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Pesca em risco

Gil Reis*

Ao que parece a nova ideologia ambientalista não perdoa a evolução humana, atacando e perseguindo todas as conquistas da humanidade. Todos os setores da agropecuária que alimentam e possibilitam a sobrevivência dos 8 bilhões de habitantes do planeta. Façamos um rápido balanço sobre o que atacam os ambientalistas, sem maiores aprofundamento: o rebanho bovino, as carnes bovinas, suínas e de frango; a produção de soja, milho, cana e algodão; os alimentos processados industrialmente, as bebidas açucaradas, o sal (chegam a estabelecer prazo de 3 meses validade ao famoso sal do Himalaia, formado a milhões de anos naquelas montanhas, como diz o meu amigo Rodrigo Justus) e outros. Agora com suas turbinas eólicas, apesar de atacarem frontalmente a energia hidrelétricas, pretendem acabar com a pesca.

Sobre a indústria pesqueira, leiamos trechos do longo artigo “Soprado: reguladores de vento offshore ignoram o perigo para a indústria pesqueira”, escrito por Will Sennott e Anastasia E. Lennon e publicado pelo site THE NEW BEDFORD LIGHT, em 17 de abril deste ano.

“Enquanto o governo Trump colocou obstáculos no caminho do desenvolvimento eólico offshore, o governo Biden está acelerando alternativas limpas, como eólica e solar, para expandir a produção doméstica de energia e diminuir o ritmo das mudanças climáticas. Na próxima década, 3.411 turbinas e 9.874 milhas de cabo estão programados para serem construídos em 2,4 milhões de acres de oceano administrado pelo governo federal. Aparentemente, deixado de fora desse relacionamento aconchegante está um grupo profundamente afetado: mais de 1 milhão de pessoas nos EUA que trabalham na indústria de frutos do mar, incluindo 158.811 pescadores comerciais. Os pescadores têm arcado com mais horas e mais despesas à medida que o capital privado assume o controle de sua indústria. Agora, eles estão lutando com a perspectiva de que os parques eólicos offshore os afastarão das áreas de pesca e colocarão em perigo ainda mais seus meios de subsistência.

Por gerações, os pescadores da Costa Leste navegaram nas mesmas águas onde turbinas da altura de arranha-céus de 70 andares logo estarão girando. A plataforma continental externa do Atlântico é comparativamente rasa, facilitando a ancoragem de turbinas no fundo do oceano. Ventos constantes sopram durante todo o ano. Mas também é ao longo das cristas da plataforma que as correntes se misturam e a luz do sol penetra, permitindo que microorganismos e peixes floresçam em um complexo ecossistema oceânico.

Cientistas federais, a indústria da pesca comercial e os reguladores da indústria, cada um soou o alarme sobre os danos potenciais aos hábitos de desova dos peixes e sobre a falta de compensação pelas perdas sofridas pelos pescadores que serão deslocados pela indústria eólica offshore. O Departamento do Interior ignorou ou minimizou esses avisos.

“Estamos muito preocupados com os impactos cumulativos de vários projetos de energia eólica nas pescarias que administramos”, escreveram diretores de três conselhos regionais estabelecidos pelo governo federal que assessoram o NMFS no outono passado a Amanda Lefton, então chefe do BOEM. “A grande maioria das pessoas que dependem de sair para pescar será expulsa da indústria”, disse Scott Lang, ex-prefeito de New Bedford e advogado que por quatro décadas representou muitos dos pescadores comerciais da cidade. “Este vai ser o prego final.”

Cavadas até 2,5 metros no fundo do oceano, as trincheiras marcam o primeiro solo oceânico quebrado em um parque eólico offshore de grande escala. A partir deste ano, 62 turbinas serão levantadas, com pouco mais de um quilômetro de distância, cada uma com 837 pés de altura, mais alta que a John Hancock Tower, o edifício mais alto de Boston. Abaixo da superfície, cada turbina será suportada por estacas de aço de 197 a 312 pés de altura, cada uma com até 34 pés de largura, de acordo com os planos de construção aprovados da Vineyard Wind.

Na Dinamarca, onde o primeiro parque eólico offshore foi construído em 1991, uma lei exige que os pescadores sejam compensados ​​pela perda de renda quando outros usuários do oceano ocupam áreas de pesca. De acordo com a Agência Dinamarquesa de Energia, um projeto eólico offshore terá “necessariamente” impacto nas pescas da área e, portanto, é essencial ter uma estrutura legal para lidar com isso.

Por outro lado, os EUA não descobriram como compensar os pescadores cujos meios de subsistência podem ser prejudicados. Até agora, o governo federal deixou a questão da compensação para os desenvolvedores. Alguns ofereceram pagamentos únicos para a indústria pesqueira. A Vineyard Wind comprometeu cerca de US$ 21 milhões para os pescadores de Massachusetts, e a South Fork Wind, US$ 2,6 milhões.

Mesmo que um fundo nacional seja autorizado, não será fácil calcular a perda econômica cumulativa para a pesca comercial. A tarefa é complicada por métodos de pesquisa inconsistentes usados ​​pelos desenvolvedores, falta de estudos de longo prazo e falha do BOEM em realizar uma análise abrangente das áreas de arrendamento eólico offshore na costa da Nova Inglaterra.

Os pescadores temem que a falta de informações sobre o impacto econômico favoreça os desenvolvedores em futuras negociações sobre compensações. Eles também dizem que as perdas potenciais são uma soma que eles nunca quiseram calcular em primeiro lugar. “A pesca é o meu modo de vida. Como você coloca um preço no modo de vida de alguém?” O pescador de lagosta do Maine, Matt Gilley, disse aos desenvolvedores eólicos, autoridades estaduais e federais durante uma reunião por Zoom em dezembro – Não há compensação monetária que vá consertar isso.”

Afinal, o que pretendem os tais ambientalistas cujos óvulos foram fecundados no útero da ONU? A minha sugestão é que se não estão satisfeitos com a evolução humana comprem uma ilha, a batizem de ‘ilha dos dinossauros’, se isolem do resto do planeta e implantem uma comunidade para viver na ‘idade da pedra lascada’.

Vejamos o que diz Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado e atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) sobre a pregação ambientalista: “Estamos mais sujeitos de acabar devido à explosão de uma fenda geológica do que pela queima de todo o combustível fóssil existente no mundo”.

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

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