SP: Câmara de Vereadores rejeita proibição da aviação agrícola em Araraquara

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Foto: Jaqueline Ribas/Fundecitrus/Divulgação

A Câmara de Vereadores de Araraquara, no interior de São Paulo, rejeitou, na noite dessa terça (dia 12), a proposta de proibir a aviação agrícola no município. O Projeto de Lei nº 218/2017, do vereador Edio Lopes (PT), teve 10 votos contra e seis a favor (uma vereador não compareceu à sessão).

Antes da sessão, houve uma reunião entre os vereadores e representantes de diversas entidades do setor produtivo, que mais uma vez pontuaram as inconsistências da proposta – como já havia ocorrido em encontros anteriores.

Manifestaram-se contrários à proposta de proibição, além do Sindag, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a Associação dos Fornecedores de Cana de Araraquara (Canasol), o Sindicato Rural de Araraquara, a Federação da Agricultura de São Paulo (Faesp), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SP) e até a Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores do Estado de São Paulo (Faamesp).

“Mesmo o mais radical dos ambientalistas não iniciaria o seu trabalho eliminando justamente a melhor ferramenta de aplicação, aquela que usa o produto de maneira mais precisa e eficiente”, resumiu o secretário do sindicato aeroagrícola, Bruno Vasconcelos, sobre a incoerência da proposta de proibição.

“O debate público deste tipo de projeto tem sido edificante. Temos sistematicamente sido bem-sucedidos porque a técnica e o conhecimento estão do nosso lado”, completou Vasconcelos, no encontro com os vereadores.

O próprio presidente da Faamesp, Alcindo Alves, também se manifestou, por escrito, ressaltando que a proibição das operações aeroagrícolas não impediria casos de mortandade de abelhas no estado, como defendido na proposta. Segundo Alves, a solução para isso depende, na verdade, da convivência pacífica e da articulação entre produtores rurais e criadores de abelhas.

Tribuna

Já na tribuna, durante a sessão, a assessora Jurídica e de Sustentabilidade da Unica, Renata Camargo, apontou outros contrassensos do projeto, como a alegação de que 70% do produto aplicado por avião se perde. “Isso não é razoável ou racional. Trata-se de uma mentira”, destacou, depois de ponderar sobre qual produtor ou empresário conseguiria operar com uma perda tão alta de um produto que é caro. Ela ainda frisou: “Proibir a pulverização aérea é proibir a cana-de-açúcar em São Paulo”.

O gerente geral do Fundecitrus, Antônio Juliano Ayres, assinalou que “não há agricultura saudável e viável sem a aviação agrícola”. Ele reforçou as intervenções de todos os representantes de entidades agrícolas na sessão: “O que se está propondo é uma insanidade.” De acordo com ele, o secretário de Agricultura de São Paulo, Franscico Jardim, também estava preocupado com o projeto, devido à importância do setor aeroagrícola para o estado.

Ainda defenderam o setor aeroagrícola o coordenador do Senar/SP em Araraquara, João Henrique de Souza Freitas, e a vice-presidente da Canasol, Tatiana Caiano Teixeira Campos Leite – que falou ainda em nome do Sindicato Rural.

Os vereadores que votaram contra a proibição ressaltaram a importância da agricultura para o município e a necessidade de se aprofundar o debate sobre o tema. Já o autor da proposta defendeu seu projeto e questionou os argumentos do setor produtivo. “Não acho justo que os agricultores locais sejam prejudicados devido às grandes empresas, mas a democracia consiste nisso, no debate.”

 

 

AGROEMDIA

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