Agropecuária

Preço do leite ao produtor captado em novembro e pago em dezembro cai 6,7%

Foto: Divulgação/Embrapa

Os produtores de leite enfrentaram no mês passado mais uma baixa no preço da matéria-prima. “O preço do leite captado em novembro e pago aos produtores em dezembro de 2022 foi de R$ 2,5286/litro na “Média Brasil” líquida, recuo de 6,7% frente ao mês anterior”, informa o Boletim do Leite de Janeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

De acordo com o Cepea, o último quadrimestre de 2022 foi marcado por consecutivas quedas nos preços do leite ao produtor devido à demanda enfraquecida por lácteos na ponta final da cadeia. “Com menor nível de renda da população, a pressão dos canais de distribuição por cotações mais baixas segue constante, e, para assegurar as vendas, os laticínios têm trabalhado com preços em queda há cinco meses – cenário que é repassado ao produtor.”

Já os custos de produção tiveram aumento no ano passado, informa o boletim. “O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira avançou 2,53% na “Média Brasil” (BA, GO, MG, RS, SC, PR e SP) em 2022. A alta esteve atrelada principalmente a elevações nas categorias de concentrados, medicamentos e operações mecânicas.”

Leia, abaixo, as análises sobre o mercado leiteira de Natália Grigol, Caio Monteiro e Catarina Simplicio, da Equipe Leite do Cepea:

Demanda enfraquecida pressiona até dezembro, mas inversão de tendência pode estar próxima”

Natália Grigol/Da Equipe Leite do Cepea

“O preço do leite captado em novembro e pago aos produtores em dezembro de 2022 foi de R$ 2,5286/litro na “Média Brasil” líquida, baixa de 6,7% frente ao mês anterior, mas 12,8% maior que o registrado no mesmo período de 2021, em termos reais. Considerando-se a média de janeiro a dezembro, de R$ 2,7050/litro, o patamar de preços subiu 13,1% em relação ao registrado em 2021 (os valores foram deflacionados pelo IPCA de dezembro/22).

O último quadrimestre de 2022 foi marcado por consecutivas quedas nos preços do leite ao produtor devido à demanda enfraquecida por lácteos na ponta final da cadeia. Com menor nível de renda da população, a pressão dos canais de distribuição por cotações mais baixas segue constante, e, para assegurar as vendas, os laticínios têm trabalhado com preços em queda há cinco meses – cenário que é repassado ao produtor.

Em dezembro, apesar do incremento pontual nas vendas de lácteos por conta das festas de final de ano, o consumo permaneceu baixo, levando a novas reduções nas médias mensais. Mesmo com recuos significativos nos preços dos derivados em dezembro, é possível que esse repasse não seja feito em sua totalidade ao produtor. Isso porque existe preocupação em relação à manutenção do volume produzido, uma vez que a captação em dezembro ficou aquém do esperado. Assim, o preço do leite captado em dezembro pode apresentar estabilidade em diversas bacias leiteiras.

Agentes consultados pelo Cepea relataram que a produção do leite cru tem sido prejudicada pelo clima adverso provocado pelo fenômeno La Niña (com chuvas em excesso no Sudeste e forte estiagem no Sul) e pela redução na margem do produtor. Pesquisas do Cepea mostram que o Custo Operacional Efetivo da pecuária leiteira caiu de novembro para dezembro, mas a diminuição da receita do pecuarista por conta da queda nos preços do leite resultou em menor poder de compra frente a insumos importantes, como a ração.

Como reflexo dessa menor disponibilidade no campo, os preços do leite spot aumentaram a partir da metade de dezembro. Em Minas Gerais, a média passou de R$ 2,31/litro na segunda quinzena de dezembro para R$ 3,01/litro na segunda quinzena de janeiro, alta de 30,8%, segundo pesquisa do Cepea.

Além disso, é importante pontuar que a oferta de lácteos também se restringiu neste início de ano devido à queda nas importações. Os dados da Secex mostram redução de apenas 0,16% no volume importado de novembro para dezembro, mas destaca–se como o menor volume importado desde setembro/22.”

COE fecha 2022 com aumento de 2,5%”

Caio Monteiro e Catarina Simplicio/Da Equipe Leite do Cepea

“O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira avançou 2,53% na “Média Brasil” (BA, GO, MG, RS, SC, PR e SP) em 2022 – o aumento do COE acumulado em 2021, por sua vez, havia sido de fortes 18,67%. A alta observada em 2022 esteve atrelada, principalmente, a elevações nas categorias de concentrados, medicamentos e operações mecânicas. Entre novembro e dezembro, especificamente, houve queda de 0,56% no COE, influenciada pela baixa nas cotações dos fertilizantes.

Os concentrados registraram elevação de 0,12% em dezembro – o movimento de alta tem sido observado desde agosto/22. No acumulado do ano passado, o aumento foi de 2,06% na “Média Brasil”. Apesar de o volume produzido na safra de milho ter superado as expectativas em 2022, os baixos estoques internos, a aquecida demanda internacional e o aumento dos fretes impulsionaram os valores das rações.

Os medicamentos registraram altas de 1,05% no último mês de 2022 e de 10,10% no acumulado do período. Considerando-se o ano todo, os aumentos mais expressivos foram observados nos estados de MG e PR, ao passo que SP e BA registraram queda, limitando o aumento dos custos desses itens na “Média Brasil”. Quanto à categoria dos antimastíticos e medicamentos para controle parasitário, as elevações acumuladas no ano passado foram de 5,94% e 7,46%, respectivamente.

Os desembolsos com operações mecânicas de manutenção registraram ligeira queda de 0,19% em dezembro, mas aumento de 3,28% no comparativo anual. As altas dos preços dos combustíveis nas bombas e dos custos de manutenção de máquinas e implementos influenciaram os avanços em 2022.

Durante o mês de dezembro, o poder de compra do produtor de leite piorou quando comparado ao período anterior, pela queda na receita. Para adquirir uma saca de milho de 60 kg no encerramento de 2022, foram necessários 34 litros de leite, enquanto, em novembro, eram exigidos 31,5 litros. Nos últimos 12 meses, a média da relação de troca foi de 34,2 litros/saca.”

 

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre AGROemDIA

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading