A produção de alimentos supera tudo
A produção de alimentos deve ser defendida dos projetos de energia verde
Gil Reis*
Finalmente o governo americano se convence que em um mundo cada vez mais carente de alimentos é preciso proteger a sua produção dos inimigos, principalmente dos projetos de energia verde que destroem terras agricultáveis. Fica cada vez mais claro que ‘descobrir um santo para cobrir outro’ não é a solução mais inteligente ou viável.
O site Daily Caller News Foundation publicou, em 8 de setembro de 2025, a matéria “Alimentos superam energia verde, eólica e solar” de autoria de Bonner Cohen, Ph. D., analista sênior de políticas do Comitê para um Amanhã Construtivo (CFACT), que transcrevo trechos.
“Não aprovaremos a destruição dosagricultores pela energia eólica ou da energia solar’, disse o presidente Trump em uma publicação de 20 de agosto no Truth Social. ‘Os dias de estupidez acabaram nos EUA!!!’ Os comentários de Trump ocorreram seis semanas após a promulgação de seu Projeto de Lei One Big Beautiful, que encerrou os créditos fiscais para projetos eólicos e solares até o final de 2027.
O governo Trump também emitiu uma ordem de paralisação das obras do projeto Revolution Wind, um projeto eólico offshore em escala industrial a 19 quilômetros da costa de Rhode Island, que estava 80% concluído. Em seguida, o Departamento de Transportes anunciou, em 29 de agosto, que cortaria cerca de US$ 679 milhões em financiamento federal para 12 parques eólicos offshore em 11 estados, classificando os projetos como ‘desperdícios’.
Enviando uma mensagem inequívoca aos investidores para que evitem arriscar seu capital em energia verde que já não está na moda, o Departamento de Agricultura (USDA) está encerrando uma série de programas de financiamento para energia eólica e solar.‘Nossas terras agrícolas de primeira qualidade não devem ser desperdiçadas e substituídas por painéis solares verdes subsidiados pelo New Deal’, disse a Secretária da Agricultura, Brooke Rollins, em visita ao Tennessee no final de agosto. ‘Não permitiremos mais que empresas usem o dinheiro dos contribuintes para financiar projetos solares em terras agrícolas americanas de primeira qualidade, e não permitiremos mais que painéis solares fabricados por adversários estrangeiros sejam usados em nossos projetos financiados pelo USDA.’
A Casa Branca está pressionando um setor que dificilmente pode se dar ao luxo de perder os privilégios de que desfruta há tantos anos. Reconhecendo a hesitação dos investidores em financiar projetos de energia verde com a iminente eliminação gradual dos subsídios federais, James Holmes, CEO da Solx, fabricante de módulos solares, disse ao The Washington Post: ‘Estamos observando uma certa paralisia na tomada de decisões no mundo das construtoras neste momento’. Ele acrescentou: ‘Houve um golpe bastante significativo em nosso setor, mas vamos superar isso’.
Isso pode não ser fácil. De acordo com a SolarInsure, empresa que monitora o desempenho comercial da indústria solar nacional, mais de 100 empresas do setor declararam falência ou fecharam em 2024 — um ano antes de o segundo governo Trump começar a pressionar o setor.À medida que as empresas de energia eólica e solar enfrentam um clima comercial e político cada vez mais desfavorável, a energia verde também está sendo afetada por sua rede global de suporte financeiro.
A Aliança Bancária Net Zero (NZBA), apoiada pelas Nações Unidas, ‘suspendeu suas atividades após a saída de inúmeras instituições financeiras de suas fileiras em meio à pressão política do governo Trump’, informou o The Wall Street Journal. Fundada em 2021, os 120 bancos da NZBA, em 40 países, foram um elemento formidável nos programas globais de descarbonização, que incluíam apoio à energia eólica e solar. Entre os bancos americanos que partiram após a eleição de Trump estavam JP Morgan, Citi e Morgan Stanley. Mais recentemente, juntaram-se a eles os pesos pesados europeus HSBC, Barclays e UBS.A energia eólica e solar exigem muito capital inicial, e os investidores podem estar reconsiderando apostar no que parece ser um cavalo perdedor.‘A energia eólica e solar são diluídas, intermitentes, frágeis, intensivas em superfície, extensivas em transmissão e dependentes do governo’, observa Robert Bradley, fundador e CEO do Instituto de Pesquisa Energética.
Dadas essas desvantagens inerentes à energia eólica e solar, não é surpresa que o Departamento de Agricultura esteja restringindo o fluxo de dinheiro dos contribuintes para projetos solares. A missão do USDA é ‘liderar alimentos, agricultura, recursos naturais, desenvolvimento rural, nutrição e questões relacionadas…’. Não se trata de ajudar a sustentar uma indústria cujos melhores dias já passaram.A partir de agora, projetos eólicos e solares não serão mais elegíveis para o Programa de Empréstimos Garantidos para Negócios e Indústria de Desenvolvimento Rural (B&I) do USDA. Um segundo programa de empréstimos garantidos para energia do USDA, conhecido pela sigla REAP, passará a exigir que as instalações eólicas e solares em fazendas e ranchos sejam ‘dimensionadas corretamente para suas instalações’.
Se as solicitações de projetos incluírem sistemas solares fotovoltaicos montados no solo com mais de 50 quilowatts ou sistemas que ‘não possam documentar o uso histórico de energia’, eles não serão elegíveis para o REAP.‘Por muito tempo, burocratas de Washington e adversários estrangeiros tentaram ditar como usamos nossas terras e nossos recursos’, disse a deputada republicana Harriot Hagermann, de Wyoming. ‘Os contribuintes jamais deveriam ser forçados a financiar golpes do New Deal Verde que destroem nossas terras agrícolas e minam nossa segurança alimentar.’
A citação de ‘adversários estrangeiros’ feita por Hagermann é uma clara referência à China, que é de longe o maior fabricante mundial de painéis solares, de acordo com a Agência Internacional de Energia.De acordo com um estudo do USDA de 2024, 424.000 acres de terras rurais abrigavam turbinas eólicas e painéis solares em 2020. Embora esse número — desatualizado — represente menos de 0,05% dos quase 900 milhões de acres de terras agrícolas nos EUA, a perspectiva de quantidades cada vez maiores de terras agrícolas sendo retiradas da produção de alimentos em tempo integral para dar suporte à energia em tempo parcial foi suficiente para persuadir o USDA de que uma mudança de curso era necessária.”
Talvez seja melhor encerrar este artigo apenas com as afirmativas de um anônimo:
“Talvez alguns perguntem: porque programas supremacistas da ONU? A resposta é muito simples, é que alguns programas da ONU, que posa de senhora do mundo, pregam nas entrelinhas, muitas vezes também clara e desabridamente, a falsa supremacia da civilização europeia em alguns programas em termos de direitos humanos, aquecimento global, ciência e outros mais. A postura da ONU em apoio à supremacia da civilização europeia chega a ser um acinte que se configura em um grande bullying mundial, tentando desmerecer as demais civilizações. Pasmem todos, o ‘parlamento europeu’ se atreve a ditar regras para os demais países. Existe algum acordo internacional nomeando a União Europeia e seu parlamento como xerifes do planeta?”
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

