Professores da UFRJ atribuem crise à política de preços da Petrobras

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Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A superação da crise provocada pela greve dos caminhoneiros contra a alta do diesel passa pela revisão da política de preços dos combustíveis da Petrobras. É o que aponta o manifesto “Subsídios ao Diesel importado?”, divulgado nesta semana por um grupo de professores do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Recentemente, o conselho de administração da Petrobras, negligenciando os efeitos danosos da volatilidade no preço do petróleo para a atividade econômica, decidiu manter os preços dos combustíveis alinhados com os preços dos derivados no mercado internacional, independentemente dos custos de produção da companhia”, enfatiza o grupo de professores, no manifesto.

Com essa política, a empresa passou a repassar os riscos econômicos da volatilidade dos preços para os consumidores com o objetivo de aumentar os dividendos de seus acionistas, diz o documento. “A crise provocada pela reação dos caminhoneiros a essa política é fruto desse grave equívoco”, segundo os professores da UFRJ.

“Para superar essa crise, é indispensável rever essa política. No entanto, o governo decidiu preservá-la, propondo um subsídio para o diesel com reajustes mensais no seu preço. O governo estima que essas medidas custarão R$ 13 bilhões aos cofres públicos até o final do ano, dos quais mais de R$ 3 bilhões serão gastos para subsidiar o diesel importado. O ministro [Eduardo] Guardia [Fazenda] justificou essa medida econômica heterodoxa como necessária para preservar a competitividade do diesel importado”, assinala o manifesto.

Segundo o grupo de professores da UFRJ, o Brasil importou 25,4 milhões de barris de gasolina e 82,2 milhões de barris de diesel no ano passado, mas exportou 328,2 milhões de barris de petróleo bruto. “Na prática, esse petróleo foi refinado no exterior para atender o mercado doméstico, deixando nossas refinarias ociosas (31,9%) em março de 2018.”

Nesse processo, de acordo com o manifesto, os brasileiros pagaram os custos da ociosidade das refinarias da Petrobras e aproximadamente 730 milhões de dólares anuais pelo refino de seu óleo no exterior. “Não é racional que o Brasil subsidie diesel importado para absorver a capacidade ociosa de concorrentes comerciais.”

O grupo de professores da UFRJ conclui o documento ressaltando que “a Petrobras foi criada para garantir o suprimento doméstico de combustíveis com preços racionais. Não é razoável que o presidente da Petrobras declare que o petróleo produzido no Brasil é rentável a US$ 35 dólares/barril e proponha oferta-lo aos brasileiros a US$ 70/barril”.

O manifesto é assinado pelos seguintes professores do Instituto de Economia:

Adilson de Oliveira

André Modenesi

Ary Barradas

Carlos Frederico Leão Rocha

Carlos Medeiros

David Kupfer

Denise Lobato Gentil

Eduardo Costa Pinto

Esther Dweck

Fernando Carlos

Franklin Serrano

Isabela Nogueira

João Saboia

João Sicsu

José Eduardo Cassiolato

José Luís Fiori

Karla Inez Leitão Lundgren

Lena Lavinas

Lucia Kubrusly

Luiz Carlos Prado

Luiz Martins

Maria da Conceição Tavares

Marina Szapiro

Marcelo Gerson Pessoa de Matos

Marta Castilho

René Carvalho

Ronaldo Bicalho

Valéria VInha

Victor Prochnik

De outras instituições:

Ana Urraca Ruiz

Hildete Pereira de Melo

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