Pela 1ª vez, uma mulher presidirá a associação de criadores de búfalos do RS

Produtora e veterinária Desireé Möller quer fortalecer a união entre os criadores de búfalos  – Foto: Divulgação

Fundada há 43 anos, em setembro de 1978 -, a Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu) será presidida, pela primeira vez, por uma mulher. Trata-se da produtora e médica veterinária Desireé Hastenpflug Möller, 33 anos, casada e mãe de duas meninas.

Ela será aclamada para mandato de dois anos, sucedendo a Régis Gonçalves, em assembleia da entidade, no dia 9 de setembro, durante a Expointer. A associação foi fundada por um dos principais nomes da história da agropecuária gaúcha, o ex-secretário da Agricultura Getúlio Marcantonio, e teve como primeiro presidente outra importante figura do setor, Fernando Kroeff.

Desireé, que desenvolve sua atividade numa área de 150 hectares em Itapuã, em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre, chegou ao búfalo a partir de um encontro casual, na Expointer de 2017, com o proprietário da Fazenda Panorama, Delfino Beck Barbosa, referência da bubalinocultura no Estado. “Havia ido a Esteio para me informar mais sobre o Hereford e acabei caindo no estande dos búfalos. Em algumas horas de conversa com o senhor Delfino, senti que havia decidido o meu futuro”, conta.

Admirada pelo dinamismo e capacidade de execução de projetos, a nova dirigente quer fortalecer a união entre os criadores, atrair novos pecuaristas à atividade e difundir a carne e o leite bubalino entre os consumidores, além de outras metas.

Docilidade, rusticidade e lucro

Formada pela Ulbra em 2010 e com especialização em clínica e cirurgia de equinos e clínica e cirurgia de pequenos animais, a veterinária considera o búfalo “espetacular, dócil (apesar da falsa imagem em contrário) e de fácil trato. Eu manejo o rebanho sozinha. Os animais me conhecem, nos respeitamos e tudo vai bem”, relata.

A rusticidade do bubalino é característica que faz questão de destacar. “Em quase quatro anos, não tive nenhuma enfermidade no rebanho”. O apelido que deu ao macho, que convive com 48 fêmeas na sua propriedade, é revelador de vitalidade: Panzer – como o famoso tanque de guerra alemão.

Desireé, que antes havia criado bovino, está empolgada com a lucratividade proporcionada pelo búfalo. “Estou indo para o quarto ano de criação, com dois anos de parições: em setembro de 2020, vendi 38 terneiros desmamados e em junho de 2021 vendi 29 terneiros desmamados; em 2022, o investimento do rebanho já estará pago. São animais de alta taxa de natalidade, baixa mortalidade e alta rentabilidade. Só pode dar certo”.

De acordo com ela, “criação em pequena escala de bovinos não rende, mas de búfalos rende sim. Acredito muito no potencial dos produtos que o animal nos oferece: carne e leite. Ambos são extremamente saudáveis e deliciosos, mas ainda pouco conhecidos e pouco divulgados no mercado, principalmente a carne”.

Por isso, durante a gestão na Ascribu, incentivará a busca de um padrão animal competitivo na bubalinocultura. No caso da carne, explica Desireé, é preciso estabelecer ligação entre o produtor e o frigorífico e entre o frigorífico e o mercado. “Pagam pouco pela carne, alegando que não há custos na criação, e vendem como carne comum no açougue”, lamenta. “Podemos lutar por uma certificação, mas para isso é preciso união dos produtores”.

No caso do leite, o de búfala é comprovadamente do tipo A2A2, isto é, não contém a proteína beta-caseína 1, cuja presença no produto pode causar desconforto intestinal semelhante ao da intolerância à lactose a algumas pessoas. O leite A2A2 movimenta um negócio em forte crescimento no mundo e que deve alcançar a casa dos US$ 20 bilhões até 2025.

 

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