Supermercados europeus boicotam carne bovina brasileira

Foto: Valter Campanato/Ag. Brasil

Seis cadeias de supermercados europeias, incluindo Sainsbury’s no Reino Unido e Carrefour na Bélgica, vão parar de vender alguns ou todos os produtos de carne bovina do Brasil, depois que uma investigação ligou a carne exportada ao desmatamento da floresta tropical, informa o Business Green, site especializado em economia verde. Além de prejuízos econômicos, o bloqueio das redes supermercadistas da Europa tem potencial para aranhar a imagem internacional da bovinocultura brasileira.

O anúncio das cadeias de supermercados europeias ocorre pouco depois de a China ter autorizado a retomada das importações de carne bovina do Brasil. Os embarques para o país asiático foram suspensos pelo governo federal em 4 de setembro último, devido à ocorrência de dois casos atípicos da doença da “vaca louca”, um em Minas Gerais e outro em Mato Grosso. O retorno dos envios ao mercado chinês – maior comprador do produto brasileiro – animou a indústria frigorífica nacional, que agora está diante do bloqueio europeu.

Segundo a jornalista Carla Araújo, do UOL, integrantes do governo consideram a medida como protecionismo econômico europeu. “A avaliação feita por membros do governo é de que a Europa tem, aos poucos, ampliado suas restrições com um aparente viés ambiental.” O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ainda não se pronunciou sobre a decisão das redes de supermercados europeus.

Foto: AEN/Gov. PR

Leia, abaixo, a íntegra da reportagem do Business Green:

“Uma investigação publicada no início deste mês pelo grupo de campanha ambiental Mighty Earth e Repórter Brasil documentou como os varejistas europeus estavam vendendo uma gama de produtos de carne bovina brasileira ligados ao gigante frigorifico JBS proveniente de fazendas que contribuem para o desmatamento tropical.

Os produtos incluíam carne enlatada vendida na Sainsbury’s e beef jerky vendida no Carrefour e Delhaize na Bélgica e Lidl na Holanda.

Em resposta à investigação, a Sainsbury’s confirmou que retirou toda a carne enlatada brasileira de suas prateleiras. Albert Heijn, a maior rede de supermercados da Holanda, também se comprometeu a interromper a compra de carne bovina do Brasil em todas as suas lojas.

Outras redes de supermercados, incluindo Carrefour e Delhaize na Bélgica, anunciaram que retirarão o charque Jack Links de suas prateleiras. Uma das maiores marcas globais de beef jerky, a Jack Links tem uma joint venture com a JBS no Brasil para exportar produtos para Europa e EUA.

O diretor da Mighty Earth Europe, Nico Muzi, anunciou a mudança como um “momento decisivo” na luta contra o desmatamento na Amazônia que está ligado aos produtos europeus.

“Este não é um compromisso vago ou um bom anúncio que parece bom em um comunicado à imprensa”, disse ele. “Esta é uma série de ações comerciais concretas tomadas por alguns dos maiores supermercados da Europa para parar de comprar e vender carne de uma empresa e de um país que fez muitas promessas e entregou poucos resultados.”

A pesquisa da Repórter Brasil e da Mighty Earth encontrou vários exemplos de envolvimento da JBS na “lavagem de gado”, uma prática em que a carne é proveniente de gado criado e alimentado em fazendas que foram oficialmente sancionadas por desmatamento ilegal na floresta amazônica, ou vinculadas a destruição da savana lenhosa do Cerrado e do Pantanal tropical.

“A nova pesquisa mostra que a JBS continua vendendo carne bovina vinculada ao desmatamento, embora existam cerca de 650 milhões de hectares de terras na América Latina onde a produção agrícola sem desmatamento é possível”, disse Muzi. “A grande notícia é que a Europa não está comprando agora. Essas ações comerciais, bem como a nova legislação da UE para erradicar o desmatamento importado, mostram que o controle sobre os destruidores de florestas está cada vez mais forte.”

Um porta-voz da Sainsbury enfatizou que o supermercado leva a ligação entre a pecuária e a destruição dos ecossistemas “extremamente a sério”. “Tomamos uma série de medidas em conjunto com nossos fornecedores e a indústria em geral para tentar resolver isso, mas não houve progresso suficiente”, disseram eles. “Estamos, portanto, comprometidos em transferir nossa própria marca de corned beef para fora do Brasil para garantir que o produto de corned beef da Sainsbury possa ser verificado de forma independente, desmatamento e conversão livre de origem.”

Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

O boicote a produtos brasileiros vem como uma investigação separada da Unearthed , braço investigativo do Greenpeace, que revelou que fazendas de gado no estado de Queensland, na Austrália, contribuíram para uma área de desmatamento nos últimos três anos que é o dobro do tamanho de Manhattan.

A análise de satélite direcionada de propriedades de carne bovina identificou 13.500 hectares de desmatamento desde 2018 no estado produtor de carne bovina, uma área que os pesquisadores estimaram ser equivalente a 19.000 campos de futebol.

Os agricultores estão aproveitando as brechas para contornar as leis anti-desmatamento introduzidas no estado em 2018, disse Unearthed , destacando uma regra que isenta vastas extensões de floresta das restrições ao desmatamento, caso tenham sido desmatadas anteriormente.

Segundo o acordo de livre comércio pós-Brexit entre o Reino Unido e a Austrália, os consumidores britânicos podem estar comendo carne que contribui para o desmatamento, alertaram os ativistas. O acordo, assinado no verão, dá aos produtores de carne bovina da Austrália acesso livre de tarifas ao mercado do Reino Unido.”

Declaração das empresas que tiver produção boicotada

“A MinervaFoods, em nota, afirmou que lidera iniciativas no combate ao desmatamento ilegal e às mudanças climáticas. Disse que as fazendas Dona Esther e Brilhante estão cadastradas e habilitadas para a comercialização. A empresa também disse que nem todas as fazendas possuem certificação Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (SISBOV) e que a Base Nacional de Dados (BND) informa apenas dados parciais, não sendo possível ter acesso a informações geográficas das fazendas.

A JBS disse que investigou 5 fornecedores citados na reportagem da “Repórter Brasil” e que estavam de acordo com a Política de Compra Responsável da empresa e com o Protocolo de Monitoramento de Fornecedores de Gado do Ministério Público Federal no momento da compra. A JBS lembrou também que utiliza um sistema geoespacial para monitorar seus fornecedores em todos os biomas.”

*Com informações do G1, UOL e Diário do Centro do Mundo

 

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Um comentário em “Supermercados europeus boicotam carne bovina brasileira

  • 18 de dezembro de 2021 em 08:27
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    Boicotem o Carrefour aqui no Brasil e retaliem fazendo protecionismo com produtos europeus.

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