Produtores querem priorizar setores em dificuldades na renegociação de dívidas

alexandre velho arroz
Alexandre Velho, vice-presidente da Federarroz – Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Representantes dos produtores rurais cobraram prioridade para os segmentos em dificuldades durante o processo de renegociação de dívidas do setor agrícola. Entre essas cadeias produtivas, estão as do arroz e do leite.

Os dirigentes das entidades dos produtores rurais participaram de reunião na comissão especial que debate soluções para o endividamento do setor agrícola, nessa terça-feira (8), em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Para o diretor institucional da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Benedito Rosa, a renegociação deve seguir critérios bem definidos e priorizar segmentos com maior dificuldade em saldar seus compromissos.

“Se o cobertor está curto com algo com R$ 1,2 bilhão para equalização, é preciso um critério para distribuir esse recurso para contemplar os segmentos que mais precisam”, afirmou Benedito Rosa.

Ele citou a estimativa do governo para gastar com a equalização da taxa de juros para o Plano Safra 2018/19. Por meio da equalização, o governo cobre a diferença entre a taxa de juros praticada no mercado financeiro e a taxa efetivamente paga pelo produtor.

O vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, assinalou que o problema do arroz é estrutural, como o custo alto de energia elétrica: “Temos de direcionar recursos para setores que realmente precisam. O endividamento do arroz ainda não apareceu por causa de muitas prorrogações.”

Durante a audiência, Alexandre Velho cobrou ainda a mudança da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) para TLP (Taxa de Longo Prazo), o que está impossibilitando as prorrogações dos financiamentos de investimentos.

Banco Central

O agronegócio tem cerca de R$ 303 bilhões em compromissos a serem saldados com o sistema financeiro, de acordo com dados de dezembro de 2017 do Banco Central (BC), citados pelo coordenador da comissão, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS).

O vice-presidente da Comissão Nacional de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Pedro Loyola, afirmou que os dados do BC mascaram a situação do endividamento agrícola. “Não temos hoje separado nos dados do sistema financeiro nacional o que são os dados de renegociação de dívidas do passado com as operações em normalidade”, disse.

Na opinião do secretário de Política Agrícola da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Antoninho Rovaris, toda renegociação faz injustiça com quem conseguiu pagar suas dívidas em dia. “Temos alguns que, por conveniência ou garantias dadas, sentam e esperam as coisas acontecerem”, afirmou.

Reduzir gordura

O objetivo da comissão, segundo Goergen, é reduzir a “gordura da dívida”, ou seja, atualizar os juros cobrados dos produtores. Para ele, os juros pagos estão acima dos praticados pelo mercado e inviabilizam a atividade agrícola. “A dívida agrícola do Brasil está escondida e é um gravíssimo problema”, completou.

Goergen confirmou que não será possível garantir uma medida para ajudar a renegociar todo o agronegócio, mas será preciso focar nos segmentos mais comprometidos. “Não vai ter como ter uma medida para todo mundo. Acho que devemos ir para os setores mais necessitados, como leite e arroz. Com poucos recursos disponíveis precisamos ter ainda mais efetividade”, disse.

A comissão fará uma reunião nesta quarta-feira (9) com representantes de bancos e na semana que vem com membros do Poder Executivo. A intenção, segundo Goergen, é agilizar e concluir os trabalhos até dia 23 de maio.

Da redação, com Agência Câmara Notícias

 

 

 

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