Gil Reis: Breve história da evolução humana

Gil Reis*
Optei por dar apenas uma pincelada na nossa história, naturalmente sem intervenção de alguns historiadores para colori-la. Esta afirmativa me remete à época em que os radialistas, quando todos acompanhavam o rádio, descreviam os crimes mais ou menos assim: “D. Mariquinha descansava placidamente em sua alcova quando, de repente, não mais que de repente, a porta foi arrombada e adentrou ao ambiente um indivíduo com uma faca na mão, a futura vítima sequer percebeu que os seus dias de vida haviam terminado…”
Também poderia me limitar para expor a história da humanidade seguindo os passos da brilhante escritora Nora Roberts em sua obra “Origem Mortal”:
– Você criou o fogo e então pensou: “Ei, vamos ver para que serve esse troço. Beleza! … Não precisamos mais comer mastodonte cru! Quero o meu malpassado, por favor. Ah, merda, taquei fogo no Zé!” — Opa, foi mal, Zé. Agora, você precisa descobrir como tratar uma queimadura. E como enfrentar alguém que goste de tacar fogo em outros zés e, talvez, queimar a aldeia. Quando menos se espera, você evoluiu e tem hospitais, tiras, controle climático e carne de porco por encomenda.
Não tenho a pretensão fazer tal narrativa em 5 mil caracteres com espaço. O surgimento da humanidade, que se perde nas areias do tempo, já que não há unanimidade no assunto. A comunidade judaica fala em 5 mil anos, alguns cientistas 40 mil anos e outros acreditam que ultrapassa 100 mil anos. Não discutirei os detalhes da criação, se foram moldados em barro ou se surgiram fruto da evolução da fauna e da flora existentes. A verdade é que quando os primeiros de nós que se deram conta de existir se defrontaram com um habitat totalmente inóspito.
Os novos habitantes do planeta conviviam com terríveis alterações climáticas, erupções vulcânicas, terremotos e mais uma série de eventos naturais. Eram caçadores coletores em busca do fator básico para a sobrevivência, a alimentação, usando instrumentos toscos. Acredito que a nossa redenção, e o primeiro fator mais decisivo para a sobrevivência, foi conhecer o fogo. Alguns dizem que foi ‘Prometeus’ que entregou o fogo aos humanos, provavelmente em função de árvores ou arbustos incendiados pela abundância de raios da época. Na minha modesta opinião, o primeiro salto evolutivo se deu com o aprendizado da utilização do fogo, além do aquecimento dos locais onde viviam.
Milhares de anos se passaram com os seres humanos apenas preocupados em coletar alimentos, o ciclo de vida era limitado a nascer, se alimentar, se reproduzir, envelhecer (poucos envelheciam) e morrer. Logo, logo o ciclo iria ser alterado com o desenvolvimento da agricultura e pecuária, o que ocorreu há apenas 12 mil anos aproximadamente, caracterizando o primeiro grande salto evolutivo da humanidade.
Tal evento abriu espaço para o desenvolvimento do pensamento e da inteligência. Surgem então o desenvolvimento da filosofia, matemática e astronomia na Grécia e no Egito. O estudo e evolução da medicina na Pérsia, enquanto isso o macarrão, a imprensa e o carrinho de mão, entre outras invenções, surgiam na China. Tais eventos fazem parte da evolução a passos lentos.
A partir de então a evolução se deu, comparando a andadura dos equinos, em forma de trote até chegarmos ao século passado, quando a andadura foi substituída por uma cavalgada extremamente rápida. No século citado, a humanidade deu um salto evolutivo milhares de vezes superior aos dos últimos 10 mil anos. A evolução foi tão grande que fica difícil de mensurar e alguns até hoje não entenderam.
Espero que os leitores não me critiquem por encerrar aqui a narrativa. Afinal, o título do artigo é bem claro: “Breve história da evolução humana” e o subtítulo é uma advertência “A história da evolução humana no nosso planeta é fascinante e não pode ser contada em apenas um artigo”, mas, há sempre um mas, para nós que vivemos agora o último capitulo ainda está sendo escrito. O amanhã não é o hoje amanhã e sim um outro dia, estamos construindo o futuro a cada dia que vivemos. Como disse alguém com enorme sabedoria, que repito sempre para que todos entendam: “Um dia todos nós morreremos, todavia nos outros dias não.”
Como disse o último capítulo está sendo escrito agora da forma que não me agrada de maneira alguma e acredito não agrada a maioria dos meus leitores. ONGs ativistas climáticas e colaboracionistas em todo o planeta tentam impedir um novo salto evolutivo construindo uma proposta de involução civilizatória que nos levará de volta à idade média e fará a humanidade enfrentar uma nova “idade das trevas”. Temos que unir forças em todo o planeta para que não tenham sucesso.
*Consultor em Agronegócio

