Carne Fraca pode atrasar ainda mais acordo entre Mercosul e União Europeia

a carne fraca
Agência Brasil

Depois de levar vários mercados a barrar temporariamente a entrada da carne brasileira, a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, pode servir como pretexto para arrastar ainda mais a já prolongada negociação de acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Isso porque a França e outros países europeus pretendem incluir a sanidade animal entre os temas do tratado.

A Carne Fraca foi deflagrada em março deste ano pela PF para apurar casos de corrupção envolvendo frigoríficos e fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura.  De acordo com o novo embaixador da França no Brasil, Michel Miraillet, a investigação, que teve inclusive prisões, aumentou a preocupação dos europeus em relação à sanidade animal.

Miraillet adiantou, segundo o jornal Valor, que o assunto deve ser discutido na reunião do Conselho Europeu em novembro ou dezembro. O colegiado define as diretrizes e prioridades da União Europeia e é formado por chefes de Estado, de governo, o presidente da Comissão Europeia e a alta representante para Negócios Estrangeiros e Política de Segurança.

O embaixador afirmou ainda que os europeus têm interesse num acordo com o Mercosul, “mas não a qualquer custo.” Além de interesse em ampliar exportações de produtos agrícolas para o Brasil, os europeus reclamam de barreiras não tarifárias e cobram mais concessões nos setores industriais e de propriedade intelectual, por exemplo.

Os sul-americanos, por sua vez, ficaram frustrados não apenas com as cotas oferecidas pela UE de 600 mil toneladas por ano com tarifas para etanol e de 70 mil toneladas por ano sem tarifas para a carne bovina, mas também com o que consideraram falta de um roteiro claro para fechar um acordo nos próximos dois meses.

Reunião em Buenos Aires

O fechamento de um consenso em torno desses dois produtos da pauta agrícola, informa o Valor, é considerado crucial para que o acordo como um todo prospere, antes que outras questões como a sanitária, por exemplo, sejam levantadas.

A UE chegou a definir a próxima reunião ministerial entre os dois blocos, que acontecerá em Buenos Aires, em dezembro, como meta para mais uma tentativa de conclusão definitiva do acordo.

Até agora, a questão sanitária não é apontada como obstáculo ou tema de difícil concordância entre europeus e sul-americanos.

No entanto, a simples possibilidade de os europeus virem a formalizar na mesa de negociações uma velha ideia defendida por eles de exigirem um pacote de regras sanitárias mais genéricas, válidas por bloco, causa desconforto no Mercosul. Da forma como funciona hoje, as questões sanitárias e fitossanitárias são negociadas no âmbito bilateral e não “regionalmente” como já defendeu a UE.

“A gente só fica com receio de que a regionalização das regras sanitárias fragilize os acordos internacionais que existem hoje, mas antes dessa discussão acontecer achamos que precisa avançar a pauta agrícola”, diz uma fonte do Mercosul.

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: