Produção de grãos e pluma de MT deve alcançar 148,22 milhões de t em 10 anos

Mato Grosso deve produzir 148,22 milhões de toneladas de grãos e plumas nos próximos 10 anos, além de 2,96 milhões de toneladas de carne (bovina, suína e aves), projeta o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Isso representa um aumento de 850,61 milhões de toneladas produzidas em relação às projeções para o ano de 2022.
Os números foram apresentados, nessa quarta-feira (14), durante o Outlook 2032. Nesta edição, o Outlook abordou, principalmente, os agentes de mercado – produtores rurais, agroindústrias e estado – referente às principais culturas agropecuárias desenvolvidas em Mato Grosso. Outro destaque foi a composição do Funding da soja no estado.
A live foi conduzida pelas coordenadoras Vanessa Gasch (Desenvolvimento Regional) e Monique Kempa (Inteligência de Mercado) e teve a participação do presidente do Sistema Famato, Normando Corral.
O Outlook 2032 demonstrou projeções de área e produção para as culturas da soja, milho e algodão no comparativo da safra 31/32 a 21/22.
A estimativa de aumento de área para os próximos 10 anos é de 43,80% (soja), 62,43% (milho) e 69,73% (algodão). Em relação à produção, o crescimento previsto é de 55,70% para a soja, 84,18% para o milho e 113,39% para o algodão.
Segundo a coordenadora Vanessa Gasch, o incremento de área e da produção projetado para a agricultura serão feitos em áreas de pastagem, conforme nível de aptidão. Por isso, não é considerado pelo Imea como abertura de área (desmatamento).
Na pecuária, as projeções de abate e produção de bovinos para os próximos 10 anos também são maiores. A estimativa é de aumento de 25,32% dos abates e 36,43% na produção de carne bovina no estado. No caso dos suínos haverá aumento de 19,23% no abate e 25,37% na produção de carne. Para as aves a estimativa é de acréscimo de 53,89% nos abates e 63,05% para a produção de carne.
No cenário macroeconômico, o Imea destacou a pandemia de covid-19 e os seus impactos na produção industrial e retração da demanda. Além da crise sanitária, houve a guerra entre Rússia e Ucrânia. Esses dois fatores se refletiram na inflação e no fornecimento de produtos. A alta nos custos de produção também foi um agravante para o produtor rural, mas, ainda assim, o Brasil teve crescimento na agropecuária.
Resultados do Funding da Soja
O estudo mostrou a participação de cada agente do mercado no custeio agrícola da soja na safra 22/23. Houve aumento da utilização de recursos próprios dos produtores, que saltou 10 pontos percentuais, passando de 23% na safra 21/22 para 33% no ciclo 22/23. O Imea não registrava a participação dos produtores nesta proporção desde a safra 16/17.
Além disso, houve uma diminuição dos recursos dos bancos, tanto no sistema financeiro público, que opera com verbas federais, quanto no de recursos livres. A redução foi de cinco pontos percentuais para recursos federais e oito pontos percentuais para o sistema financeiro livre. Conforme o Imea, nunca houve uma participação tão baixa dos bancos com recursos federais.
O levantamento foi feito junto aos bancos que operaram com recursos federais e livres, tradings, multinacionais de fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas, revendas de insumos e sementeiras. Já os recursos próprios foram medidos pela diferença dos demais agentes pelo valor total do custeio no estado.
Resultados da Safra 22/23
O destaque vai para o incremento de área no estado para a soja de 2,9% e para o milho de 3,8%.
Na produtividade, a estimativa é menor que a safra passada devido às questões climáticas, como a falta de chuva em algumas regiões do estado. No entanto, em função do aumento da área para soja e milho haverá um acréscimo na produção, sendo 1,4% para a soja e 5,9% para o milho. Também é esperado um aumento de 12,2% para o algodão, puxado pelo aumento de produtividade.
Custos de produção para a safra 22/23
Houve acréscimo principalmente nos custos com fertilizantes, 111,8% (soja), 58,9% milho e 57,9% (algodão). Os custos com sementes para as safras de soja, milho e algodão tiveram incremento de 68,2%, 21,4% e 37,6% respectivamente. Os defensivos tiveram alta de 27,4% para a safra de soja, 29,8% para o milho e 27,1% para a safra de algodão.
Também foram apresentados os cenários de preços da safra 22/23, cenário de juros reais, perspectivas para a safra 2023/24, evolução da comercialização das principais culturas, resultados da pecuária, rentabilidade e entre outros.

