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“Aprovação apressada da reforma tributária pode causar prejuízos a todos nós”

 Gil Reis*

Após reler mais uma vez a obra “A revolta de Atlas”, de Ayn Rand, socióloga e filósofa russa que alterou radicalmente o relacionamento entre as empresas privadas e o governo americano, decidi homenagear a autora difundindo seus ensinamentos. Tenho a sensação de que não deveria ter escrito, não sou um assassino de sonhos, ao mesmo tempo que reconheço que é preciso difundir os valores que nos têm sido negados pela grande mídia patrocinada e manipulada pelos reais inimigos da humanidade.

“A revolta de Atlas” é uma obra de 1.348 páginas, cuja complexidade não permite uma leitura descompromissada. Caso quiséssemos analisá-la, teríamos que escrever um compendio de mais de 10 mil páginas. As citações deste artigo não se referem a nenhum determinado país, mas aos caminhos que o mundo enveredou para impedir um novo salto evolutivo, que usa como arma campanhas difamatórias contra o dinheiro e a riqueza, contra os seres humanos que produzem e contra os que raciocinam. Neste artigo não me atrevi a analisar a obra e sim transcrever trechos que trazem o embate entre o estado e a iniciativa privada, usando como arma uma coisa muito valiosa para todos, o bem-estar, totalmente distorcido com finalidades abjetas.

Sobre o dinheiro:

“Então o senhor acha que o dinheiro é a origem de todo o mal? O senhor já se perguntou qual é a origem do dinheiro? Ele é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro. O dinheiro não é o instrumento dos pidões, que recorrem às lágrimas para pedir produtos, nem dos saqueadores, que os levam à força. O dinheiro só se torna possível por intermédio dos homens que produzem.

Tente plantar um grão de trigo sem os conhecimentos que lhe foram legados pelos homens que foram os primeiros a fazer isso. Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na Terra. Mas o senhor diz que o dinheiro é feito pelos fortes em detrimento dos fracos? A que força se refere? Não à força das armas nem à dos músculos. A riqueza é produto da capacidade humana de pensar.”

Sobre o que denominam de política:

“O senhor realmente pensava que a gente queria que essas leis fossem observadas? – indagou o Dr. Ferris. – Nós queremos que sejam desrespeitadas. É melhor o senhor entender direitinho que não somos escoteiros, não vivemos numa época de gestos nobres. Queremos é poder e estamos jogando para valer. Vocês estão jogando de brincadeira, mas nós sabemos como é que se joga o jogo, e é melhor o senhor aprender. É impossível governar homens honestos. O único poder que qualquer governo tem é o de reprimir os criminosos. Bem, então, se não temos criminosos o bastante, o jeito é criá-los. E fazer leis que proíbem tanta coisa que se torna impossível viver sem violar alguma. Quem vai querer um país cheio de cidadãos que respeitam as leis? O que se vai ganhar com isso? Mas basta criar leis que não podem ser cumpridas nem ser objetivamente interpretadas, leis que é impossível fazer com que sejam cumpridas a rigor, e pronto! Temos um país repleto de pessoas que violam a lei, e então é só faturar em cima dos culpados. O sistema é esse, Sr. Rearden, são essas as regras do jogo. E, assim que aprendê-las, vai ser muito mais fácil lidar com o senhor.”

Sobre as atividades humanas:

“Observei que, em todas as discussões que precediam a escravização da medicina, tudo se discutia, menos os desejos dos médicos. As pessoas só se preocupavam com o ‘bem-estar’ dos pacientes, sem pensar naqueles que o proporcionavam. A ideia de que os médicos teriam direitos, desejos e opiniões em relação à questão era considerada egoísta e irrelevante. Não cabe a eles opinar, diziam, e sim apenas ‘servir’.”

Sobre a sobrevivência humana:

“O animal possui meios que lhe possibilitam preservar sua vida. Seus sentidos lhe oferecem um código de ação automático, um conhecimento automático do que é bom ou mau. Ele não tem o poder de aumentar esse conhecimento nem de se esquivar dele. Quando seu conhecimento se revela inadequado, ele morre. Porém, enquanto está vivo, ele age com base em seu conhecimento, com segurança automática e sem poder de escolha. Ele é incapaz de ignorar seu próprio bem, de optar pelo mal e agir para destruir a si próprio.

 Um ser vivo que considerasse mau o seu meio de sobrevivência não poderia sobreviver. Uma planta que se esforçasse para destruir suas raízes ou uma ave que tentasse quebrar as próprias asas não permaneceriam muito tempo vivas. Porém a história do homem tem sido uma luta voltada para a negação e a destruição de sua mente. ‘Afirma-se que o homem é um ser racional’, porém a racionalidade é uma questão de opção – e as alternativas que sua natureza lhe oferece são estas: um ser racional ou um animal suicida. O homem tem que ser homem – por escolha, ele tem que ter sua vida como um valor; por escolha, tem que aprender a preservá-la; por escolha; tem que descobrir os valores que ela requer e praticar suas virtudes. Por escolha.”

Na prática, o que o livro nos conscientiza é que apesar da produção ser reconhecida o produtor não é. No Brasil, isto fica muito claro quando a grande mídia reconhece o aumento do PIB promovido pela produção rural. Aqui vale um parêntesis: a população não entende de PIB e sim de carestia, porém não mostra quem possibilitou o aumento. Paralelamente, todo santo dia, a mídia elogia o aumento da produção rural sem citar o produtor e, como já disse antes, sequer ouve os seus anseios ou pleitos.

Ainda aqui no Brasil é triste assistir ao tratamento que se dá à agropecuária, que está se defrontando com uma reforma tributária, sempre lembrando que foi ‘vendida’ ao povo como simplificadora e que não haveria aumento de tributos, que pretende tributar os alimentos, transformar o produtor rural que não é contribuinte em contribuinte, revogar todos os benefícios que sempre mantiveram os alimentos accessíveis aos cidadãos mais pobres, expandir os chamados impostos seletivos, como forma de controle por aqueles que nada produzem, e mais uma série de absurdos que provocará a ‘carestia’ no setor da alimentação. Fica cada vez mais claro que os discursos demagógicos pronunciados pelos que não produzem nada contra aqueles que produzem são a expressão do desconhecimento de como se dá a produção.

É indubitável que todos nós ansiamos por um instrumento que corrija o atual sistema tributário que nos impede a prosperidade e o desenvolvimento, não algo que nos deixe no fundo do poço. Um instrumento bem estudado que corrija as injustiças e não um que as aumente. Sempre lembrando que ‘dinheiro público’ é uma mera ficção, o que existe é ‘dinheiro do público’, no caso nosso dinheiro. Para encerrar este artigo vou escrever a pergunta que fiz em uma reunião de parlamentares que participei sobre a reforma tributária e que me foi dada a palavra:

– Aconteceu algum milagre no Congresso? Diante dos olhares perplexos aduzi: “Explico: os senhores, para analisar e votar assuntos muito menos complexos, chegam a demorar até 20 anos para aprová-los. E, em um assunto de alta complexidade como uma reforma tributária, que afetará a todos os brasileiros, pretendem analisar e aprovar açodadamente em dois ou três anos”. Não houve nenhuma resposta.

“Como é maravilhoso que ninguém precise esperar um momento antes de começar a melhorar o mundo” – Anne Frank

*Consultor em Agronegócio

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

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