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Repetir, repetir e repetir

Gil Reis*

Neste novo ano, o ideal seria que as pessoas expressassem seus sentimentos. Seguindo essa linha de raciocínio, sou obrigado a confessar que odeio repetir o que venho dizendo em artigos durante anos seguindo o que disse o poeta mato-grossense Manoel de Barros: é preciso repetir sempre até ficar diferente. Vivemos em um mundo novo criado pela internet, que deu acesso a todos para expor as suas ideias. O trágico é que neste mundo novo, que deu acesso todos para socializar com o mundo inteiro, é que grande parte das pessoas prefere mais escrever e postar do que de ler. Por isso, é preciso repetir sempre para quando alguém resolva ler não perca o acesso às ideias e opiniões postadas anteriormente.

Até melhor juízo, o Brasil continua a ser um país cristão e a grande condutora dos cristãos é a Bíblia cujos ensinamentos vêm sendo esquecidos e solapados. Este artigo, caro leitor, apesar de parecer religioso, não o é. Trata-se de um artigo que pretende lembrar a todos de suas religiões e ensinamentos. Ninguém pode autodeclarar sua religião se não segue os ditames da mesma. Então vamos repetir o que já postei em artigo recente. Vamos reler um ensinamento bíblico referido em Gênesis 1:26-31:

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi. E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o sexto dia.” – Gênesis 1:26-31

Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. Percebe-se que o criador disponibilizou as terras, vegetação, animais e florestas para a fruição da humanidade sem qualquer tipo de restrição. Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; Ou seja o ser humano foi criado como a ‘biodiversidade’ dominante na face do planeta e tem dominado e usufruído de todas as demais.

Paralelamente a Bíblia cita explicitamente que o ser humano foi moldado do barro e em diversos trechos do ‘Velho Testamento’ é citado como o ‘sal da terra’. Nos Evangelhos o Criador deixa bem clara a supremacia do agro sobre os demais setores da economia de qualquer país e finalmente estamos ocupando este lugar no Brasil. O agro em nosso país, que até passado recente era importador de alimentos, cresceu de uma forma que há 30 anos jamais imaginaríamos tal performance, chegando a ser responsável por 1/3 do PIB. Toda a imagem que o Brasil criou no exterior foi em função do agro e dos alimentos que fornecemos para boa parte do mundo.

Caso retiremos o agro da equação produção de alimentos e do comércio internacional, o Brasil seria apenas uma terra que tem palmeiras onde canta o sabiá, um local de belas paisagens e de mulheres bonitas para que os turistas de todos os países viessem apenas usufruir e gozar da subserviência de seus habitantes. Quando ouço alguns preocupados em saber como o novo governo tratará o agro, costumo responder com uma única frase: “Qualquer governo, independentemente de qual seja o seu governante, se quiser ter sucesso na sua gestão, eliminando o problema da fome e os problemas sociais, além dos demais problemas que afligem um país emergente e em desenvolvimento, terá que prestigiar e apoiar o mundo rural”.

Mas nem somente de agro vive o brasileiro. Temos que enfrentar a cobiça de alguns com reformas tributárias propostas, reformas essas vendidas para o grande público com simples providência de simplificar o nosso sistema tributário e acabam enveredando pela criação de novos tributos que em relação ao agro apenas servirão para elevar o preço dos alimentos e expulsar os mais pobres do consumo. O que nos deixa mais perplexos é pretenderem fazer uma reforma tributária sem antes uma reforma administrativa que proteja os servidores de hoje, atingindo os três poderes, de forma a organizar as finanças do Estado e se aquilatar quanto o governo precisa para poder beneficiar o povo usando os seus próprios recursos, sempre lembrando que os tais recursos públicos é o nome que se dá ao nosso rico dinheirinho arrecadado através dos impostos.

Agora surgem no horizonte alguns sábios pensadores que chegaram à brilhante conclusão de que a solução é taxar as grandes fortunas como se tivessem sido conquistadas com desonestidade e golpes. Ledo engano. A maior parte das grandes fortunas, salvo desonrosas exceções, foram amealhadas com muito trabalho, esforço, riscos e investimentos sempre pagando a carga tributária exorbitante de nossa terra pátria. Em suma: querem tributar o sucesso, o que não é novidade, já que toda a nossa carga tributária exorbitante é extremamente desencorajante para qualquer empreendedor. Para ter sucesso empresarial no Brasil de hoje é preciso ser extremamente corajoso.

Vou encerrando aqui este artigo/desabafo repetindo. Afinal, o título que escolhi foi repetir o que disse Henry Ford (1863-1947), fundador da Ford Motor Company: “Enquanto olhamos para a legislação para curar a pobreza ou abolir os privilégios especiais, veremos a pobreza se espalhar e o privilégio especial crescer”.

*Consultor em Agronegócio

 

 

 

AGROemDIA

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