Mapa busca mais recursos para crédito de investimento, diz Tereza Cristina

Foto: Guilherme Martimon/Mapa

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está buscando mais recursos para as linhas de crédito de investimento do Plano Safra 2020/21, que se esgotaram, disse nesta quarta-feira 9 a ministra Tereza Cristina.

“Estamos conversando, o momento é fiscal complicado, o Congresso ainda não aprovou a LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias]. Estamos vendo o que é possível fazer neste ano ou no ano que vem”, afirmou ela, sobre a possibilidade de conseguir mais recursos, informa a Reuters.

“Isso é um bom problema [o esgotamento dos recursos para investimentos], porque demonstra que o setor quer investir. Demonstra a confiança de que o setor vai continuar com exportações grandes, abastecimento aquecido, com o agro trabalhando e sendo remunerado.”

As afirmações foram feitas em entrevista durante evento promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Soja e a Corteva Agriscience, transmitido pelo Canal Rural.

Preços dos alimentos

Perguntada sobre iniciativas para aliviar preços de alimentos, como medidas tributárias, ela disse que o Brasil estuda eventualmente isenções de taxas para importações de outros produtos, além de soja, milho e arroz, mas não detalhou.

“Estamos estudando sim outros produtos, mas não quer dizer que teremos que fazer, não existe nada mostrando que teremos de importar mais nada”, declarou ela, pontuando que o Brasil, grande exportador agrícola, precisa se acostumar com importações de alimentos em um mercado dinâmico. “Se tivesse uma seca maior, acredito que não teremos esse problema, temos essa ferramenta.”

Ela citou a chegada de um navio de soja dos EUA ao porto de Paranaguá e acrescentou que outros com milho estão começando a chegar, sem especificar a origem do cereal.

A ministra assinalou ainda que o país tem importado grãos por meio do modal rodoviário, a partir de países do Mercosul, como o Paraguai.

Acordo Mercosul-UE

Tereza Cristina enfatizou ainda acreditar na assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul em 2021. “Acredito, sou uma otimista, que o Brasil tem muito a dar. Mas este acordo também é muito bom para os países europeus. Acredito que temos grande chance de assinar [o acordo] em 2021, sob o comando de Portugal no Parlamento da União Europeia.”

Ela lembrou que o acordo preliminar já foi todo revisado, traduzido para as diversas línguas e deve, no próximo ano, ser debatido nos parlamentos europeus e dos países do Mercosul.

O acordo comercial UE-Mercosul, contudo, enfrenta algumas dificuldades na Europa.

A França e a Irlanda ameaçaram votar contra o acordo comercial a não ser que o Brasil adote uma postura mais favorável a questões ambientais.

Em setembro, o governo francês disse que um novo relatório sobre desmatamento confirmou sua oposição à atual versão do acordo UE-Mercosul.

A ministra adiantou também que em 2021 o Brasil deverá avançar em acordo comercial com Canadá e continuará trabalhando em abertura de mercados.

*Com informações da Reuters

 

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