. O empresário Jorge Humberto Morato de Toledo, sócio proprietário da Imagem Aviação Agrícola e engenheiro agrônomo, envolveu-se proativamente nessa aproximação. Sua empresa, sediada em Monções (SP), atua há 20 anos, tem 12 aeronaves e mais de 70 clientes.

“No passado, a aviação agrícola era acusada de provocar mortalidade de abelhas. Incidentes ocorriam porque não havia informação segura sobre localizações de colmeias nas proximidades de lavouras. Enfrentamos, inclusive, tentativas equivocadas de proibir a aviação agrícola. Ante esse cenário, atuamos em parceria com o Colmeia Viva e a empresa COFCO. Mapeamos os apicultores da região com apoio dos próprios criadores de abelhas. Este trabalho estabeleceu aqui uma relação harmônica entre agricultura e apicultura. Após o mapeamento, nossos clientes não tiveram mais problemas”, destaca Toledo.

“Graças ao suporte da COFCO, abrimos um canal eficaz com apicultores e também impulsionamos, juntos, o projeto Polinizar, hoje altamente reconhecido na região pelos benefícios que transfere à agricultura e à apicultura.”

A Imagem Aviação Agrícola também abraçou de vez a causa das abelhas, destaca Toledo. “Fizemos investimentos significativos em tecnologias para aeronaves, no intuito de melhorar a relação entre apicultor e usina. Implantamos GPS de última geração e comutação automática, uma válvula que abre e fecha sem comando do piloto, acionada por um shape com a localização exata onde produtos têm de ser aplicados.”

Vice-presidente do Sindag – entidade representativa das empresas da aviação agrícola brasileira –, Jorge Toledo enfatiza ainda que nos dias de hoje, quando ocorrem incidentes com abelhas relacionados a defensivos agrícolas naquela região, “é porque falta comunicação entre agricultor e apicultor”.

“A parceria com o Movimento Colmeia Viva é espetacular. Conseguimos melhorar a imagem de nosso setor, além do convívio com apicultores. Esse modelo de ação está ajudando a melhorar a imagem da aviação agrícola. Tínhamos muitos problemas, inclusive tentativas de proibir a atividade. O Colmeia Viva nos ajuda a contrapor esse cenário equivocado, unindo outras instituições”, ressalta Jorge Toledo.

Na opinião do apicultor Altair Baiocchi, tão importante quanto o entrelaçamento entre agricultura, apicultura e aviação agrícola, é a regularização da atividade apícola junto as secretarias de agricultura. “Recomendo a outros apicultores buscar orientações no serviço de Assistência Técnica do Colmeia Viva, pelo 0800 771800.”

 

AGROemDIA

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