Pecuarista não se anima com leilão de milho lançado pela Conab

Orivaldo Mello, pecuaristas em Mato Grosso do Sul – Foto: Divulgação

Alguns pecuaristas não ficaram tão animados com a iniciativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) de lançar um novo tipo de leilão para apoiar o fornecimento de milho. Nessa terça-feira (14), a estatal anunciou que passará a oferecer a possibilidade de abastecimento do setor, via sistema de comercialização eletrônica, no “Leilão pra Você”, pela modalidade de contrato a termo. Entre eles, há quem entenda que o melhor seria se a Conab tivesse estoques regulares, o que poderia dar mais segurança à atividade.

“Acho válido [o leilão de milho para a pecuária na modalidade de contrato a termo], é uma tentativa de controlar estoques, fixar custos. Pode até ser uma ferramenta interessante, mas a Conab não está desenvolvendo o trabalho que deveria fazer. Ela deveria ter feito estoques reguladores, mas não faz e, com isso, não desempenha a sua função. Nem sei para quê a Conab existe”, disse ao AGROemDIA, nesta quarta-feira (15), o pecuarista Orivaldo Mello, de Mato Grosso do Sul.

Para ele, o principal responsável por essa situação é o Ministério da Agricultura. “O erro maior é do Ministério da Agricultura. A ministra Tereza Cristina é uma boa política, uma boa pessoa, mas não é gestora. E o ministério precisa de alguém que saiba geri-lo de acordo com a necessidade do país. O Brasil tem dimensões continentais, é desenvolvido e precisa de pessoas que tenham capacidade para tocar o ministério.”

Orivaldo Mello afirmou ainda que o Ministério da Agricultura não enfrenta outras situações que prejudicam os pecuaristas e os demais produtores rurais. Na sua opinião, o ministério teria que agir em relação “aos cartéis de carnes, de adubos, formados por empresas que importam esses produtores e matam a gente nos preços, e às tradings, que concentram os grãos e fazem o que querem com a gente.”

Sanidade animal

O pecuarista de MS também criticou a atuação do ministério na área de sanidade animal. “A parte sanitária é um absurdo. O ministério não consegue fazer nada. Na parte de controle e erradicação de brucelose e tuberculose é uma vergonha. Não fazem nada. O programa tem mais de 30 anos e não consegue controlar, muito menos erradicar, a brucelose e a tuberculose.”

Na opinião de Orivaldo Mello, os recentes casos de vaca louca são exemplos dessa situação. “Aqui no Brasil não existe vaca louca. E o exame que fazem é muito moroso. Isso aí são carteis que querem baixar [o preço] da carne. Tanto que a arroba do boi baixou cerca de R$ 20. Aqui no MS, a arroba do boi chegou a R$ 315, agora está a R$ 295 e da vaca, a R$ 280 à vista. Então, é muito prejuízo para nós. Como é que vamos adubar a propriedade e tratar de animais com esse preço da arroba? A arroba subiu, mas não consegue acompanhar a alta de adubos, de sal mineral e dos grãos. Na pecuária a margem é pequena. Se trabalhar mal, quebra.”

Clique aqui para ler mais sobre a nova modalidade de leilão anunciada pela Conab 

AGROemDIA

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