Gadolando: Prejuízo do setor leiteiro deve ser dividido entre todos os elos

Marcos Tang, presidente da Gadolando – Foto: JM Alvarenga/Divulgação

“Precisamos dividir o prejuízo entre todos na cadeia produtiva do leite. O produtor não pode ser extinto por esta avalanche negativa no setor”, diz o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, ao manifestar preocupação com a redução do preço do leite pago aos pecuaristas pela indústria láctea. Ele também defende uma atuação mais proativa dos laticínios para elevar as exportações de leite e derivados.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (29), a Gadolando pontua que o setor enfrenta dificuldades devido às diferentes conjecturas dos últimos anos. As adversidades, assinala Tang, tem como fatores as estiagens repetitivas, a pandemia, a disparada do dólar, a inflação, o preço dos insumos e a alta dos fertilizantes, inclusive com possibilidade de falta desses produtos. Segundo ele, estas questões fazem com que os produtores tomem medidas que são insustentáveis em médio e longo prazos.

De acordo com Tang, para se manter na atividade, o produtor teve que investir e se aperfeiçoar, além de escalonar, ao máximo, a sua produção, conforme as suas condições. “Porém, agora, esse produtor que investiu e foi considerado eficiente não tem mais margem para suportar o desbalanço entre custo de produção e remuneração. As medidas adotadas são insustentáveis com a atividade em médio e longo prazos, pois consistem em vender animais e parte da propriedade.” No momento atual, acrescenta, o produtor ainda precisa optar entre comprar fertilizante para a lavoura ou usar o dinheiro para aquisição de alimento já pronto para o gado.

Inserção no mercado global

O dirigente diz entender o cenário atual de dificuldade, mas observa que a atividade leiteira exige investimentos contínuos e o retorno é em médio e em longo prazos. “Criamos uma terneira hoje que só dará algum retorno, se tudo correr bem, em dois anos.”

Tang questiona ainda a falta de capacidade do Brasil para ter maior inserção no mercado global de lácteos. “Por que estamos tão mal preparados para exportar os nossos produtos lácteos, uma vez que agora o câmbio estaria favorável?”

“Do produtor foram exigidas uma série de medidas para produzir leite com qualidade e ele teve que se adaptar e investir”, sublinha Tang.

O presidente da Gadolando lembra que há mais de 10 anos repete que não adianta falar em fazer reservas para irrigação quando já está seco. “Temos que nos preparar para o futuro. Os tais novos mercados, onde estão? Parece que até teríamos esses mercados, mas poucos se habilitam.”

O presidente da Gadolando ressalta que sanidade e qualidade são fundamentais, mas pergunta se toda a cadeia evoluiu ou é o produtor que está obsoleto, ou se parte da indústria parou no tempo e só é capaz de fazer um produto para vender regionalmente.

“É o que chamo de tema de casa, o do produtor é corrigido todo o dia, quando uma amostra do leite é coletada do tanque. E aos demais, quando e quem vai cobrar a sua parte?”

 

 

 

 

 

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: