Sistema de Produção Integrada: alimento saudável e natureza preservada

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Cadeia produtiva da maçã trabalha com produção –  Foto: Giovani Cafra/Embrapa

Dr. Waldir L. Roque*

A crescente demanda mundial por alimentos vem impondo uma produção em larga escala e isso gera diversos problemas de natureza ambiental e, sobretudo, na qualidade dos alimentos que são comercializados e chegam à sua mesa. Um desses problemas é o excessivo uso de fertilizantes, herbicidas e defensivos agrícolas para o manejo do solo, controle de ervas daninhas e controle de doenças e pragas que atingem a cultura.

O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, correspondendo a cerca de 19% do consumo mundial. Embora haja uma legislação rigorosa sobre o uso de agrotóxicos, o controle efetivo pelo Estado é baixo e a capacitação e conscientização de proprietários e trabalhadores rurais para emprego destes produtos ainda são muito pequenas.

Por outro lado, a pressão de consumidores por produtos mais saudáveis e com qualidade vem modificando este quadro com o surgimento de formas alternativas de produção de alimentos, tanto de natureza vegetal quanto animal.

Os cultivos orgânicos são uma forma de produção que já é bem conhecida por grande parte da população e usa técnicas que evitam o uso de agrotóxicos. Nos últimos anos, vem crescendo o chamado sistema de Produção Integrada (PI), que é um processo bastante sério de produção de alimentos, visando uma produção saudável e com qualidade, por meio da isenção ou minimização da aplicação de insumos e contaminantes, com a preservação do meio ambiente, sustentabilidade e socialmente justo.

A PI no Brasil é regida por uma legislação própria e todos os processos, desde a escolha das mudas e formas de propagação até a distribuição final ao consumidor, são monitorados e rastreados de modo a se ter um controle efetivo da qualidade e sanidade do alimento.

As propriedades que seguem os preceitos da PI são auditadas para obtenção de certificação da conformidade. A PI segue as Boas Práticas Agrícolas (BPA) e o uso de defensivos só é permitido quando a cultura alcança o nível de dano econômico atestado por um técnico em PI, mesmo assim a utilização será criteriosa e obedecendo ao limite máximo de resíduos (LMR) para a cultura específica.

A PI vem sendo adotada em diversos países e no Brasil está sendo implementada em diversas culturas de frutas e verduras, além de produtos agropecuários. Os custos atuais de produção da PI ainda são, em geral, mais elevados, o que faz com que os produtos cheguem ao consumidor com um preço um pouco superior. Entretanto, com o aumento da produção através da PI, os preços se tornarão mais competitivos e com alta qualidade e segurança alimentar.

*Consultor em Produção Integrada

AGROemDIA

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