Brasil não terá safra recorde de café em 2020, garante presidente do CNC

Silas Brasileiro, presidente do Conselho Nacional do Café – Foto: EBC

A safra brasileira de café 2020 não será recorde, devendo se situar perto de 60 milhões de sacas, de acordo com os números oficiais apurados pelo governo federal, garante o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, ao contestar as especulações sobre o volume do grão a ser colhido pelo país na temporada atual.

Brasileiro vê tais comentários como parte de um movimento para reduzir os preços do café. Os insistentes números apresentados por agentes internacionais, assinala, podem ter a intenção de depreciar as cotações do produto.

“Esquecem-se, porém, que tirar a renda e a competitividade do produtor impactará significativamente na produção em médio e longo prazos, pois veremos uma oferta em declínio e a consequente elevação dos preços diante da falta de café”, ressalta em nota divulgada pelo conselho nesta sexta-feira 24.

O presidente do CNC recorda que o cenário ideal é o equilíbrio na balança de oferta e demanda, com todos os agentes recebendo suas margens.

“Volumes de produção e consumo equilibrados geram ganhos a todos os segmentos, a sustentabilidade econômica da cadeia e evita-se sobrepreços aos consumidores”, analisa.

O alerta do presidente do CNC ocorre em meio a um cenário de incertezas quanto ao consumo da bebida por causa dos impactos da pandemia da covid-19.

Flexibilização na Europa e Ásia

Segundo ele, a flexibilização que vem ocorrendo na Europa e na Ásia, continentes que têm grandes países consumidores e importadores do café brasileiro, permite a retomada do consumo fora de casa.

“Com essa abertura de cafeterias, restaurantes e demais estabelecimentos, teremos uma sinalização de qual será o impacto no consumo. Não podemos esquecer que o inverno ainda está para chegar no Hemisfério Norte e a tendência é que se consuma mais café”, recorda.

“A partir de setembro, já vemos as folhas das árvores mudando para uma coloração amarronzada e sentimos o clima bem mais frio em potenciais países consumidores”, completa.

Em relação à oferta do maior produtor mundial, Brasileiro observa que a colheita avançou para pouco mais da metade atualmente e que ainda há que se ficar atento ao clima nos próximos dias.

“Temos previsão para a chegada de uma frente fria na próxima semana, que derrubará as temperaturas no cinturão produtor de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Paraná. Precisa-se monitorar para ver se não há possibilidade de geadas, assim como também ficar de olho para a ocorrência de chuvas, as quais afetam a qualidade do café na época da colheita”, enfatiza

Ele reforça ainda que o CNC sempre se posicionará de maneira coerente, com números reais sobre oferta e demanda, “para que o cafeicultor possa planejar sua atividade e ter o melhor desempenho possível”.

 

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