Importação de fertilizantes é recorde e chega a 41,6 milhões de toneladas

Foto: Carlos Dias/Embrapa

As importações de fertilizantes pelos produtores brasileiros atingiram nível recorde no ano passado, chegando a 41,6 milhões de toneladas entre janeiro e dezembro de 2021. É o que mostra a edição de janeiro do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Apesar de o porto de Paranaguá (PR) ainda ser a principal porta de entrada do produto, outras rotas têm conquistado maior espaço. Santos, por exemplo, teve aumento no recebimento de fertilizantes de 53%, saindo de 6,6 milhões de toneladas para 10,1 mi de t. Esse volume foi direcionado ao Mato Grosso, ao Sudeste e demais estados do Centro-Oeste.

“Em momentos de custos elevados desses insumos, o setor tende a procurar por rotas mais acessíveis e que causem menos impactos no preço final de venda dos fertilizantes aos produtores rurais”, destaca o superintendente de Logística Operacional, Thomé Guth.

Principal produtor de grãos do país, MT foi o estado que mais importou em 2021, registrando um volume de 8,0 mi de t de adubos – a maioria, por meio dos portos de Santos e Paranaguá, “o que demanda um alto custo de transporte, tendo em vista a distância acima de 2000 quilômetros”, pondera Guth.

Arco Norte

Conforme o boletim, divulgado nessa sexta-feira (28), o mesmo comportamento verificado em Santos ocorre nos portos do Arco Norte, que tiveram incremento na sua participação em volume, sobretudo visando atender a região do Matopiba  e MT.

Os volumes recebidos em Santarém (PA), Barcarena (PA), Itacoatiara (AM) e Itaqui (MA) equivalem a 29,1% do total importado para atendimento do MT, evidenciando que o produtor desse estado tem buscado alternativas visando diminuir o custo logístico desse produto de alto valor agregado.

De acordo com o superintendente da companhia, com a maior participação dos portos do Arco Norte na exportação de milho e soja, principalmente, era esperado uma maior movimentação de fertilizantes, uma vez que é comum a utilização da modalidade de frete de retorno, visando diminuição do custo logístico.

“Ou seja, movimenta-se em direção aos portos com os grãos e retorna para as regiões produtoras com os fertilizantes. Isso torna evidente a importância de se continuar com os investimentos na região do Arco Norte e nos sistemas de transportes para essas rotas, não somente visando a exportação dos grãos, mas também nas importações dos insumos, completando o atendimento logístico da cadeia produtiva como um todo, aumentando a competitividade nacional”, ressalta Guth.

Mercado de frete

O início da colheita da soja tem pressionado os preços de frete na maioria dos estados analisados pela Conab. Segundo o boletim, a alta das cotações dos serviços de transporte pode ser verificada em MT, MS e GO ainda no final do ano passado. Além disso, a elevação no preço do óleo diesel exerce influência no valor praticado no mercado.

O Paraná também registrou uma alta nos preços praticados em dezembro, mas a elevação se justifica pela menor oferta de caminhões, parados devido às festas de final de ano. A previsão é que em janeiro os preços normalizem, mas, com a entrada da nova safra, a redução não deverá ser muito grande.

Já no Distrito Federal, o mercado continua operando com baixos volumes a serem transportados. A excessiva oferta de caminhões no período, aliada à baixa disponibilidade de produtos dado a entressafra, forçou as cotações para baixo na maioria das rotas pesquisadas em dezembro de 2021, comparando com o mês anterior. No entanto, o desempenho das lavouras de grãos na região segue positivo, com a expectativa de que sejam alcançados níveis recordes de produtividade.

Leia a análise completa no documento disponível no site da Conab.

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