Opinião: A Bahia à espera de Lula

Tito Matos*
Aquele 2 de Julho de 1823 apresentou-se bonito. Cessaram as chuvas de junho e o sol em Salvador brilhava. Os baianos estão torcendo agora para que o clima neste domingo seja igualzinho ao de 200 anos atras. É que milhares de soteropolitanos desejam receber o presidente Lula numa cidade ensolarada.
Presidente Lula, permita-me dizer – nestas comemorações do Bicentenário da Independência do Brasil na Bahia – que neste fato histórico há uma verdade que muitos autores não destacam em seus livros de História do Brasil.
Para muitos deles, a nossa Independência ocorreu de maneira pacífica no dia 7 de setembro de 1822, às margens do Ipiranga, quando D. Pedro I, montado num cavalo, gritou “Independência ou Morte”. Qual o quê!
Os baianos esclarecidos sabem muito bem o significado do dia 2 de julho de 1823. Esta é a data magna em que começou a formação da nossa nacionalidade, começou com sangue, suor, lágrimas, muitas lágrimas e muitas mortes. Foi ali em Pirajá, na Bahia, onde se deu a luta, a revolta, o pugilato e o duelo entre baianos e portugueses.
Nossos mártires, nossos heróis, eram timidamente enaltecidos naquelas lições da História do Brasil. Lembro da dissertação da Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates. Como esquecer da Soror Joana Angélica, morta a golpes de baioneta, de Maria Quitéria, inflamada pelo ideal de independência, e da corajosa negra ativista Maria Felipa, que em Itaparica chicoteou soldados portugueses com galhos de cansanção?! Ela, pobre, comprou a própria alforria. Como não se orgulhar dessas mulheres?!
Os índios baianos, povos originários, mostraram sua força e brasilidade na batalha do Pirajá, considerada “o maior embate militar das Américas”, segundo o historiador Cid Teixeira e enaltecida pelo nosso poeta Castro Alves.
Ainda hoje os meus ouvidos parecem escutar o toque da corneta de Luiz Lopes e ver ao longe o valente João das Botas enxotando mar adentro a tropa em fuga do português Madeira de Melo. Foi assim, com a bravura do povo baiano, presidente Lula, que o 2 de Julho passou a integrar o calendário das grandes efemérides do Brasil – a verdadeira Independência.
Na nossa Bahia, o 2 de Julho só perde para o carnaval em popularidade.
Bem votado na Bahia, imagino, presidente Lula, que V.Exa. vai vibrar com o apoteótico desfile cívico-militar. O povo baiano o aplaudirá, como sempre. Não se assuste, porém, se algum intruso derrotado aparecer de moto ou a cavalo no evento; aparecer por pura provocação, procedimento peculiar dos membros da seita bolsonarista, ainda mais agora com a inelegibilidade de seu guru.
Viva o Dous de Julho da Bahia!
Presidente Lula, bem-vindo à terra de todos os encantos.
*Jornalista
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

