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Gil Reis: O controle da pecuária

Gil Reis*

Não podemos ser ingênuos e não perceber que as exigências climáticas cada vez maiores se destinam a controlar a atividade privada pelo Estado, notadamente a pecuária e os demais setores do mundo rural. Precisamos ficar muito atentos a determinadas leis que se destinam a controlar a iniciativa privada e converter o Estado ao totalitarismo. Tais leis ambientais são mais voltadas a consolidar o poder do Estado que destinadas a nos proteger contra as ditas ‘mudanças climáticas’. Enquanto a iniciativa privada fechar os olhos e aceitar tais regras em nome do lucro, o Estado vai, aos poucos, se assenhoreando dos seus negócios e o passo final é o controle da gestão e dos lucros.

Leiamos o que vem ocorrendo no mundo. O site American Thinker publicou, em 8 de agosto deste ano, artigo de Andrea Widburg sob o título “Preste atenção ao que está acontecendo com os pecuaristas holandeses”. Transcrevo a seguir alguns trechos:

“A beleza da mudança climática, se você é um totalitário aspirante, é que, porque o carbono é um dos blocos de construção da vida, se você controla o carbono, você controla tudo. Para entender como isso funciona, é preciso prestar atenção ao que está acontecendo na Holanda, onde o governo planeja apreender 20% das fazendas de gado, tudo em nome das mudanças climáticas.

A Holanda já foi um bastião da liberdade em um continente que estava sujeito ao controle monárquico total e dividido por guerras religiosas. Não era liberdade como passamos a entender na América, mas, depois que se livraram do controle espanhol, os holandeses permitiram outras religiões, além do calvinismo dentro de suas fronteiras. Houve uma razão pela qual os peregrinos puritanos fugiram para lá primeiro, embora eles eventualmente quisessem a liberdade completa que o Novo Mundo lhes oferecia para praticar seu protestantismo particular. Aquela pequena nação robusta, autossuficiente, independente e meio livre se foi.

Agora, os criadores de gado estão em guerra porque finalmente perceberam que seu governo está prestes a tomar suas terras, tudo em busca da ‘redução do nitrogênio’. Ouvimos falar dos protestos, mas Peter da Suécia é a primeira pessoa que vejo que divide os números e explica o que realmente está acontecendo (e é mais sobre poder do que ‘mudança climática’):

De acordo com cálculos feitos pelo Ministério das Finanças, 11.200 pecuaristas serão forçados a fechar pelo governo para reduzir as emissões de nitrogênio, a fim de atender às regras ambientais europeias. Outros 17.600 agricultores precisariam reduzir a quantidade de animais que mantêm para cumprir essas metas climáticas. E isso é ruim. Porque existem cerca de 54.000 fazendas na Holanda, o que significa que cerca de 1/5 de todas as fazendas serão forçadas a fechar e quase 1/3 das fazendas forçadas a reduzir e reduzir o gado.

Obviamente, a medida do governo restringirá severamente os suprimentos de alimentos, que já devem diminuir devido à escassez de fertilizantes resultante da guerra na Ucrânia. Estou assumindo que aqueles que reclamam ouvirão que precisam aprender a comer gafanhotos. A ironia é que os gafanhotos também precisam comer – e o que eles comem é a vegetação mais bem alimentada por CO2 e fertilizantes.

Além de definir os números específicos, que são assustadores, Pedro da Suécia aplica o rótulo correto ao que estamos testemunhando na Holanda (que também é o que o Canadá e a Irlanda planejam fazer): O Estado está planejando forçar os agricultores a vender suas fazendas para o Estado (comprando-as). Apropriação sancionada pelo Estado de fazendas e terras. Se você controla as emissões de carbono (quem pode produzi-las e quem não pode), você controla tudo. E não acredite que isso não pode acontecer aqui na América. Tudo o que aconteceu nos últimos dois anos se enquadra na categoria de ‘eu nunca teria acreditado que poderia acontecer aqui’. Como apenas um exemplo, algum governo passado teria sido insano o suficiente para imprimir mais dinheiro e aumentar os impostos sobre a classe média no meio de uma recessão?

Eu sei que muitas pessoas estão tão revoltadas com o que está acontecendo que nem querem mais votar. Por que se importar? – eles perguntaram. A correção já está feita. Bem, sim, há um monte de conserto acontecendo. Mas ainda somos a voz do povo, e nossa primeira parada deve ser nas urnas. Se conseguirmos reunir a vontade política para fazer todos os políticos de DC acreditarem que seu assento não é seguro, talvez essas pessoas voltem sua atenção para nós, e não para Klaus Schwab e Bill Gates”.

Em seu artigo, Andrea Widburg consegue delinear o futuro da iniciativa privada e do Estado no dito ‘mundo livre’. Na minha opinião, ela praticou futurologia com as informações do que já está acontecendo em alguns países e aplicou-as para pintar um cenário realista do que nos aguarda. A vida está tão célere que as pessoas têm pouco tempo para raciocinar e pensar no futuro. A maioria acha que o importante é o aqui e agora e sequer busca o conhecimento ‘fora da caixa’, imaginando que já sabe tudo. “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão do conhecimento” – Stephen Hawking

*Consultor em Agronegócio

 

AGROemDIA

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