Preço do leite ao produtor em abril sobe 2,4%; custo de produção cai 1,3%, diz Cepea

Da redação//AGROemDIA
O preço do leite cru captado por laticínios em março chegou a R$ 2,8120/litro na “Média Brasil” líquida, calculada com base nas cotações da BA, GO, MG, SC, PR, RS e SP. O valor representa alta de 2,4% frente ao mês anterior e de 10,8% em relação à de março de 2022. É o que mostra a edição de maio do Boletim do Leite, do Cepea, da Esalq/USP, divulgado nesta sexta-feira (19). No primeiro trimestre de 2023, o avanço foi de 9,2%.
Ainda de acordo com a publicação, pesquisas em andamento indicam que o movimento altista deve persitir em abril. No entanto, informa o Cepea, a valorização do produto pode se encerrar já em maio, devido à retração do consumo doméstico e as importações elevadas de lácteos.
O boletim destaca também que o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira em abril teve redução de 1,3% em relação ao mês anterior na “Média Brasil”.” Baixas em importantes itens dos custos, como concentrados e adubos e corretivos, explicam a queda no mês. No acumulado de 2023 (de janeiro a abril), o recuo do COE é de 1,9%”, pontua o Cepea.
Leia, abaixo, as análises de Natália Grigol, Caio Monteiro e Catarina Simplicio, da Equipe Leite do Cepea, sobre o mercado de leite no mês de abril deste ano:
Movimento de alta no preço observado no 1º trimestre deve persistir em abril”
Por Natália Grigol//Da equipe Leite do Cepea
“Pesquisas do Cepea, da Esalq/USP, mostram que o preço do leite cru captado por laticínios em março chegou a R$ 2,8120/litro na “Média Brasil” líquida, elevações de 2,4% frente ao mês anterior e de 10,8% em relação à de março/22, em termos reais. Com isso, o valor do leite cru acumula avanço real de 9,2% no primeiro trimestre de 2023 (os valores foram deflacionados pelo IPCA de março/23). E, para abril, pesquisas em andamento do Cepea indicam que o movimento altista deve permanecer.
A oferta no campo seguiu enxuta em abril, prejudicada pelo avanço da entressafra. Por isso, a disputa entre laticínios por produtores esteve intensa em abril, contexto que manteve as cotações do leite em alta.
A valorização do leite cru já pôde ser observada no mercado do leite spot. Em Minas Gerais, a média mensal subiu 11,2%, chegando a R$ 3,34/litro. Vale destacar que esse aumento esteve relacionado à recuperação das cotações na primeira quinzena de abril, já que, depois da segunda quinzena de abril, o leite no spot passou a se desvalorizar. Em Minas Gerais, inclusive, a média mensal do spot em maio recuou 16,6% e chegou a 2,78/litro.
Com o encarecimento da matéria-prima, os laticínios realizaram em abril, de forma generalizada, o repasse da valorização do leite cru ao preço dos lácteos negociados com os canais de distribuição. A pesquisa do Cepea em parceria com a OCB mostra que as cotações médias do UHT, da muçarela e do leite em pó fracionado subiram no atacado paulista, respectivamente, 9,5%, 4,9% e 1,6%. Contudo, o consumo seguiu enfraquecido, e as cotações de maio mostram tendência de queda.
Apesar da previsão de alta nos preços ao produtor de abril, o movimento de valorização pode se encerrar já em maio. Isso porque, além da retração do consumo doméstico, as importações de lácteos seguem elevadas.
Em abril, as compras externas caíram significativos 30,3% frente às do mês anterior, mas o volume ainda esteve três vezes maior que o registrado em abril do ano passado.
Agentes do setor também esperam que a produção a campo seja incentivada pela queda nos custos de produção e pela melhora da relação de troca. A pesquisa do Cepea mostra que, em abril, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira caiu 1,3% na “Média Brasil”, influenciado pela retração nos preços do concentrado. Com isso, o poder de compra do produtor frente ao milho teve uma melhora de 4% de março para abril.”
Com baixas em concentrados e adubos, custos recuam por mais um mês”
Por Caio Monteiro e Catarina Simplicio//Da equipe Leite do Cepea
“Em abril, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira registrou redução de 1,3% em relação ao mês anterior na “Média Brasil”, que leva em consideração os estados: BA, GO, MG, SC, PR, RS e SP. Baixas em importantes itens dos custos, como concentrados e adubos e corretivos, explicam a queda no mês. No acumulado de 2023 (de janeiro a abril), o recuo do COE é de 1,9%.
Os concentrados (principal item de custo da atividade) registraram baixa de 2,38% frente a março, com desvalorização mais intensa nos estados de RS, SP e SC.
Esse movimento esteve atrelado às quedas nos preços do milho, que, por sua vez, recuaram sob influência do avanço da colheita da safra de verão e das boas perspectivas quanto ao volume produzido na segunda safra.
As reduções observadas para adubos e corretivos foram atribuídas ao cenário baixista no mercado internacional de fertilizantes. Na “Média Brasil”, a retração desses itens foi de 2,85% entre março e abril – vale lembrar que as quedas vêm sendo observadas desde novembro/22.
Quanto aos medicamentos, por outro lado, a maioria dos produtos (com exceção das vacinas) se valorizou em abril, o que limitou a queda do COE. As elevações mais expressivas foram observadas para antibióticos e medicamentos para controle parasitário, de 3,18% e 1,04%, respectivamente.
Considerando-se a alta no preço do leite pago ao produtor em março e as baixas nas cotações do milho, foram necessários 30,2 litros de leite, em média, para adquirir uma saca de 60 kg de milho, 4% abaixo do observado no mês anterior. Esse foi o terceiro período consecutivo de melhora no poder de compra do produtor. Nos últimos 12 meses, a média foi de 30,6 litros/saca.”
