Custos de produção e Mercosul pautam debate sobre Plano Agrícola no RS

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Foto: AgroEffective/Divulgação

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz Araújo, lideranças do setor rural gaúcho e parlamentares se reuniram nesta segunda-feira (9), na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, para debater o Plano Agrícola e Pecuária (PAP) 2018/2019. O plano deverá contar, no mínimo, com R$ 188 bilhões – valor igual ao do ciclo 2017/2018 – para as operações de custeio, comercialização e investimento.

O debate foi promovido pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). As entidades do setor agrícola apresentaram ao secretário Wilson Araújo sugestões para o plano, que deve ser apresentado ainda neste primeiro semestre.

O vice-presidente da Federarroz, Alexandre Velho, falou sobre os problemas enfrentados pela cadeia produtiva do arroz e pediu ao governo agilidade na liberação das operações de Aquisições do Governo Federal (AGF).

Na semana passada, informou Alexandre Velho, o setor e o Banco do Brasil acertaram uma solução emergencial para o endividamento dos orizicultores, que deve ser fechada nos próximos dias. “É uma solução emergencial, mas paliativa, porque não resolve o endividamento no curto prazo.”

Outro ponto questionado pelo dirigente da Federarroz foi a disparidade do custo de produção e dos preços mínimos do arroz, que hoje estão em R$ 36,01 a saca de 50 quilos. A ideia é pedir uma revisão dos valores.

“É uma conjunção de fatores que precisamos trabalhar com o Ministério da Agricultura, como os custos de produção e os preços mínimos. Há uma defasagem no preço mínimo do arroz entre 10% e 15%, e a Companhia Nacional de Abastecimento [Conab] já têm os nossos argumentos”, disse Alexandre Velho.

Colheita de prejuízos

O vice-presidente da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB/RS), que conduziu o debate, apontou como uma das prioridades do Plano Agrícola e Pecuário a busca de solução para o problema das assimetrias do Mercosul, que afetam setores como os de arroz e de leite. Ele anunciou que tratará da questão em breve com os ministros que cuidam do assunto no bloco econômico.

Alceu Moreira também criticou o alto custo de produção das culturas agrícolas, o que está inviabilizando muitas lavouras pelo país. Afirmou que é impossível fazer planejamento sem renda.

“No caso do arroz, os custos de produção chegaram a uma desconformidade tão grande que o produtor joga a semente no chão e sabe que vai colher prejuízo. É preciso retirar os sócios ocultos, que são os tributos, dessa planilha de crédito. Somos o único setor que não consegue fazer compensação de crédito”, pontuou o deputado.

Wison Araújo reiterou que, mesmo com as dificuldades econômicas que o país vem enfrentando, o governo federal contará com recursos e um pacote de ferramentas para financiamento da safra. Sobre os custos de produção, concordou que é necessário esmiuçar as planilhas de projeções da Conab, de forma que a política agrícola identifique onde estão os gargalos.

Segundo o secretário de Política Agrícola, portaria liberando o AGF já foi encaminhada ao Ministério da Fazenda e deve ser divulgada ainda esta semana. “A portaria será liberada em breve e acredito que tudo estará operacionalizado já para a próxima semana”, enfatizou Wilson Araújo.

Entre outras entidades, participaram do debate o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Associações de Arrozeiros de Alegrete e Uruguaiana, Federação das Cooperativas de Arroz (Fearroz), Sindicato das Indústrias de Arroz do Rio Grande do Sul (Sindarroz), Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos (Arco), Federação das Cooperativas de Lã do Brasil (Fecolã), Conab e Embrapa.

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