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Guerra contra a agricultura moderna

Gil Reis*

Pelo que li o Forum Econômico Mundial se tornou um ‘fosso’ de maldades contra a agropecuária moderna e o agronegócio, seguindo os pensamentos de algumas lideranças mundiais e da ONU. O evento de 2024 se tornou uma grande reunião contra a produção de alimentos de todos os países. Aqui no Brasil, nós, os brasileiros, deveríamos caminhar pelo mundo orgulhosos porque o nosso país sempre saiu na frente. Desde os tempos do Império se legisla sobre a proteção da natureza e até hoje sempre tivemos ‘códigos florestais’. Salvo engano, fomos os primeiros ou um dos primeiros a ter leis sobre a poluição atmosférica.

O site Watts Up With That? publicou o artigo “Travando Guerra Contra a Agricultura Moderna e a Nutrição Global”, assinado por Paulo Driessen, consultor sênior de políticas do Comitê para um Amanhã Construtivo, que traz um retrato colorido sobre o Fórum Econômico Mundial. Transcrevo trechos:

“O Fórum Econômico Mundial diz que o mundo enfrenta uma nova crise: ‘Um terço das emissões antropogênicas de gases de efeito estufa vêm da produção de alimentos’. Com a população mundial prevista para atingir 10 bilhões de pessoas até 2050, é, portanto, ‘urgente’ que lancemos uma transformação ‘radical’ e ‘abrangente’ do sistema alimentar global – de ‘reinventar’ a agricultura para ‘reimaginar’ como os alimentos são produzidos, processados, distribuídos, consumidos e descartados.

Reforçando essa mensagem, a fundadora do Stop Ecocide Now, Jojo Mehta, expandiu o discurso incendiário de Greta Thunberg em 2020 de que ‘nossa casa está pegando fogo e vocês estão alimentando as chamas’. A agricultura é um ‘crime grave’, igual a ‘genocídio’, disse a Sra. Mehta às elites na reunião do Fórum Econômico Mundial de 2024 em Davos. Sua compreensão da agricultura é exemplificada pela sugestão de Michael Bloomberg de que qualquer um pode ser um fazendeiro: ‘Você cava um buraco, coloca uma semente, coloca terra em cima, adiciona água e o milho sai’.

Tratores, caminhões, fazendeiros e gado emitem dióxido de carbono, somando-se aos 0,04% de CO 2 na atmosfera da Terra (equivalente a $ 40 de $ 100.000). As emissões de gado adicionam metano aos 0,0002% de CH 4 existentes na atmosfera (20 centavos de $ 100.000). Os fertilizantes de nitrogênio somam-se ao aumento ‘dramático’ de 200 anos no óxido nitroso atmosférico (N 2 O), levando-o a um ainda minúsculo 0,00003% (que é 3 centavos de $ 100.000).

Essas emissões supostamente impulsionam mudanças climáticas ‘cataclísmicas’ e clima extremo, colocando em risco toda a vida na Terra. Mas então o que causou cinco Eras Glaciais (incluindo a Era Pleistocena e suas geleiras de uma milha de altura, que terminaram há 12.000 anos), os Períodos Quentes Romano e Medieval, e a Pequena Era Glacial (1350-1850) para vir e ir?

No mundo real, a realidade maravilhosa é que, após séculos de progresso extremamente lento, os avanços agrícolas nos últimos 75 anos foram nada menos que surpreendentes. A Revolução Verde do Dr. Norman Borlaug empregou técnicas de melhoramento de plantas que multiplicaram os rendimentos de safras vitais de grãos, salvando centenas de milhões de vidas.

Desde 1950, os fazendeiros americanos aumentaram a produção de milho por acre em incríveis 500% e a produção de outras safras em quantidades menores, mas ainda surpreendentes – enquanto usavam menos terra, água e combustível… e menos fertilizantes e pesticidas por tonelada de produto. Suas exportações ajudaram a reduzir ainda mais a fome e a desnutrição globais. Enquanto isso, apesar dos supostos impactos das mudanças climáticas causadas pelo homem, agricultores no Brasil, Índia e muitos outros países também desfrutaram de colheitas recordes.

Várias tecnologias milagrosas contribuíram. Sementes híbridas combinam características valiosas de diferentes plantas relacionadas. Sementes biotecnológicas protegem as plantações contra insetos vorazes e vírus destrutivos, ao mesmo tempo em que reduzem a demanda por água e pesticidas. Cultivares biotecnológicos resistentes a vírus até substituíram mamões ameaçados no Havaí, mandioca e bananas na África, além de outras plantações.

Fertilizantes de nitrogênio (amônia), sintetizados a partir de gás natural e nitrogênio atmosférico, juntaram-se ao fósforo e ao potássio para supercarregar solos. O aumento do dióxido de carbono atmosférico estimula o crescimento das plantas e reduz ainda mais a demanda por água. Herbicidas de longa duração controlam ervas daninhas que, de outra forma, roubariam umidade e nutrientes das plantações, e permitem que os agricultores utilizem a agricultura sem plantio direto, que evita a fragmentação do solo, reduz a erosão, retém a umidade do solo e preserva os organismos vitais do solo.

Tecnologias desenvolvidas em Israel tornam possível cultivar uma incrível variedade de plantações nos desertos de Negev e Arava, que recebem uma fração da precipitação anual que o Arizona recebe. Usinas de dessalinização transformam água do mar em 80% da água potável de Israel, reduzindo drasticamente a pressão sobre o Mar da Galileia, reservatórios artificiais e suprimentos de água subterrânea. Os israelenses então reciclam 90% da água de suas casas, empresas, escolas e hospitais – para uso na agricultura, onde a irrigação por gotejamento fornece quantidades precisas de água exatamente onde as plantações e outras plantas precisam, minimizando a evaporação.

O ódio deles por culturas biotecnológicas é intenso e bem documentado. Mas muitos também desprezam sementes híbridas. Eles querem que herbicidas e inseticidas modernos sejam banidos, em favor de alternativas ‘naturais’ – que são frequentemente tóxicas para abelhas, peixes, outros animais e pessoas e não foram testadas para danos de longo prazo aos humanos. Em termos simples, a Agroecologia se opõe veementemente à biotecnologia, à agricultura de monocultura, aos fertilizantes não orgânicos, aos pesticidas químicos e até mesmo aos equipamentos mecanizados e às sementes híbridas. A procura por agricultura orgânica ou de subsistência em todo o mundo devastaria a natureza e a nutrição”.

Na realidade, as conclusões a que chegaram os participantes do Fórum Econômico Mundial carecem tanto de lógica que já se começa a concluir que o que há por trás da dita agroecologia não é a preocupação com o meio ambiente, mas sim com o crescimento populacional incontrolável provocado por dois vilões – os combustíveis fosseis e os defensivos agrícolas. A grande meta é que a humanidade regrida às épocas onde o crescimento da população humana era controlado pela fome.

A previsão da ONU é que em 2050 chegaremos à 10 bilhões de habitantes e que a população crescerá com maior velocidade ou alguém imagina que a reprodução humana estancará neste ano. Os líderes de Davos têm razão em se preocupar, vivemos em 1/3 do planeta, o resto é água e o dividimos com desertos, pântanos, florestas, vulcões e montanhas. O problema é que ninguém encontrou ainda uma solução que não envolva a morte de pessoas pela fome ou pelas guerras. O raciocínio dos salvadores da humanidade não consegue ultrapassar a citação abaixo.

“Então a menininha disse à ‘fessora’: Meu irmão acha que é uma galinha. A professora respondeu: Oh, Deus do céu! O que é que vocês estão fazendo para ajudar o pobre menino? A menininha respondeu: Nada. Mamãe diz que a gente tá precisando de ovos.”- anônimo.

*Consultor em Agronegócio

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

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O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

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