Sempre aos domingos: Destino de peão – Noel Guarany
João Carlos Rodrigues//Da redação AGROemDIA
Num momento em que o debate sobre a comunicação no agro volta a ganhar força, principalmente da porteira para fora, o AGROemDIA reencontra o inesquecível cantor e compositor Noel Guarany, o payador das Missões jesuíticas. Em Destino de Peão, ele canta o cotidiano do trabalhador rural, que, depois de consertar o alambrado, lá no fundo da invernada, onde sentiu a sinfonia dos bichos, segue a caminho da namorada.
A poesia de Noel Guarany – um dos expoentes da cultura missioneira e guaranítica do Rio Grande do Sul – nunca perde de vista a história do homem e das mulheres do campo, algo que anda meio esquecido em meio aos cifrões que sempre antecedem os números robustos do agro.
Talvez seja importante não ofuscar a participação da gente de carne e osso na atividade agropecuária. Do humano, com suas dores, alegrias, trabalho, amores. Afinal, os grãos de soja, milho, arroz e feijão, o leite, a carne e tudo mais que sai do campo estão impregnado das digitais dos produtores, das produtoras, dos peões, dos caboclos, dos matutos. Mas é só um talvez…
Bueno, a prosa já está espichada demais. Melhor ouvir Noel Guarany.
Clique para ler mais sobre o payador dos Pampas.
Destino de Peão
Noel Guarany
Hoje é domingo e encilhei meu estradeiro
Já botei água-de-cheiro, não me falta quase nada
Saio ao tranquito no meu trajinho sem luxo
Pois assim faz um gaúcho que vai ver sua namorada
Trabalhei o mês inteiro, encilhei muito aporreado
Consertei todo o alambrado, lá na invernada do fundo
Sentia fundo a sinfonia dos bichos
Para aumentar o cambicho, com a flor mais linda do mundo
Queria tanto dar um presente pra prenda
Ponta de gado, fazenda, e um montão de coisas mais
Dizer palavras, que sei e penso em segredo
E que só em pensar tenho medo por isso não sou capaz
Eu até tive pensando em construir um ranchinho
Nem que seja pequeninho, já vivi muito em galpão
Se ela quisesse, que coisa linda seria
A Deus agradeceria, o meu destino de peão

