Amipa desenvolve novos agentes biológicos para controle de pragas

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Fotos: Amipa/Divulgação

A Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) está desenvolvendo, em sua Fábrica de Produtos Biológicos (Biofábrica), em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, mais dois agentes biológicos para controle de pragas em lavouras, que contribuirão para reduzir os prejuízos que afetam o bolso do produtor rural. A Embrapa estima que as perdas cheguem a R$ 55 bilhões por ano.

A Biofábrica da Amipa já desenvolveu e vem aplicando com sucesso a Trichogramma pretiosum, uma microvespa parasitoide inimiga natural de lagartas que atacam o algodoeiro e outras culturas. Agora, o trabalho se volta para o desenvolvimento de outros dois agentes biológicos: Telenomus podisi e Chrysoperla externa.

O primeiro se refere a uma espécie de vespinha parasitoide usada para controlar percevejos que atacam principalmente a soja. São eles o percevejo verde (Nezara viridula), o percevejo marron (Euschistus heros) e o percevejo verde pequeno (Piezodorus guildinii).

O segundo é um inseto predador que controla a invasão de lagartas, pulgões, cochonilhas e ácaros, entre outros, presentes em culturas como algodão, citros, milho, soja etc.

Conforme o diretor executivo da Amipa, Lício Pena de Sairre, os dois agentes estão em fase de estudo e multiplicação na Biofábrica. “A Chrysoperla já foi testada em campo algumas vezes com sucesso, já a Telenomus deve ir a testes até julho deste ano”, informa.

A intenção da Amipa é que, quando todos os testes estiverem concluídos, esses dois agentes biológicos sejam liberados nas lavouras por meio de drones, método que tem se mostrado bastante eficaz como ocorre com a Trichogramma pretiosum.

“O uso de drones para a dispersão da Telemonus já foi feito e aprovado. Quanto à Chrysoperla, o processo ainda é novidade e precisa ser desenvolvido”, acrescenta o diretor executivo da Amipa.

A Biofábrica tem no controle biológico de pragas a sua principal linha de pesquisa, que consiste em utilizar inimigos naturais para combater os insetos que causam danos ao cultivo de culturas agrícolas, entre elas, o algodão.

Trichogramma pretiosum

O laboratório tem obtido bons resultados com a Trichogramma pretiosum, agente biológico utilizado no controle de Lepidópteros, espécies de lagartas que atacam o algodoeiro e outros tipos de lavouras. Ao serem lançando sobre as plantações, os ovos parasitados pela microvespa Trichogramma potencializam o controle biológico natural, parasitando ovos de mariposas e impedindo a eclosão de novas lagartas pragas das lavouras.

Um dos alvos da Trichogramma, a lagarta Helicoverpa armígera, causou, em 2017, apenas em Mato Grosso, prejuízos em torno de R$ 1 bilhão. Esse tipo de lagarta foi identificado no Brasil em 2013 e é uma das principais pragas da agricultura, destacando-se nos últimos anos devido ao seu intenso ataque em algodão, soja, milho e tomate, dentre outras culturas.

Com o desenvolvimento de agentes biológicos, como a Trichogramma e os mais recentes Telenomus e Chrysoperla, a Amipa busca atender em primeiro lugar, sem custo, os seus produtores associados. “A ideia não é fazer com que o produtor rural deixe de usar agroquímicos convencionais, mas que ele disponha de uma alternativa a mais que garanta a eficiência de sua lavoura e que seja ecologicamente correta”, observa Lício de Sairre.

 

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 Lício Pena de Sairre, diretor executivo da Amipa – Amipa/Divulgação

Certificado

Em janeiro deste ano, a Biofábrica recebeu o certificado de operação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), tendo em vista a exigência da legislação brasileira que determina que todo produto químico ou biológico utilizado no país tem que ser submetido a uma análise de composição, ação e impacto ambiental.

O certificado do Mapa é liberado somente após o laboratório estar devidamente registrado em esferas municipal, estadual e federal. Com isso, a Biofábrica obteve o direito de fornecer seus produtos a outros produtores, que não os associados.

Laboratório

Inaugurada há pouco mais de quatro anos, em 2013, a Biofábrica é um dos dois laboratórios – o outro é a Minas Cotton – mantidos pela Amipa na sua filial em Uberlândia. A estrutura do laboratório ocupa quase metade do espaço laboratorial no prédio da associação, onde trabalham diretamente 20 funcionários.

“Os benefícios gerados pelo trabalho desenvolvido no laboratório são imensuráveis”, diz o supervisor do laboratório, Fauze de Sairre. “Com o uso do controle biológico de pragas em lavouras, a tendência é de redução na aplicação de produtos químicos favorecendo o manejo da lavoura de forma mais equilibrada, preservação dos insetos benéficos e produção com mais qualidade”, explica.

Controle Biológico

O controle de pragas na agricultura é feito normalmente por meio de agrotóxicos, que muitas vezes também acabam com os organismos benéficos (predadores, abelhas e outros polinizadores), incluindo o risco de contaminar o solo e a água. Além disso, fazem com que as pragas adquiram resistência, exigindo doses mais altas ou produtos mais tóxicos. Nesse sentido, uma alternativa eficiente é o controle biológico que contribui para a redução das populações de determinado inseto-praga por meio da introdução no ambiente de seus inimigos naturais (insetos, pássaros, ácaros, vírus, etc.).

Algumas vantagens do uso do controle biológico sobre o químico são a redução de exposição dos produtores e técnicos aos pesticidas; a ausência de resíduos nos alimentos; o baixíssimo risco de poluição ambiental; ausência de período de carência entre a liberação do inimigo natural e a colheita, e apreciação por grande parcela dos consumidores que demanda produtos livres de agrotóxicos.

 

 

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