Monsanto é condenada a pagar US$ 289 mi a vítima de câncer por uso de glifosato

pesticida glifosato roudup monsanto
Foto: Monsanto/Divulgação

A Monsanto foi considerada culpada por um júri da Califórnia (EUA) em um processo ajuizado por um homem sob a acusado de que ele contraiu câncer devido a pesticidas à base de glifosato da empresa, como Roundup, informa à Agência Reuters. Condenada nessa sexta-feira (10) a pagar US$ 289 milhões de indenização, a Monsanto negou, por meio de nota, que o glifosato tenha provocado a doença em Dewayne Johnson e disse que recorrerá da sentença.

Bayer defende uso de glifosato após condenação da Monsanto

Segundo a Reuters, o caso do zelador de escola Dewayne Johnson é o primeiro a ser julgado que sustenta que o glifosato causa câncer. A agência acrescenta que a Monsanto – uma unidade da Bayer, adquirida pelo conglomerado alemão por US$ 62,5 bilhões – enfrenta mais de 5000 processos semelhantes nos Estados Unidos.

De acordo com a Reuters, o júri na Corte Superior da Califórnia, em San Francisco, deliberou por três dias antes de decidir que a Monsanto falhou em alertar Johnson e outros consumidores sobre o risco de câncer apresentado por seus pesticidas. A empresa deve pagar 39 milhões de dólares como compensação e 250 milhões como punição.

A Monsanto adiantou, em nota, que apelará da decisão. “A decisão não muda o fato de que mais de 800 estudos científicos apoiam o fato de que o glifosato não causa câncer, e não causou o câncer do Sr. Johnson”, disse a companhia.

A empresa rechaça que o glifosato, o herbicida mais usado do mundo, cause câncer, dizendo que décadas de estudos científicos comprovam que o pesticida é seguro.

O caso

Aberto em 2016, o processo de Johnson teve prioridade no julgamento devido à seriedade de seu linfoma não-Hodgkin’s, um câncer do sistema linfático que ele afirma ter sido causado pelo Roundup e pelo Ranger Pro, um outro pesticida baseado em glifosato da Monsanto. Conforme a Reuters, os médicos de Johnson dizem ser improvável que ele viva além de 2020.

“Ex-funcionário encarregado pelo controle de pragas no sistema escolar de um condado da Califórnia, Johnson, 46 anos, aplicava o pesticida até 30 vezes ao ano”, assinala a Reuters.

Ainda de acordo com a agência, Brent Wisner, advogado de Johnson, disse em nota que os membros do juri, pela primeira vez, haviam tido acesso a documentos da empresa que “provam que a Monsanto sabe por décadas que o glifosato, e especificamente o Roundup, podem causar câncer”. Ele pediu que a Monsanto, pontua a Reuters, “ponha a segurança do consumidor antes do lucro”.

Durante o julgamento que durou quatro semanas, relata a Reuters, o júri ouviu depoimentos de estatísticos, médicos, pesquisadores de Saúde Pública, e epidemiologistas que tinham opiniões diversas sobre a possibilidade de o glifosato causar câncer.

Os jurados também concluíram que a omissão da empresa em incluir os alertas necessários foi um “fator substancial” para provocar a doença de Johnson, de 46 anos, e que sofre com um linfoma.

Em setembro de 2017, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA concluiu uma avaliação extensa sobre os riscos do glifosato e declarou que a substância provavelmente não é carcinogênica a seres humanos. “Mas o braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) que estuda a doença classificou o glifosato em 2015 como ‘provavelmente carcinogênico para seres humanos’”, observa a Reuters.

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Um comentário em “Monsanto é condenada a pagar US$ 289 mi a vítima de câncer por uso de glifosato

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: