Washington Luís Paim, o gaúcho do churrasco em Brasília

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Fotos: Eliane Santos/AGROemDIA

Ele carrega o nome de um ex-presidente do Brasil, mas vê a política com desapontamento. Washington Luís Munhoz Paim, 63 anos, gosta mesmo é da vida campeira e da música gauchesca. Há 18 anos, Paim deixou Alegrete (RS) para morar em Brasília. Porém, não abandonou a bombacha, o chapéu de aba larga nem os apetrechos para a lida do churrasco. Na capital federal, virou o Gaúcho do Churrasco, responsável pelo assado de festas e eventos de brasileiros de todas as querências.

“Eu era capataz de estância, cuidava de mil cabeças de gado e 500 ovelhas”, conta Gaúcho, primo de Wilson Paim, uma das vozes mais conhecidas da música tradicionalista gaúcha. Para matar a saudade da vida campeira, faz churrascos pela cidade. Ele diz que veio para Brasília por causa da mulher e da filha, ambas gaúchas, e começou a trabalhar como assador em 2001. Hoje, tem uma clientela que contrata seus serviços todos os sábados e domingos, às vezes ao meio-dia e à noite.

“Quando vim pra cá, chorei um ano pra voltar. Agora, choro dois anos para não ir mais, não desfazendo, né”, diz Gaúcho, satisfeito com o trabalho de assador, que acumula com o de empreiteiro de obras. Além de Brasília, ele é chamado para fazer churrasco em cidades goianas “Já fui a Goiânia, Catalão, Cocalzinho, São João da Aliança. Vou onde me chamam. Numa dessas vezes, fiz um churrasco pra 600 pessoas.”

Contratado para fazer o churrasco numa festa surpresa de aniversário nesse domingo (18), num clube do Lago Sul, quando conheceu por acaso a equipe do AGROemDIA, Gaúcho ressalta que há diferença entre a carne bovina do Centro-Oeste e a do pampa. “Aqui, como o gado é mais magro, a carne é um pouco seca. Lá, o boi é gordo, e a carne mais gordurosa”, assinala, sem se descuidar do assado na churrasqueira.

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A diferença não está só na carne, mas também no modo de servir, acrescenta Gaúcho. “O pessoal de Brasília gosta de carne picadinha. Por incrível que parece, quem me ensinou isso aqui foi um baiano com que trabalhei num restaurante. Uma vez, fui picar a carne num churrasco na casa do meu filho, em Alegrete, e quase me botam para fora”, lembra, sorrindo, o assador, que trouxe do RS outra paixão: o Grêmio, o Imortal Tricolor.

Quase sempre trabalhando solito – “só nas festas maiores chamo dois garçons para trabalhar comigo e com a minha mulher” –, Gaúcho considera bom o mercado de Brasília para assador em festas e eventos. “Aconselho quem quiser vir para cá trabalhar como churrasqueiro.”

Hoje, Washington Luís também tem um buffet. “Além do churrasco, faço carreteiro, mocotó e feijoada.” Com isso, ele pode ser contratado tanto como assador como encarregado por todo o churrasco, desde a escolha da carne à mesa do cliente. “Quem quiser fazer contato comigo é pelo e-mail gauchochurrasco@gmail.com ou pelo fone 981057863.”

Avô de dois netos, Gaúcho quer agora aproveitar as horas vagas para aprender a tocar gaita. “Já comprei uma gaita de 120 baixos e acertei com o professor”, revela, lembrando que o pai era gaiteiro lá pelas bandas do Alegrete. “Eu, até hoje, só toco boi no campo.” Por enquanto.

AGROemDIA

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