Resistência de plantas daninhas a herbicidas preocupa produtores

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Plantas daninhas resistentes afetam eficiência das culturas – Foto: Fernando Adegas/Embrapa

A situação atual da resistência de plantas daninhas a herbicidas nos diversos sistemas de produção do país foi retratada pelo pesquisador Décio Karam, da Embrapa Milho e Sorgo, durante o XXXII Congresso Nacional de Milho e Sorgo, em Lavras-MG. Atualmente, no Brasil, segundo o pesquisador, há 28 espécies de plantas daninhas resistentes a herbicidas, em diferentes níveis, e cerca de 50 relatos de resistência feitos por produtores em diversas regiões brasileiras.

Nesse cenário que compromete a eficiência produtiva da agricultura brasileira, as perdas econômicas alcançam patamares de R$ 9 bilhões, diz Karam. “A estimativa do custo de resistência, apenas na área de soja no Brasil, está entre R$ 3,7 bilhões e R$ 6 bilhões, somente computando os gastos para o manejo das espécies resistentes. Porém, quando se insere uma perda de 5% devido à competição imposta por essas plantas, os custos chegam a até R$ 9 bilhões”, revela o pesquisador.

Associado a essa perda econômica, Karam cita ainda outro dado preocupante: a ausência de novos mecanismos de controle ou manejo da resistência nos próximos 10 anos, já que os ingredientes ativos dos herbicidas são ainda os lançados nas últimas décadas. “Buva, capim-amargoso, capim pé-de-galinha Amaranthus palmeri (identificada em 2015 no estado de Mato Grosso) exigem estratégias para prevenir a resistência. A chave é o manejo integrado”, explica Karam.

Sobre o Amaranthus, o pesquisador expõe que a entrada da planta em Mato Grosso foi causada pelo trânsito de máquinas agrícolas vindas de áreas infestadas. Outro fato que merece atenção é a resistência do capim pé-de-galinha ao glifosato. “Em algumas regiões do Brasil, o problema é mais sério que o provocado pelo capim-amargoso.”

Abaixo, veja as ações elencadas pelo pesquisador para prevenir o aparecimento da resistência (em negrito estão as mais enfatizadas por ele).

Estratégias preventivas contra a resistência

– Rotação de herbicidas;

– Aplicação sequencial;

– Mistura de herbicidas com residual semelhante;

– Aplicação de produtos em escapes;

– Rotação de culturas;

– Manejo integrado de plantas daninhas (integração dos métodos de controle);

– Acompanhamento das mudanças da flora;

– Limpeza dos equipamentos.

Milho tiguera

O pesquisador Evandro Maschietto, da Fundação ABC, localizada no Paraná, destacou que o problema de plantas daninhas com resistência a herbicidas é maior na cultura do milho, após trigo e soja. “O milho voluntário ou tiguera pode provocar perdas de 64,4% na produtividade da soja (considerando a presença de quatro plantas de milho tiguera por metro quadrado). A presença de apenas uma planta por metro quadrado provoca perdas de produtividade de quase 30% na soja”, observa.

O pesquisador ainda enumerou em sua palestra as ocorrências de azevém resistente (com relatos de produtores que utilizam até 16 litros por hectare de glifosato sem eficiência de controle) e a buva. “Uma única planta pode produzir até 200 mil sementes e essas sementes podem se espalhar facilmente”. A agressividade do capim-amargoso ainda foi citada, cuja competição com milho e soja pode provocar perdas significativas de produtividade.

Entenda como acontece a resistência

A resistência é definida como a habilidade herdada de uma planta daninha em sobreviver e reproduzir-se após a exposição a uma dose de herbicida normalmente letal (dose de bula) para a população natural. É de ocorrência natural, devido as plantas daninhas evoluírem e se adaptarem às mudanças do ambiente e ao uso das tecnologias agrícolas. Na prática, o surgimento da resistência ocorre pelo processo de seleção de biótipos resistentes, já existentes na população presente nas áreas de produção, em função de aplicações repetidas e continuadas de um mesmo herbicida ou de herbicidas com mesmo mecanismo de ação, durante determinado período de tempo.

O tema foi debatido em painel durante o terceiro dia do XXXII Congresso Nacional de Milho e Sorgo, que termina nesta sexta-feira (14).

Próximo congresso será em Palmas-TO

Em assembleia realizada na noite da última quarta-feira, (12), os membros da ABMS (Associação Brasileira de Milho e Sorgo), entidade promotora das edições do congresso, definiram o local de realização do próximo evento, em 2020. A capital do Tocantins, Palmas, sediará a 33ª edição.

De acordo com o presidente do próximo congresso, o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo Rodrigo Veras da Costa, instituições como a Superintendência de Turismo do Tocantins, Agência de Turismo de Palmas, Universidade Federal do Tocantins, Universidade Estadual do Tocantins, Instituto Federal do Tocantins, Universidade Católica do Tocantins, Instituto de Desenvolvimento Rural, Centro Universitário Luterano de Palmas, Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins e Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado já manifestaram apoio ao evento. A realização será da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Da Embrapa Milho e Sorgo

 

 

AGROEMDIA

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