A festa “virou gafieira”

Gil Reis*
Este é um artigo que mistura reminiscências de um tempo alegre que não volta mais e assuntos que afligem e prejudicam a todos nós, ‘meros mortais’. Recordo com saudades a minha juventude, que dos idos da segunda metade do século XX, quando já circulava o Brasil de norte a sul com apenas 15 anos de idade. Tive a oportunidade de, com pouca idade, conhecer e frequentar ambientes ditos para adultos. Naquela época, um pouco de desobediência civil enriquecia a vida dos jovens e embranquecia os cabelos dos nomeados ‘fiscais de menores’. Os tempos bons da minha geração eram maravilhosos. Sempre lembrando que cada geração tem seus tempos bons, todavia, a minha geração foi cognominada de ‘geração de ouro’.
Naturalmente tal título se deu em função de que vivemos e fomos educados em uma época de transição. Eram as mudanças do ‘pós 2ª Grande Guerra’. Foi no século XX que ocorreu a grande evolução humana, quando, em apenas um século, a humanidade evoluiu milhares de anos. Creio que fica muito difícil para os jovens acreditar na história universal, quando são narrados os milhares de anos que antecederam o século XX. Como tenho apenas mais idade, mantive o meu espírito jovem e sou um estudioso da história universal. Tenho facilidade de entender os jovens de hoje. Tive a felicidade de acompanhar a transição e viver no meu dia a dia as mudanças do mundo.
Os que viveram a transição e as mudanças têm obrigação de transmitir aos jovens as experiências que possuem. A melhor maneira de entender as pessoas é se colocar no lugar delas, ninguém faz alguma coisa a troco de nada. Somos todos hoje fruto das nossas escolhas, influenciadas pela cultura da família em que fomos criados e dos ambientes e pessoas com as quais convivemos. Agora nos coloquemos no lugar dos mais jovens e enfrentemos as suas dúvidas e perguntas. As pessoas morriam de tuberculose, gripe, apêndice supurado e hérnia estrangulada, além de outras doenças. Como é isso? A medicina não funcionava? Não havia antibióticos?
Pensam os jovens: como acreditar no passado com tantas desgraças e misérias? Como viviam os seres humanos que envelheciam aos 30 anos e morriam antes dos 50? A higiene corporal era praticamente impossível, óleos aromáticos somente eram acessíveis às elites, os pobres tinham apenas uma roupa que usavam até acabar e o banho era um luxo. Uma das mais belas mulheres da história humana foi Cleópatra, que seduziu imperadores e se banhava com leite de cabra. O que ocorria? Criava queijo de cabra nas axilas?
Como era possível?, podem se perguntar os jovens de hoje. Afinal, não havia automóveis, tevê digital, smartphones, música digital? Os seres humanos se locomoviam em carroças e viajavam pelos mares em barcos de madeira movidos a vela e a remos. Não existiam aviões a jato, nas guerras se lutava com espadas, lanças e arco e flecha. Os combates eram realizados cara a cara e eram sangrentos. Alguém pode imaginar que um jovem possa acreditar nessas coisas sem orientação? Como um jovem pode acalentar o sonho de um futuro promissor quando a grande mídia espalha diariamente que o mundo é uma desgraça e que o futuro é sombrio?
Para encerrar as dúvidas dos jovens, lembremos como eles são educados hoje. Os professores da minha época desapareceram e se criou a figura do educador. Fui criado quando educadores eram os pais que transmitiam para nós, jovens, a sua cultura e as de sua família. As famílias hoje delegam a educação dos jovens aos educadores, que transmitirão as suas culturas e das suas famílias. Como forjar uma geração forte desta maneira?
A elite e a classe média se deixaram enganar muito tempo, mas o povo mais atingido pela campanha dos verdes não se deixa enganar
Finalmente, chegamos à ‘gafieira’. A Wikipédia a descreve assim: “Gafieira (do francês “gaffe”: “fiasco”) originalmente é um termo inicialmente depreciativo do jornalista brasileiro Romeu Arede, o Picareta, que designa o salão de dança onde ocorre um baile dançante popular, acompanhado por estilos musicais urbanos populares, predominantemente: chorinho, maxixe, polca, samba e forró. O empresário carioca Júlio Simões terá sido o pai desse estilo de baile, ainda na década de 1900 no contexto do Brasil República (1889–atual). O termo foi rapidamente adotado pela sociedade carioca, sendo atualmente resignificado e de uso comum ligado ao estilo musical e dança de salão brasileira associada, o samba de gafieira (derivado do maxixe do contexto do Império do Brasil”.
Há uma passagem interessante vivida pelo jornalista, igualmente na Wikipédia. “Certa vez, Picareta chegou à porta do Elite Clube, acompanhado de mais cinco ou seis pessoas. Foi informado por Júlio Simões, então o principal diretor da sociedade, que apenas ele e mais uma senhora ou amigo teriam entrada franca. O jornalista teria exclamado aos convivas: ‘Vamos embora! Isto aqui é uma gafieira!’. No dia seguinte, Picareta teria escrito na sua coluna acerca do Elite Clube: ‘Aquele é um lugar da ralé, onde se cometem gafes em fieiras’, cunhando o neologismo.
Na minha juventude, em lugares que frequentei no passado, os salões onde se dançava gafieira eram de terra batida, não havia pisos sofisticados e os dançantes levantavam poeira. Pois é: toda a narrativa deste artigo foi para mencionar que a campanha do aquecimento global e mudanças climáticas patrocinada pelos inimigos da humanidade, a ONU e seus aliados, começou nos salões de festas sofisticados, onde ocorriam grandes e caros bailes. Hoje, tais campanhas brutais começam a atingir o povo denominado pelos trilhardários patrocinadores de ‘populacho’ e ‘ralé’, ou seja, a festa virou gafieira.
A elite e a classe média se deixaram enganar muito tempo, mas o povo mais atingido pela campanha dos verdes não se deixa enganar. Na Alemanha, o povo começa a reagir contra a campanha que tenta substituir os veículos movidos a combustíveis fosseis por veículos elétricos com preços proibitivos para os mais pobres. O povo francês está em pé de guerra contra a mudança na legislação de aposentadoria, promovida pelo presidente Emmanuel Macron. Na Holanda, há a revolta contra o governo que pretende dificultar ou extinguir a agropecuária. Como podem perceber, o povo é consciente que toda a campanha de aquecimento global e mudanças climáticas é pura balela e será ele, o povo, quem vai pagar a conta.
Assim, podemos repetir a frase do jornalista Picareta para nos referir à ONU: “Aquele é um lugar onde se cometem gafes em fieiras”
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

