Irrigação é crucial para elevar produtividade agrícola do país, diz dirigente da Abimaq

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Foto: João Luiz/Secretaria da Agricultura do Estado de S.Paulo

A agricultura irrigada é, hoje, uma alternativa poderosa para o aumento da produtividade, condição indispensável para o Brasil se consolidar como o maior produtor mundial de alimentos, como prevê a FAO, agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

Essa foi uma das conclusões da palestra de Marcus Henrique Tessler, presidente da Câmara Setorial de Equipamentos para Irrigação (CSEI), da Associação Brasileira da Indústria de Maquinas e Equipamentos (Abimaq), na Secretaria da Agricultura de São Paulo.

Intitulada “Uso Racional da Água na Agricultura”, a palestra reuniu cerca de 60 pessoas, nessa terça-feira (30).

Segundo Tessler, o mercado nacional de equipamentos para irrigação está cada vez mais profissional. “O Brasil, com cerca de 6 milhões de hectares irrigados e expansão anual estimada em 200 mil hectares, oferece grande oportunidade para que a irrigação ganhe cada vez mais relevância.”

“Além disso, novos cultivos começam a ser irrigados em escala produtiva”, assinalou o dirigente da CSEI. “Os métodos modernos de irrigação, sobretudo os que envolvem controle e monitoramento, vieram para ficar, e as empresas do segmento têm mantido ritmo constante de investimento nas novas tecnologias.”

O presidente da CSEI afirmou ainda que o poder público precisa gerenciar as bacias hidrográficas de maneira a estimular e facilitar os processos que envolvem a irrigação.

“É necessário intensificar a divulgação de uma agenda positiva que apresente a irrigação como aliada do crescimento, do progresso, da sustentabilidade ambiental e voltada para auxiliar o desafio de produzir cada vez mais alimentos para o mundo”, disse Tessler.

O grande empenho da indústria de equipamentos para irrigação, acrescentou ele, é “fazer mais com cada vez menos recursos”, uma vez que em diversas regiões, sobretudo no Nordeste, deve se acentuar a carência de água, com a consequente disputa pelo insumo, especialmente em relação à geração de energia.

Padrão tecnológico

O palestrante iniciou sua apresentação lembrando que o Brasil tem hoje um padrão tecnológico que em nada fica devendo aos demais países, incluindo Israel e os Estados Unidos, referências na área.

Enfatizou também que o tema da água deve ganhar cada vez mais atenção, pois, segundo estimativas da FAO, até 2050, a demanda mundial pelo insumo deve crescer 40%.

“A irrigação é uma aliada decisiva na preservação desse recurso, uma vez que cerca de 90% da água utilizada no processo de irrigação retorna para a natureza, seguindo o conhecido Ciclo Hidrológico”, observou Tessler.

Por causa dessa situação de constante deficiência de água, informou ele, as indústrias do segmento trabalham e investem cada vez mais para aumentar a eficiência dos sistemas de irrigação.

“Desde os anos de 1990, quando surgiram as primeiras empresas do setor no Brasil, tem havido um intenso processo de profissionalização, com um nível de consolidação e de estruturação que tem possibilitado excelentes resultados, tanto na eficiência do uso da água quanto no aumento da produção agrícola”, lembrou.

Entre alguns exemplos do incremento na produção, Tessler recordou que o aumento da produção de café chega a 55% quando se compara uma área não irrigada com uma irrigada. Na primeira, a produção média por hectares chega a 40 sacas, contra 62 na irrigada. Ganhos semelhantes foram constatados também em outras culturas.

Para o dirigente da Abimaq, com as modernas e sofisticadas tecnologias desenvolvidas no agronegócio brasileiro, a tendência é o segmento de irrigação contribuir cada vez mais para o uso racional da água na agricultura e também para melhoria da produtividade.

“O desenvolvimento de sensores sofisticados, que indicam o tempo ideal de fazer a irrigação, a conexão das informações no ambiente da nuvem, o desenvolvimento de novos materiais e compostos aplicados nos equipamentos, a otimização do uso de satélites e de drones, a aplicação conjunta de água e fertilizantes, assim como uma maior interação entre fabricantes, academia e consultores, devem incrementar o que se começa a classificar como Irrigação Inteligente.”

Com tudo isso, completou Tessler, a irrigação cada vez mais se firma como solução para o aumento da produção de alimentos, garantindo segurança alimentar para um mundo carente de alimentos.

Na abertura da palestra, o secretário da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim, destacou a parceria com a CSEI da ABIMAQ, estabelecida, sobretudo, a partir da crise hídrica vivida pelo estado.

“Acredito que o próximo grande salto na produção com aumento da produtividade da agricultura brasileira deverá vir por meio do uso intenso de tecnologia na irrigação”, ressaltou o secretário.

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