Surto de febre aftosa na Indonésia preocupa Austrália

O registro de casos de febre aftosa na Indonésia, no sudeste asiático, pôs em alerta as autoridades da Austrália, na Oceania, e repercute no Brasil. Isso porque o surto chegou à Ilha da Bali, região turística do país da Ásia com fortes conexões com a Austrália, que é livre da doença sem vacinação e grande exportadora de carne bovina.   

A aftosa já infectou 230 mil animais em 22 províncias da Indonésia desde que o surto foi relatado pela primeira vez, no início de maio. O país asiático começou, na metade de junho, um programa nacional de vacinação para proteger seus rebanhos.

Altamente contagiosa, a aftosa é uma grande ameaça ao setor pecuário, com impacto econômico. Por isso, a Austrália está preocupada com o surto na Indonésia.

Mapa

No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou ao AGROemDIA, por meio de email, que o Vigiagro (Vigilância Agropecuária Internacional) “segue com a fiscalização de rotina”.

Desde 2018, o Brasil é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) como livre de febre aftosa, com regiões sem vacinação e outros com imunização do rebanho. A meta do Mapa é que todo o país seja declarado como livre da doença sem vacinação até 2026.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, um dos principais produtores de gado do Brasil, a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR) também acompanha a situação na Indonésia.

De acordo com o chefe da Divisão de Saúde Animal da SEAPDR, Fernando Groff, como a vigilância é permanente, não precisa nenhuma medida diferente em razão de uma ocorrência em algum ponto do mundo:

“A gente tem que ter vigilância o tempo todo. Isso é uma responsabilidade tanto do serviço oficial como do produtor, do criador, da iniciativa privada como um todo, dos profissionais, para que notifiquem, para que fiquem alertas, qualquer suspeita deve ser notificada, para que se tenha uma intervenção eficiente e rápida.”

Ainda conforme Groff, a atenção maior precisa ser de quem viaja para a Indonésia, especialmente quem trabalha em propriedades rurais ou tem contato com setor produtivo. “As pessoas que transitam por um lugar endêmico e que tenham seu trabalho ligado à produção animal devem evitar o contato com propriedades e animais nessas regiões.” Além disso, elas devem ficar afastadas por período quando retornarem ao Brasil.

O presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS, Rogério Kerber, ressaltou que os cuidados que a Austrália vem tomando em relação à proximidade dos casos devem ser observados de forma permanente.

“Daí a importância dos cuidados que nós devemos ter aqui no Rio Grande do Sul, que agora é área livre de febre aftosa sem vacinação. Temos que preservar a produção do estado”, disse Kerber.

Ele assinalou ainda que um evento com a doença poderia comprometer não somente a pecuária, mas também outros setores da produção do estado e do país. “Por isso, nós temos que ter todo cuidado e atenção.”

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

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