Conseleite do RS aponta queda de 5,18% no preço do leite ao produtor

Depois de quatro meses de elevação, o valor de referência do leite projetado para outubro no Rio Grande do Sul é de R$ 1,5482, retração de 5,18% em relação ao consolidado de setembro (R$ 1,6327). Apesar da redução, os valores seguem em patamares acima dos praticados em anos anteriores, o que foi motivado pela alta de custos no campo e na indústria.
Os números foram apresentados em reunião do Conseleite, de forma híbrida (presencial e virtual), nesta terça-feira 27. Foi o primeiro encontro com presença física desde o início da pandemia do coronavírus. Coordenada pelo presidente do Conseleite, Rodrigo Rizzo, a reunião, na sede da Farsul, em Porto Alegre (RS), seguiu as mais rígidas normas da prevenção.
O temor do setor é com o impacto dessa retração de preços frente à elevação de custos de insumos. Além dos grãos, há diversos outros itens com valores sendo reajustados rotineiramente, como embalagens, ingredientes e medicamentos.

Também há preocupação, alertou Rizzo, com a falta de itens essenciais para manter a produção, já que produtores relatam dificuldade para aquisição de produtos básicos como o milho, por exemplo. “Ainda estamos sofrendo os efeitos da seca do último verão e isso se agrava com o alerta de La Niña.”
O vice-presidente do Conseleite, Alexandre Guerra, ponderou que a redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300 já traz impacto no mercado, além do aumento das importações de lácteos. Segundo ele, as aquisições de leite importado passaram de um patamar de 10 mil toneladas/mês, antes da pandemia, para mais de 23 mil toneladas em setembro.
“Estivemos em reunião com o Ministério da Agricultura e pedimos que o tema seja monitorado, porque as importações estão vindo com mais força”, assinalou. Guerra sinalizou que a alta do preço no mercado interno tornou os importados mais competitivos, mesmo com a valorização cambial. Com maior escala por propriedade, Argentina e Uruguai, por exemplo, vêm conseguindo reduzir custos.
O professor da UPF Marco Antonio Montoya informou que há uma correlação direta entre o comportamento dos preços no Rio Grande do Sul e o verificado em outros estados, como Santa Catarina e Paraná, que também sinalizam retração para outubro.


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