Lideranças protestam contra ferrovia em territórios indígenas

 

Alessandra Korape denunciou agressões ao ecossistema do rio Tapajós
Alessandra Korape denuncia agressões ambientais – Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Durante seminário realizado nesta terça-feira (24) na Câmara dos Deputados para discutir a viabilidade da Ferrogrão, que deve ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA) e servirá para o escoamento de grãos, lideranças indígenas protestaram contra possíveis intervenções em seus territórios.

Promovido pela Comissão de Meio Ambiente, o evento debateu os “Dilemas e desafios para a sustentabilidade de uma grande obra de infraestrutura na Amazônia”.

Lideranças indígenas disseram que querem ser ouvidas logo, até para poderem argumentar contra a obra. Alessandra Korape, do povo Mundaruku, disse que as construções que já existem na região estão alterando o ecossistema local.

“Nós que temos que pescar, sair de madrugada, não pegamos nem dois peixes. Mas por que que tem só isso? Porque estão invadindo o Rio Tapajós, está cheio de portos. Tem que passar dois ou três dias agora pescando para sustentar os nossos filhos”, reclamou Korape.

Segundo as lideranças indígenas, 19 povos vivem na região da ferrovia e a obra vai ampliar o desmatamento porque será acompanhada de outras intervenções como estradas vicinais.

Leonardo Minaré, da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja), defende a construção da Ferrogrão e a melhoria das condições de escoamento de mercadorias no país.

De acordo com Minaré, a soja representa 14% das exportações do Brasil. Mas, enquanto o produto aqui é enviado para a China a 104 dólares a tonelada; nos Estados Unidos, o custo é de 56 dólares.

Viabilidade

Representante do governo garantiu às lideranças indígenas, no seminário, que elas serão ouvidas assim que houver certeza de que a obra tem viabilidade financeira. Tarcísio Freitas, da Presidência da República, afirmou que a Ferrogrão ainda não está definida, porque são necessários investidores privados que queiram colocar R$ 13 bilhões na obra.

“O problema todo é o seguinte: a Ferrogrão não é uma realidade ainda. E nós não sabemos se será. E toda vez que a gente vai à comunidade para dizer ‘vamos fazer isso, vamos fazer aquilo’, nós vamos criar expectativas. Nós vamos gerar expectativas. E não é interessante gerar expectativas sem ao menos saber se a obra vai sair.”

O deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) assinalou que é preciso evitar os erros da usina hidrelétrica de Belo Monte, construída em território paraense. “Altamira [no Pará] é a cidade mais violenta do mundo depois dos impactos gerados tragicamente, desastrosamente. Vinte e cinco ações do Ministério Público para tentar o quê? Mediar aquilo que estava sendo contratado, as condicionantes que foram acertadas simplesmente não foram cumpridas”, observou Jordy.

Da redação, com Agência Câmara Notícias

 

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