Passagens aéreas nacionais

Waldir Leite Roque/Prof. Titular, UFPB

O Brasil é o quinto país do mundo em extensão territorial, com 4.394 km em linha reta ligando o norte ao sul e 4.319 do leste ao oeste. Além das enormes distâncias, há ainda características geográficas regionais que dificultam o transporte terrestre. Em um país com dimensões continentais como o nosso, o transporte aéreo é muito importante, não apenas para o transporte de passageiros, mas também para o transporte de cargas especiais, particularmente na ausência de uma malha ferroviária com trens de alta velocidade.

As empresas aéreas brasileiras sempre ofereceram passagens aéreas caras, mas anteriormente tudo estava incluído. Nos últimos anos, alegando os altos custos, asseguraram que os preços só poderiam diminuir se algumas das “benesses” fossem eliminadas e cobradas separadamente. Inicialmente, os custos com as agências de viagens que emitiam passagens foram eliminados quando as compras passaram a ser efetuadas pelo próprio cliente via internet, depois o custo com catering para oferta de alimentação à bordo foi eliminado com a cobrança do serviço, a bagagem passou a ser cobrada, a cobrança para reserva em assentos mais espaçosos foi implementada, e nada disso fez o preço cair efetivamente. Agora a novidade é eliminar a possibilidade de o passageiro escolher livremente seu assento dentre os disponíveis, sendo a própria empresa, que por algum critério, determinará o assento do passageiro e se este não estiver satisfeito poderá alterá-lo desde que pague pelo serviço de escolha. Possivelmente, quem adquirir a passagem com certa antecedência será posto nas últimas poltronas, já quem adquiri-la mais próximo da data do voo, quando as tarifas são bem mais caras, ficarão com os assentos mais à frente da aeronave, mesmo assim quem não gosta de voar na poltrona central terá que desembolsar pela mudança de assento. Uma estratégia que não traz qualquer benefício efetivo para o passageiro, apenas para a empresa.

As propostas das empresas aéreas no Brasil estão chegando ao extremo. Se continuar assim em breve elas vão cobrar para você emitir o seu próprio bilhete, vão cobrar para você sentar em uma poltrona cujo dispositivo de flutuação individual será o assento ou o colete, vão cobrar para você sentar em uma poltrona com luz direta de leitura e multimídia, vão cobrar para você usar o protetor de encosto de cabeça nas poltronas, vão cobrar para você ter acesso à toilet, ficando apenas uma disponível gratuitamente na aeronave, e se duvidar, vão cobrar para você respirar dentro da aeronave e podem até negociar com os aeroportos para cobrarem a forma de acesso ao avião, se subindo pelas escadas ou pelos corredores elevados (fingers).

A verdade é que nada disso parecer fazer os preços caírem. O Brasil tem uma frota de cerca de 460 aeronaves, incluindo as quatro maiores empresas nacionais, enquanto apenas uma das principais empresas americanas possui 1.546 aeronaves e as duas principais europeias têm juntas 557. No Brasil, 88,7 milhões de passageiros foram transportados em voos domésticos em 2017 segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil, enquanto nos Estados Unidos foram 750 milhões. Quando comparamos o número de voos domésticos pelo número de habitantes do país, a oferta de voos domésticos nos Estados Unidos é quase seis vezes superior à brasileira. É preciso maior concorrência no mercado nacional e a oferta de outros meios de transporte para que as empresas aéreas possam efetivamente cobrar o preço justo de mercado e não usar tantos artifícios falaciosos para compor os preços das passagens.

 

 

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