Itamaraty debaterá crise causada por importações ao setor de alho

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Ministro Ernesto Araújo se mostra sensível à situação da cadeia alho, diz Ronaldo Troncha – Anapa/Divulgação

O Itamaraty discutirá as importações de alho da China, Argentina e Espanha, disse o chanceler Ernesto Araújo ao diretor-executivo da Anapa (Associação Nacional dos Produtores de Alha), Ronaldo Troncha. O setor alheiro reclama há anos da concorrência desleal desses países, por causa do descumprimento da tarifa antidumping, além de triangulação e subfaturamento.

Araújo tratou do assunto com o executivo da Anapa ao final do seminário “Diplomacia do Agronegócio”, realizado na última quinta-feira (13), no Itamaraty, em Brasília.  Troncha enfatizou ao ministro das Relações Exteriores que a competividade do setor depende da cobrança da tarifa antidumping sobre todo o alho chinês importado, independentemente de qualquer classificação.

O diretor executivo da Anapa informou ao chanceler que hoje o setor cultivas 11 mil hectares de alho, mas pode aumentar a capacidade, em cinco anos, para 15 mil hectares, se houver o apoio do governo no combate às ilegalidades praticadas na importação do produto.

Liminares

Recentemente, produtores de alho fizeram uma manifestação, em frente à Justiça Federal, em Brasília, contra as liminares concedidas a importadores de alho do Rio de Janeiro desobrigando-os do pagamento da tarifa antidupimg.

Segundo a Anapa, o país em um prejuízo mensal de R$ 300 milhões por causa do não recolhimento dos valores referentes à tarifa de importação. Em 2017, as perdas para os cofres públicos, acrescenta a Anapa, totalizaram R$ 156 bilhões.

A maior parte do produto importado sem a taxa antidumping, por determinação judicial, vem da China. Conforme a Anapa, a caixa de 10kg produto, procedente do mercado chinês, entra no Brasil a R$ 50.

“Para produzir os mesmos 10 quilos, o agricultor brasileiro gasta R$ 78. Então, há uma diferença de R$ 28 entre o alho nacional e o importado”, ressaltou o presidente da Anapa, Rafael Jorge Corsino, em entrevista ao AGROemDIA no mês passado.

A sobrevivência do setor, alerta Corsino, depende da manutenção da tarifa antidumping e do fim das liminares para os importadores. A cadeia produtiva do alho é formada por cerca de 5 mil agricultores, dos quais 4,5 mil são pequenos produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia e Piauí. O restante está em Minas Gerais, Goiás e no Distrito Federal.

Projeções da Anapa indicam que o setor deve demitir este ano cerca de 20 mil trabalhadores rurais em razão da crise provocada pela concessão de liminares e pelos altos custos de produção.

 

 

 

AGROemDIA

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