Perda do poder de compra da população afeta mercado de carne bovina, diz Cepea

Foto: Olívia Carvalho/Gov. GO

A perda de poder de aquisitivo da população afeta mercado de carne bovina. “O consumidor tem resistido em pagar preços mais altos pela carne bovina”, pontua a análise conjuntural do Centro de Estudos Avançados m Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, sobre o mercado da pecuária de corte, divulgada nesta sexta-feira (3).

Leia, abaixo, a íntegra da análise conjuntural do Cepea:

“Com o poder de compra da maior parte da população brasileira fragilizado, o consumidor tem resistido em pagar preços mais altos pela carne bovina. Em agosto, a carcaça casada do boi, negociada no mercado atacadista da Grande São Paulo, chegou a operar abaixo dos R$ 20,00/kg, o que não era verificado desde o início de junho deste ano.

Além do menor poder de compra da população, a carne bovina, mesmo diante do recente enfraquecimento no preço, ainda foi negociada a patamares elevados em agosto. Assim, agentes atacadistas consultados pelo Cepea indicaram que o varejo vem adquirindo novos volumes de carne bovina apenas para repor estoques, mas os negócios envolvem pequenas quantidades. Parte dos varejistas chega a indicar eventuais “sobras” de carne.

Em agosto, a carcaça casada do boi – negociada no mercado atacadista da Grande São Paulo – teve média de R$ 20,04/kg, à vista, sendo 0,9% inferior à de julho, mas 0,89% acima da de agosto do ano passado, em termos reais (os valores médios mensais foram deflacionados pelo IGP-DI de julho/21). Trata-se, também, da menor média mensal desde agosto/20, quando foi de R$ 19,86/kg.

E esse cenário é verificado mesmo com a baixa oferta de boi gordo para abate e com as exportações bastante aquecidas, o que, vale lembrar, acaba enxugando a oferta da proteína no mercado doméstico.

Substitutas

Com a carne bovina ainda negociada em alto patamar, as principais proteínas substitutas, as de frango e suína, estão mais atrativas ao consumidor. Em agosto, com o valor de um quilo de carcaça casada bovina foi possível comprar 2,5 quilos de carne de frango (resfriada, no atacado da Grande São Paulo) ou 2 quilos de proteína suína (carcaça especial, também na Grande São Paulo).

Boi gordo

Assim como verificado para a carne, os preços do boi gordo também se enfraqueceram ao longo de agosto. Neste caso, a pressão sobre os valores da arroba pode estar vindo justamente da demanda do mercado doméstico, que mostra dificuldades em aceitar os atuais preços da matéria-prima.

Em agosto, o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 teve média de R$ 315,13 (à vista, mercado paulista), queda de 1,1% em relação à de julho, mas 7,41% acima da registrada em agosto do ano passado. A média atual é a menor, em termos reais, desde dezembro de 2020, quando esteve em R$ 308,51.

Reposição

Depois de atingir preço recorde em abril deste ano, quando esteve acima de R$ 3.200,00, o bezerro (nelore, de 8 a 12 meses, comercializado em Mato Grosso do Sul) teve média de R$ 2.851,71 em agosto, 4,1% abaixo da de julho/21 e a menor desde outubro de 2020, também em termos reais.

Exportações

Agosto foi marcado por recordes atingidos pela exportação. Segundo dados da Secex, foram embarcadas 181,6 mil toneladas de carne bovina in natura, 9,2% acima do mês anterior, 11,2% a mais que em agosto do ano passado e um recorde.

Como o preço pago pela tonelada em dólar também foi recorde (US$ 5.679,70), as receitas em moedas norte-americana e nacional foram igualmente as máximas da série histórica da Secex, somando respectivos US$ 1,031 bilhão e R$ 5,45 bilhões – ressalta-se que essa é a primeira vez que o montante em dólar fica acima de US$ 1 bilhão e também a primeira vez que a receita em moeda nacional supera os R$ 5 bilhões.”

AGROemDIA

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