Trabalhador noturno é mais propenso à obesidade e diabetes

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 Pesquisa investiga hábitos alimentares de quem trabalha à noite – Foto: Agência Brasil

Por Jorge C. Carrasco/Ufrgs

Pesquisadores da Ufrgs estudam a associação entre trabalho por turnos e hábitos de alimentação. O projeto – que envolveu uma equipe de quatro pessoas – consistiu em uma revisão sistemática de 33 estudos observacionais nacionais e internacionais sobre o assunto. O resultado, publicado em agosto no Scandinavian Journal of Work, Environment & Health, confirmou que as pessoas investigadas nos estudos que trabalhavam em turnos depois das 17h até o final da manhã e em sistemas de plantão eram muito mais propensas a adquirirem doenças como obesidade, diabetes e síndromes metabólicas do que as que trabalhavam somente no horário diurno. Entre os fatores que contribuem para esse quadro, estão as mudanças nos hábitos alimentares.

O objetivo da pesquisa, segundo a professora do Departamento de Nutrição da Ufrgs Raquel Canuto, foi comparar a quantidade e a qualidade da dieta usual dos trabalhadores diurnos e noturnos. Também visou estudar as respostas do metabolismo às mudanças de turnos de trabalho, considerando a frequência com que ocorrem e o número de anos pelos quais elas se mantêm.

Para atender às demandas econômicas e sociais de nossa sociedade, está se tornando cada vez mais necessário que os funcionários trabalhem fora das horas de trabalho diurnas tradicionais. Segundo a professora, cerca de 15 a 20% dos adultos empregados na Europa e nos Estados Unidos trabalham atualmente por turnos. Esse tipo de trabalho, no entanto, tem sido associado a efeitos adversos à saúde, incluindo distúrbios metabólicos, como alterações no peso corporal, glicemia e lipídios, e várias doenças crônicas, como câncer de mama, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

No total, os estudos analisados pelo grupo de Canuto contemplaram 7.173 trabalhadores diurnos e 683 trabalhadores por turnos. Desses últimos, 73% tinham mais de um turno noturno por mês e 31% trabalhavam por turnos há mais de 20 anos. A idade média dos participantes foi de 47 anos, 30% eram homens, e mais de um terço da população (36%) tinha um alto nível de escolaridade. Em comparação com os que tinham jornada de trabalho diurno, os trabalhadores por turnos tinham menor escolaridade, eram mais frequentemente fumantes, mais ativos fisicamente e tinham um índice de massa corporal ligeiramente maior.

Quanto à dieta habitual, os trabalhadores por turnos tinham uma ingestão média de energia maior do que os trabalhadores diários e costumavam consumir mais lanches e açúcares de altos níveis calóricos e menos frutas, legumes, fibras e alguns minerais e vitaminas, como as B e C e o magnésio. Também tendem a fazer um número maior de pequenas refeições e a comer mais em horários irregulares.

Segundo a professora, as motivações para fazer a pesquisa vieram de sua experiência profissional. “Eu trabalhei como nutricionista em uma empresa que funcionava nesse esquema de trabalho. Eu atendia os funcionários geralmente de madrugada, então muitas vezes escutava relatos desses trabalhadores, de que quando tinham aderido a estes turnos eles desenvolviam problemas de aumento do colesterol, problemas metabólicos, problemas com a pressão e a saúde mental. Então, na época, eu decidi começar a trabalhar com esses temas”, conta.

Canuto destacou a enorme importância que este tipo de pesquisa possui, pois hoje ainda é difícil encontrar nas empresas e centros de trabalho uma ajuda profissional para acompanhar a alimentação dos trabalhadores por turnos. A professora planeja, junto com seus colegas, uma futura expansão do projeto, com a colaboração de outras universidades, e explica que seu objetivo final é criar um sistema de recomendações para trabalhar com as empresas e, dessa forma, melhorar as condições de trabalho dos funcionários por turnos.

 

 

 

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