RS enfrenta escassez de milho e soja para alimentação animal

Foto: Divulgação/Aprosoja Brasil

O setor de proteína animal gaúcho vive um momento crítico no abastecimento de milho e soja para alimentação dos plantéis e rebanhos, em consequência da atual cotação e da oferta enxuta desses grãos. O alerta foi feito, nesta terça-feira 2, pela Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul, formada, entre outras entidades, pela Asgav e Sipargs. Em nota, ela pede apoio dos governos federal e estadual para superar as dificuldades e reapresenta pleitos encaminhadas recentemente ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“O setor já havia passado por crises e supervalorização deste mercado, mas nada se compara com a atual situação que vem provocando angústia, desespero e interrupção em atividades de estabelecimentos produtores de aves, ovos e outros”, diz a nota, na qual a Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul manifesta preocupação com a situação do mercado e abastecimento de grãos (milho e soja) para a cadeia avícola gaúcha.

“Historicamente, o estado já é deficitário na produção de milho para atender as demandas dos setores de proteína animal e outros, situação que obriga estes potenciais consumidores buscarem o grão em outras unidades da Federação e até mesmo em outros países. Não obstante, a pandemia trouxe entraves e gerou um distúrbio na economia e mercado de grãos e por consequência potencializou altas fora da normalidade no mercado de milho e soja, gerando impactos desastrosos nas mais variadas atividades produtivas”, ressalta a nota.

No documento, a organização faz quatro reivindicações:  criação de um cadastro antecipado das contratações de exportação de milho e soja; suspensão temporária da cobrança de PIS/COFINS sobre importação de milho e soja; linhas de crédito para armazenagem/financiamento de armazenamento; e fim dos entraves para importação de variedades de milho e regulamentações determinadas pela CTNBio, grãos estritamente para ração animal.

Leia, abaixo, a integra da nota da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul:

“A Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul, suas entidades membros, Asgav, Sipargs e associados expressam e reiteram, por meio desta nota, profunda preocupação com a situação do mercado e abastecimento de grãos (milho e soja) no Estado do Rio Grande do Sul. Historicamente, o estado já é deficitário na produção de milho para atender as demandas dos setores de proteína animal e outros, situação que obriga estes potenciais consumidores buscarem o grão em outras unidades da federação e até mesmo em outros países. Não obstante, a pandemia trouxe entraves e gerou um distúrbio na economia e mercado de grãos e por consequência potencializou altas fora da normalidade no mercado de milho e soja, gerando impactos desastrosos nas mais variadas atividades produtivas. O setor já havia passado por crises e supervalorização deste mercado, mas nada se compara com a atual situação que vem provocando angústia, desespero e interrupção em atividades de estabelecimentos produtores de aves, ovos e outros.

O momento é crítico e necessita de uma atenção especial por parte dos governos Estadual e Federal e também dos próprios produtores em relação aos níveis de produção. Temos uma produção de grãos no Brasil que pode atender muito bem a demanda interna e externa, mas é preciso atenção. Recentemente, recebemos informações sobre a Ucrânia, que visando equilibrar a situação do suprimento interno do milho, adotou algumas medidas para garantir abastecimento e evitar um salto nos preços internos, mas não precisou proibir totalmente as exportações de grão. Outro fator que merece destaque e também divulgado recentemente é sobre países como Arábia Saudita e outros que buscam a autossuficiência na produção de aves e outras proteínas, tendo sustentação no milho importado. Isso merece atenção e reflexão de nossos governantes. Abastece e fortalece um lado e desestrutura ou acaba com o outro!

Os setores de aves, ovos e suínos recentemente, por meio de sua entidade nacional, e também buscando apoio de seus parlamentares ligados ao agro, reencaminharam pleito à ministra da Agricultura solicitando medidas de contingência da atual crise para evitar danos piores e irreparáveis nas atividades de produção de aves, ovos e outras que dependem do milho. O pleito já havia sido encaminhado no início de dezembro do ano passado e como não obteve resposta foi reapresentando agora em 22 de janeiro do corrente destacando e reiterando as medidas emergenciais e temporárias necessárias para amenizar a situação, tais como:

– Criação de um cadastro antecipado das contratações de exportação de milho e soja;

– Suspensão Temporária da Cobrança de PIS/COFINS sobre importação de Milho e Soja;

– Linhas de Crédito para Armazenagem/Financiamento de Armazenamento;

– Fim dos entraves para importação de variedades de milho e regulamentações determinadas pela CTNBio, grãos estritamente para ração animal.

Ante a este cenário, entendemos que estas medidas de contingenciamento e temporárias podem amenizar a atual crise, e evitarem em um futuro próximo a redução drástica de empregos e atividades rurais, férias coletivas e até mesmo a redução significativa na produção de alimentos.

Apelamos para que o governo se sensibilize com este pedido, pois tais medidas não irão decretar danos ao plano econômico do governo e tão pouco aos produtores de milho e soja.

Atenciosamente,

Conselho Diretivo – Presidência Executiva

Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul”

 

AGROemDIA

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