Brasil corre risco de desabastecimento de diesel em plena safra

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Setor agrícola pode enfrentar falta de diesel no fim do ano – Kéke Barcellos/Embrapa

Se não houver mudança na política de preços do diesel por parte da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e não começar o pagamento da subvenção, o Brasil corre risco de ter desabastecimento do combustível nos últimos meses do ano, quando há um pico de consumo, provocado principalmente pela atividade agrícola. O alerta o coordenador de Petróleo, Gás e Derivados da consultoria INTL FCStone, Thadeu Silva. Para evitar esse quadro, acrescenta, “a Petrobrás terá que arcar sozinha com o prejuízo de suprir a totalidade do mercado brasileiro com arbitragem negativa.”

De acordo com a consultoria, após a greve dos caminhoneiros de maio último, o sistema de tabelamento de preços ao consumidor final e de subvenção aos fornecedores tem apresentado problemas em remunerar a importação de diesel. Os valores adotados pela ANP para os custos com transporte e tancagem, por exemplo, apontam número muito abaixo do praticado pelo mercado, assinala a consultoria.

Ainda segundo nota divulgada pela INTL FCStone, até o momento ainda não foi paga a grande maioria dos valores devidos aos fornecedores pela ANP, muitas empresas estão sem liquidez para fazer novas operações e há incertezas se a subvenção ocorrerá de fato. “A importação privada está paralisada, e a Petrobras é praticamente o único agente a trazer produto para o Brasil, salvo raras exceções”, observa Thadeu Silva.

Conforme a consultoria, os últimos meses do ano costumam apresentar o pico da demanda por diesel no Brasil e em 2018 não será diferente. A maior procura pelo combustível fóssil nesse período está relacionada ao setor agrícola brasileiro, que permanece se expandindo ao longo dos últimos anos. “Em meio à evolução na safra de grãos, espera-se que o consumo anual de diesel no Brasil apresente evolução de 0,32% em relação ao volume total demandado em 2017 e alcance 50,13 milhões de m³ (137,35 mil m³ por dia) ao final desse ano”, estima a INTL FCStone.

Analisando as condições domésticas de oferta do óleo diesel, que se agravaram após a explosão na Refinaria de Paulínia-SP (Replan) em agosto, o que reduziu sua capacidade em cerca de 50%, o grupo projeta que o Brasil precisará importar cerca de 5,5 milhões de m³ (130 navios com capacidade de 42 mil m³) durante os próximos quatro meses para equilibrar o balanço de oferta e demanda doméstico em 2018.

A necessidade de importar 1,37 milhão m³ pelos próximos quatro meses, calcula a consultoria, representaria um aumento de 22,6% em relação a média das importações de diesel nos cinco primeiros meses do ano. Isso em um contexto desfavorável, após a greve dos caminhoneiros e a mudança da política de precificação do diesel no Brasil terem diminuído significativamente as importações do combustível.

“Comparando com o volume importado no mesmo período de 2017, as aquisições de diesel no mercado internacional precisarão expandir 12,2%, realçando que no passado, 24,2% do diesel ofertado no mercado doméstico teve origem fora do Brasil, o maior share já registrado para o produto”, resume Thadeu Silva.

 

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