Em carta, empresas cobram do governo combate ao desmatamento

Foto: Agência Brasil

Da Reuters

Em carta ao vice-presidente, Hamilton Mourão, que também é presidente do Conselho da Amazônia Legal, 38 grandes empresas nacionais e estrangeiras pediram providências urgentes contra o desmatamento ilegal e alertaram contra o impacto que a questão ambiental tem na imagem e nos negócios do Brasil no exterior.

“Particularmente, esse grupo acompanha com maior atenção e preocupação o impacto nos negócios da atual percepção negativa da imagem do Brasil no exterior em relação às questões socioambientais na Amazônia. Essa percepção negativa tem um enorme potencial de prejuízo para o Brasil, não apenas do ponto de vista reputacional, mas de forma efetiva para o desenvolvimento de negócios e projetos fundamentais para o país”, diz a carta assinada por CEOs de empresas que incluem a Ambev, os bancos Bradesco e Itaú, Microsoft e Cargill, entre outras.

O texto inclui empresas de ramos diversos e é a primeira vez que vários setores empresariais se reúnem para declarar claramente a preocupação com a possibilidade concreta de que as ações do governo na área ambiental terminem por prejudicar os negócios brasileiros.

Como mostrou a Reuters, sete grandes empresas de investimento europeias afirmaram que desinvestirão em produtores de carne, operadoras de grãos e até em títulos do governo do Brasil se não virem progresso rumo a uma solução para a destruição crescente da Floresta Amazônica.

Além disso, cerca de 30 instituições financeiras, com 3,7 trilhões de dólares em ativos, afirmaram que, sem a contenção do desmatamento, o Brasil enfrentará a dúvida dos investidores em colocar recursos no país.

Floresta Amazônica

O desmatamento na Amazônia brasileira atingiu uma máxima de 11 anos em 2019, o primeiro ano de Bolsonaro no cargo, e aumentou outros 34% nos cinco primeiros meses de 2020, de acordo com dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O tom da carta dos empresários, no entanto, é menos de cobrança e mais de oferta de apoio. As empresas lembram que algumas já fazem trabalham com o que chamam de bioeconomia, inclusive na Amazônia, e podem colaborar

“De um lado, entendemos que é possível dar escala às boas práticas a partir de políticas consistentes de fomento à agenda ambiental, social e de governança. De outro, é necessário adotar rigorosa fiscalização de irregularidades e crimes ambientais na Amazônia e demais biomas brasileiros”, diz o texto.

Às ameaças de investidores, somam-se os sinais crescentes de má vontade dos países da União Europeia com o acordo comercial Mercosul-UE. Diversos países já aprovaram moções ou planejam rejeitar o acordo alegando as más práticas ambientais brasileiras.

“Temos a oportunidade única, os recursos e o conhecimento para dar escala às boas práticas e, mais do que isso, planejar estrategicamente o futuro sustentável do Brasil. Precisamos fazer as escolhas certas agora e começar a redirecionar os investimentos para enfrentamento e recuperação da economia brasileira em um modelo de economia circular, de baixo carbono, e inclusiva, em que não há controvérsias entre produzir e preservar”, assinala o texto.

 

 

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