“15 dias de ativismo pelo empoderamento da mulher rural” promove sustentabilidade

a campanha mulheres
Mobilização nas redes sociais usará hashtags #mulheresrurais e #mujeresrurales –  Sead

O Brasil aderiu à iniciativa internacional “15 dias de ativismo pelo empoderamento das mulheres rurais”, desenvolvida por meio da campanha #MujeresRurales, mujeres con derechos.

A proposta visa difundir os principais Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2030 e a forte ligação da atuação da mulher rural para o cumprimento das metas. A campanha vai até 15 de outubro, data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Rural.

A iniciativa terá mobilização nas redes sociais. A participação na campanha poderá ser feita e acompanhada com as hashtags #mulheresrurais e #mujeresrurales – o termo em espanhol será usado pelos participantes dos outros países latinos e também deverá ser compartilhado pelos brasileiros.

A ação trabalhará com a divulgação de um objetivo por dia para disseminar as principais conquistas das mulheres no campo. Entre os principais avanços a serem abordados, estão a erradicação da pobreza, a educação de qualidade e a igualdade de gênero.

Um dos principais objetivos do ODS é reduzir substancialmente o número de mortes e doenças por produtos químicos perigosos, contaminação e poluição do ar e água do solo.  As mulheres rurais são consideradas essenciais para atingir essa meta, por serem protagonistas em técnicas de produção orgânica e agroecológica.

Segundo a organização do concurso nacional “Vozes, imagens, histórias e experiências das mulheres rurais”, realizado no mês passado pela campanha #MulheresRurais, mulheres com direitos, mais de 80% das participantes descobriram os benefícios da agroecologia e fomentam a prática em suas comunidades.

“Guardiãs das sementes”

Esse é caso da agricultora familiar Armenzinda da Silva Firmino, moradora do assentamento Padre Jesus, na comunidade de Vargem Alegre, em Espera Feliz (MG). De uma família de 13 filhos, ela só conseguiu estudar depois dos 16 anos, pois ajudava os pais no campo e nos cuidados com os irmãos:

– Voltei para a quinta-série junto com os adolescentes e, quando começou a Escola de Jovens e Adultos, terminei o segundo grau. Depois disso, consegui levar duas filhas que também não tinham estudado e hoje, uma vez por semana, ensino outras agricultoras a ler e a escrever.

Com o ensino, ela notou que o campo precisava de mais atenção e cuidado. Junto com outras 20 mulheres, formou o grupo “Raízes da Terra”. A comunidade reuniu esforços e iniciou o trabalho de agroecologia na região:

– A gente tinha na cabeça que ser mulher era ser menos que os homens. Eu não valorizava o meu trabalho, não tinha um planejamento da terra, das frutas, plantas medicinais que tinha no terreno. Com o grupo comecei a me envolver mais e tudo melhorou – conta Armenzinda.

Desde então, as mulheres que moram na Zona da Mata se tornaram “guardiãs das sementes”, como gostam de ser chamadas:

– Em quase toda casa que você chegar tem uma mulher secando e guardando semente para plantar e trocar. Hoje eu pratico o que é para o bem-estar, porque a vida não é para ser escravizada ou para ser engolida, é para ser vivida com dignidade –, diz agricultora familiar.

Experiências compartilhadas

A campanha é promovida pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). A Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (Reaf) e outros organismos compartilharão experiências, estratégias e iniciativas já adotadas para impulsionar a promoção dessas mulheres nos países da América Latina e Caribe.

No Brasil, a campanha é liderada pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), que também coordena a Reaf no país neste segundo semestre.

Da redação, com Rafaella Feliciano (Sead)

 

 

 

 

AGROEMDIA

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