Produtores de leite do RS protestam contra Nestlé e Lactalis

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Fotos: Divulgação/Fetag-RS

Cerca de 3 mil produtores de leite do Rio Grande do Sul saíram às ruas nesta sexta-feira (24) para manifestar seu descontentamento com os governos e as indústrias em razão da crise vivida pela setor. Os protestos – organizados pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no RS (Fetag-RS) e sindicatos de trabalhadores rurais – ocorreram nas imediações das unidades da Lactalis, em Teutônia, e da Nestlé, em Palmeira das Missões.

De acordo com a Fetag-RS, cerca de 20 mil famílias de produtores gaúchos já desistiram da atividade leiteira neste ano por causa da crise. Em nota, as entidades dizem que “os sobreviventes atenderam ao chamado da Fetag e dos sindicatos dos trabalhadores rurais para impedir que esse número cresça ainda mais.”

Depois de se reunir com a gerência da Lactalis, acompanhado de lideranças, o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, disse que haverá uma reunião dia 5 de dezembro, às 9h, em Porto Alegre, para debater saídas para a crise. O encontro terá a participação da Lactalis, do  Sindilat e da Universidade de Passo Fundo (UPF).

“Vamos ver como poderemos trabalhar de forma conjunta daqui para frente, prevendo um contrato entre produtor e indústria e a garantia de preço antecipado à entrega da produção”, ressaltou Carlos Joel. Ele também quer que a indústria reduza o prazo de pagamento do produto, que hoje é de 45 dias. “Achamos que esse prazo pode ser reduzido para cinco dias úteis.”

Em Palmeira das Missões, o secretário-geral da Fetag-RS,   frente Pedrinho Signori, e a tesoureira-geral da entidade,    Elisete Hintz, entregaram as reivindicações do setor à gerência da Nestlé.

Segundo a Fetag-RS e os sindicatos do trabalhadores rurais, as mobilizações visam denunciar à sociedade as distorções do livre mercado do Mercosul e as empresas que fazem concorrência desleal importando lácteos e usufruindo de benefícios fiscais concedidos pelo Estado.

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Pagando para produzir

As entidades criticam ainda a ineficácia do governo na solução dos problemas dos produtores de leite. Para elas, a situação poderia ser resolvida, em parte, via compras institucionais pelos governos.

Conforme Pedrinho Signori, nos últimos meses, o produtor está trabalhando com muito prejuízo, ou seja, vem pagando para produzir.

“A mobilização nestas duas cidades fecha um ciclo, já que a Nestlé e Lactalis são as indústrias que mais captam leite no mundo”, enfatizou Pedrinho Signori. “Essas empresas recebem milhões em isenção fiscal aqui no RS e compram muito leite no Uruguai. Isso é um verdadeiro desserviço social.”

O secretário-geral da Fetag-RS acrescentou: “Recebem [a Nestlé e Lactalis] incentivos governamentais e, em vez de contribuir com a cadeia leiteira, jogam o preço ao produtor ainda mais para baixo. Esse fato levou mais de 20 mil produtores gaúchos a desistirem da atividade em decorrência do preço estar menor do que o custo de produção.”

 

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