Brasil

Agrotóxicos: 9 toneladas de químicos proibidos pela UE caíram de ponte no Rio Tocantins

Da Revista Fórum

O colapso da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, com a queda de caminhões carregados de substâncias químicas perigosas no rio Tocantins, configura um dos maiores desastres ambientais da região. Foram liberados 25,2 mil litros de pesticidas e 76 toneladas de ácido sulfúrico, incluindo o altamente tóxico herbicida 2,4-D.

Em entrevista ao portal Brasil de Fato, o professor Danilo Rheinheimer dos Santos, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), autoridade em análise de agrotóxicos em água, disse que os impactos ambientais e à saúde decorrentes do incidente são significativos e de longa duração. “Produtos como o 2,4-D e o picloram impregnam nas rochas e nos biofilmes epilíticos do fundo do rio, contaminando tudo por anos.”

Além do 2,4-D, outros agrotóxicos altamente tóxicos foram derramados no rio Tocantins. Entre eles, destaca-se o acetamiprid, um neonicotinóide conhecido por sua alta toxicidade para abelhas e aves, e o picloram, que será proibido na União Europeia em 2028 devido à sua persistência no meio ambiente e seus riscos à saúde humana e aos ecossistemas.

A carga transportada pelos caminhões envolvidos no acidente era altamente tóxica, composta por diversos pesticidas. Entre eles, destacavam-se: 100 kg de acetampirid (inseticida neonicotinóide), 1.048 kg de picloram (herbicida) e 8.964 kg de 2,4-D (herbicida hormonal). No total, foram derramados 12.386 kg de princípios ativos perigosos.

“Os pesticidas não desaparecem simplesmente à medida que o rio segue seu curso. Eles se diluem, mas deixam um rastro. Mesmo 40 ou 50 quilômetros rio abaixo, as moléculas podem estar presentes, contaminando a fauna aquática e os organismos bentônicos, como moluscos e peixes”, diz Rheinheimer.

O herbicida 2,4-D, conhecido por sua capacidade de desregular o sistema hormonal e associado a casos de câncer, representa um grave perigo à saúde e ao meio ambiente. Proibido na União Europeia, essa substância química foi uma das principais causadoras dos impactos do desastre.

“Com o derramamento de quase 9 mil quilos desse veneno, os efeitos não serão localizados ou temporários. Estamos falando de algo que vai se impregnar nos sedimentos e permanecer ativo por muitos anos, talvez décadas”, também alertou Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo e membro da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida, ao Brasil de Fato.

Diante do risco iminente, o governo do Maranhão determinou a suspensão da captação de água nos municípios banhados pelo rio Tocantins. As prefeituras de Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO) alertaram a população sobre os perigos de contato com a água contaminada. A ANA iniciou o monitoramento da qualidade da água, mas “mesmo que o monitoramento aponte baixos níveis de contaminação agora, os resíduos estarão impregnados nos sedimentos, e os impactos continuarão a surgir ao longo do tempo”, advertiu Rheinheimer.

Queda da ponte entre MA e TO

O acidente ocorreu na tarde do domingo (22) na ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que liga os estados do Maranhão e Tocantins e até o momento quatro mortes foram confirmadas e 13 seguem desaparecidos. O desabamento da ponte resultou na queda de pelo menos oito veículos no rio, incluindo três caminhões carregados com cerca de 25 mil litros de defensivos agrícolas e 76 toneladas de ácido sulfúrico, uma combinação letal de substâncias químicas.

 

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