Copiloto suicida
Gil Reis*
Lamentavelmente o planeta terra está ficando cada vez mais inseguro para a vida humana. Não estou me referindo à cataclismos ou outras desgraças climáticas ou, ainda, eventos cósmicos e sim a própria convivência entre os seres humanos.
Sobre o assunto a Reuters publicou, em 1 de outubro de 2026, a matéria “Netanyahu, de Israel: Copiloto de avião da flydubai sofreu doutrinação islâmica radical”, assinada por Alexander Cornwell e Maayan Lubell, que transcrevo trechos:
“O copiloto de um avião de passageiros que esfaqueou o capitão em uma aparente tentativa de derrubar a aeronave durante um voo para Israel havia sido submetido a doutrinação islâmica radical e era claramente suicida, disse o primeiro-ministro de Israel nesta quinta-feira.
Na quarta-feira, um desastre foi evitado no voo FZ1073 da flydubai, de Dubai para Tel Aviv, depois que o capitão ferido conseguiu destrancar a porta da cabine de comando, permitindo que os passageiros imobilizassem o agressor. Uma tripulação reserva que estava a bordo pousou a aeronave, que transportava mais de 170 pessoas, no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita.
‘Sabemos que ele foi submetido a doutrinação radical islâmica. Isso parece ser algo que estamos obtendo de suas informações pessoais’, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em entrevista à Fox News.
Dois oficiais de segurança israelenses disseram que a avaliação inicial de Israel era de que o copiloto, identificado por Israel como um cidadão omanita, provavelmente agiu sozinho, embora a investigação ainda estivesse em andamento.
Segundo o site de rastreamento de voos Flightradar24, o voo caiu mais de 4.200 metros em menos de 30 segundos durante o incidente, enquanto sobrevoava a Arábia Saudita em sua rota dos Emirados Árabes Unidos para Israel.
Netanyahu afirmou que estava claro que o copiloto tinha tendências suicidas.
‘Parece muito provável que ele pretendesse derrubar o avião’, disse Netanyahu. Somado a ‘as tendências islamistas, a radicalização que se verifica em seu passado, acho que isso é…. uma pista bastante convincente’, afirmou, sem dar mais detalhes.
‘Mas, novamente, ainda não tirei conclusões definitivas. Mas esses são os indícios que temos agora’, acrescentou.
Os Emirados Árabes Unidos iniciaram investigações para apurar as circunstâncias e os motivos e determinar ‘se o incidente esteve ligado a alguma atividade ou propósito terrorista, ou se envolveu planejamento ou direção prévios’, informou a agência de notícias estatal dos Emirados Árabes Unidos na quinta-feira.
O agressor foi identificado como cidadão omanita.
O enviado de Israel aos Emirados Árabes Unidos, Yossi Shelley, disse à Reuters que era muito cedo para tirar conclusões e que nenhum motivo havia sido determinado.
Outro funcionário israelense afirmou que Israel não estava recebendo todas as informações solicitadas pelos sauditas e que os serviços de inteligência israelenses, Mossad e Shin Bet, também estavam investigando o incidente.
No primeiro pronunciamento do governo saudita sobre o incidente, o Ministério do Interior afirmou, em comunicado, que o capitão e o copiloto, ambos atendidos em um hospital devido aos ferimentos, partiram para Abu Dhabi na manhã de quinta-feira, após receberem alta médica. A Arábia Saudita informou ter conduzido a investigação preliminar em conjunto com equipes de segurança dos Emirados Árabes Unidos.
O comunicado saudita também afirmou que a investigação inicial indicou que o copiloto agrediu o capitão, forçando o avião a fazer um pouso de emergência em Tabuk.
Com o copiloto agora nos Emirados Árabes Unidos, os investigadores israelenses ‘podem agora juntar-se à equipe de investigação dos Emirados Árabes Unidos e obter informações precisas sobre quais eram os seus motivos, quem estava por trás dele e quais eram os seus planos’, disse David Mencer, porta-voz de Netanyahu, à Fox News.
Netanyahu identificou o agressor como um cidadão omanita. As autoridades omanitas não se pronunciaram.
‘Temos restrições que dizem que não podemos ter pilotos de países que não têm relações diplomáticas com Israel. Então, obviamente, ele conseguiu contornar isso’, disse Netanyahu à Fox.
Questionado se havia algum indício de envolvimento iraniano, Netanyahu disse que era muito cedo para afirmar. Não houve nenhuma menção oficial por parte de Israel sobre o envolvimento do Irã. Os dois oficiais de segurança israelenses disseram que Israel não havia identificado nenhum envolvimento iraniano até o momento.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou na quarta-feira que as informações preliminares de Israel indicavam que o copiloto tinha a intenção de derrubar o avião, descrevendo-o como um terrorista, embora Netanyahu tenha se limitado a descrever o incidente como ‘um grave problema de segurança’.
A missão permanente do Irã em Genebra não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters.
TEMORES DE SEGURANÇA ANTECEDENTES ÀS ELEIÇÕES ISRAELENSES
O incidente aumentou os temores de segurança em Israel semanas antes das primeiras eleições desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, com a segurança de Israel desempenhando um papel importante na campanha.
Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã em fevereiro, em um conflito que rapidamente se espalhou para o Golfo e o Líbano, onde Israel luta contra o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã.
Netanyahu e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, elogiaram o capitão do voo FZ1073 e cidadão indiano, Smit Machchhar, chamando-o de herói.
O piloto estava se recuperando bem, informou a embaixada indiana nos Emirados Árabes Unidos no canal X.
Israel também elogiou os passageiros que conseguiram conter o agressor.
Yaniv Hayun, um dos homens que incapacitou o agressor, descreveu a corrida para a cabine de comando enquanto o avião mergulhava de nariz.
‘Retiramos o agressor, eu o retirei. Depois que o retirei, assumimos o controle do avião, puxei o manche (controle de direção do avião) e endireitei um pouco a aeronave’, disse ele a repórteres após seu retorno a Israel na quarta-feira”
A expressão ‘O homem é o lobo do homem. ’ A frase atribuída a Thomas Hobbes costuma ser evocada como síntese de sua filosofia política, muitas vezes de forma simplificada. Lida com atenção, ela não descreve uma natureza humana intrinsecamente violenta, mas uma situação histórica e política específica: a convivência entre indivíduos quando faltam regras comuns capazes de organizar a vida coletiva. O conflito, em Hobbes, não nasce da perversidade, mas da desordem.
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

