Fantasmas dos natais passados

Gil Reis*
Feliz Natal a todos. Diferentemente de alguns, sempre sou assombrado por lembranças felizes, os fantasmas do meu passado. Afinal, a felicidade é um conceito e cada um tem o seu modelo. Sem querer ser irônico ou desmerecer alguém ou alguéns, é como democracia no Brasil de hoje – cada tem o seu modelo totalmente desvinculado do seu verdadeiro conceito de democracia. Mas voltemos ao tema deste artigo, que aborda um momento em que todos os cristãos deveriam buscar a felicidade, a paz e o amor ao próximo. Ah! Parece que alguns esqueceram das atitudes e sentimentos inerentes ao Natal.
Naturalmente, não posso falar de Natal sem lembrar o período do “Advento” (do latim adventos, “chegada”, do verbo advenire, ou seja, “chegar a”):
“O tempo do Advento é para toda a Igreja momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado. O Advento começa exatamente quatro domingos antes do Natal e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus.”
Esse tempo possui duas características: nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de dezembro, visam em especial a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa. Uma das expressões desta alegria é o canto das chamadas ‘Antífonas do Ó’. O início do advento é conhecido tradicionalmente como o dia ‘certo’ para montar a árvore de Natal’, informa a enciclopédia on-line Wikipédia
Minha memória não é tão boa que possa lembrar todos os natais que antecederam os meus 7 anos. O me ficou foram os risos, a alegria e o amor. O primeiro Natal que marcou indelevelmente a minha história de vida ocorreu justamente aos 7 anos, quando ganhei a minha primeira bicicleta – uma Raleigh importada da Inglaterra –, adquirida com muito sacrifício por meus pais. As lágrimas foram abundantes, as minhas pelo presente e as de meus pais ao perceberem a felicidade de seu rebento. Consegui ler em seus olhos a frase: “Valeu a pena o sacrifício”.
Os meus natais talvez sejam mais felizes que os de alguns pelo simples motivo que nesta data, 25 de dezembro, também festejo o meu aniversário de nascimento. Os meus fantasmas dos natais passados me trazem de volta a alegria, a paz, o amor e a felicidade daqueles dias. As minhas recordações são preenchidas por muitos rostos de familiares e amigos – a maioria já deixou a vida, mas teve o mérito de marcar a minha vida e sempre permanecerão vivos enquanto eu tiver vida.
Alguns dirão que, pelo fato de a maioria que participou dos meus natais já não viver mais, a data deveria ser de tristeza. Ledo engano. Fico muito feliz por terem compartilhado comigo algo que considero muito importante: um pouco das suas vidas. Hoje, olhando para trás, fico muito grato porque pessoas abandonavam brevemente um pouco dos festejos de suas famílias para virem compartilhar comigo um pouco de suas felicidades, para contribuir com a minha naqueles momentos que sempre me foram caros. Por isso, serei eternamente grato enquanto viver.
Considero o Natal como uma data que transcende a própria religião que lhe deu origem. É aquele momento que todos os seres humanos deveriam escolher para esquecer a dura realidade que o Brasil e o mundo enfrentam. No Natal, as pessoas deveriam proibir a realidade do dia a dia de ultrapassar o batente das portas de seus lares. Isto é, aqueles que têm lares. Os que não têm lar procurem criar uma espécie de ‘bolha’, onde a realidade do que enfrentam seja, naqueles poucos momentos, impedida de entrar. Sei que falar é fácil e fazer é extremamente difícil. Todavia, na época natalina sonhar é permitido. O que seria dos seres humanos se não pudessem sonhar com uma realidade e um futuro melhor.
Gratidão às entidades de produtores rurais e de agroindústrias que trabalharam ombro a ombro com a Abrafrigo para o êxito de tão importante conquista” – Paulo Mustefaga, presidente da Abrafrigo
O Natal, assim como os dias das Mães e dos Pais e Ano Novo, além de outras outras datas, são importantes para consolidar o convívio familiar, a família e até mesmo as amizades. É preciso que nessas datas esqueçamos o mundo conturbado que vivemos hoje e as duras realidades que enfrentamos. Todos nós, independentemente de raça, sexo, cor. religião e situação econômica/financeira, precisamos de momentos de paz e tranquilidade.
É flagrante o desconhecimento proposital e o desrespeito total ao que está escrito na Bíblia sobre a criação do homem e que o Criador tornou tudo o que existe sobre a terra para fruição da humanidade sem impor qualquer tipo de restrição. A sagrada escritura tratou explicitamente do mundo rural e sua importância. Leiamos o que foi transmitido:
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi. E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o sexto dia.” – Gênesis 1:26-31
Neste Natal festejemos o agro e o desejo do Criador, que nos enviou seu filho para nos ensinar a valorizar a produção rural e a vida que nos foi concedida, sob pena de não podermos nos identificar como cristãos. Infelizmente, não posso transferir a minha felicidade para o leitor, nem ensinar como se deve festejar o Natal. Apenas compartilho os meus sentimentos e os meus fantasmas dos natais passados.
Entre os ‘fantasmas dos Natais passados’, que nos assombraram desagradavelmente, estão os natais que vivemos desde 2017, quando o STF declarou o Funrural constitucional, desdizendo as decisões de 2010 e 2011, tornando a maior parte das cadeias da agropecuária devedoras e caloteiras.
Este é um fantasma que deixará de nos assombrar nos próximos natais. Isto porque o Supremo finalmente concluiu o julgamento, na última sexta-feira (16), da ação ajuizada pela Abrafrigo contra a cobrança do Funrural. Em sua decisão, tomada depois de 12 anos de tramitação da ação, o STF confirmou a inconstitucionalidade da sub-rogação, como alegou a Abrafrigo.
Alguns perguntam: O que é a sub-rogação? É simples, caro leitor: trata-se de mais uma terceirização do governo de suas obrigações, transferindo para a área frigorífica a cobrança do Funrural dos seus parceiros: os produtores. Um verdadeiro absurdo que deixará de atormentar a vida do agro.
Aliás, a ação interposta pela Abrafrigo teve o apoio de outras representações do agro, o que robusteceu o mérito da causa. Isso foi reconhecido publicamente pelo presidente da Abrafrigo, Paulo Mustefaga, ao agradecer o apoio de outras entidades do setor:
“Gratidão às entidades de produtores rurais e de agroindústrias que trabalharam ombro a ombro com a Abrafrigo para o êxito de tão importante conquista, que beneficia a todos segmentos da agropecuária brasileira.”
Que belo presente o mundo rural recebeu do STF neste Natal.
Um feliz Natal a todos.
*Consultor em Agronegócio

